<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170</id><updated>2011-12-19T10:58:14.518+01:00</updated><title type='text'>Pulo do Lobo</title><subtitle type='html'>Um blog para os apreciadores do silêncio ...</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>279</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-6677736511835176374</id><published>2007-03-21T13:37:00.000+01:00</published><updated>2007-03-21T13:45:27.175+01:00</updated><title type='text'>Morte ao Trichet</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RgEnJH6vroI/AAAAAAAAACk/HPHnzU3mahA/s1600-h/Self_PortraitPC.jpeg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5044356095329414786" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RgEnJH6vroI/AAAAAAAAACk/HPHnzU3mahA/s400/Self_PortraitPC.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este senhor que nao dorme por causa dos receios de uma subida generalizada dos preços, vulgo inflacçao, veio a terreiro ameaçar com mais uma subida das taxas de juro mostrando-se em simultaneo revoltado com os aumentos salariais exagerados. Todos nós temos Trichet's de trazer por casa nos nossos países, é certo, mas que este senhor representa o que de pior a aristocracia de Bruxelas gerou nos últimos anos isso é indesmentível. Quando o Euro já se encontra em patamares perigosíssimos para a competitividade das exportaçoes europeias, quando o mercado imobiliário estagna por toda a Europa, quando o desemprego nao dá mostras de recuar , quando o crescimento europeu é ainda incipiente, o que é que este douto senhor faz ? Aumenta as taxas de juro de uma forma americanizada sem que a Europa tenha os mecanismos de rápida adaptaçao , especialmente no mercado laboral, existentes nos EUA. Que grande merda de homem !!!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Zé da Neta &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-6677736511835176374?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/6677736511835176374/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=6677736511835176374&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/6677736511835176374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/6677736511835176374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/03/morte-ao-trichet.html' title='Morte ao Trichet'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RgEnJH6vroI/AAAAAAAAACk/HPHnzU3mahA/s72-c/Self_PortraitPC.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-8548578173912382220</id><published>2007-02-23T17:30:00.000+01:00</published><updated>2007-02-23T17:38:36.371+01:00</updated><title type='text'>Bien sur chére Mme. Angeline</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/Rd8Wq8aeyQI/AAAAAAAAACQ/am4wgrPIt4w/s1600-h/maxbeckmann1"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5034767835451017474" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/Rd8Wq8aeyQI/AAAAAAAAACQ/am4wgrPIt4w/s400/maxbeckmann1" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Vamos lá entao bordejar o Sena mais umas quantas vezes, rever a Mona Lisa e tentar arranjar dois lugares para a Tosca. O chocolate africano da Chez Angeline será degustado assim como uns belos tintos de fim de estaçao. Desta vez evito o Pied de Couchon senao a "patroa" começa a desconfiar ( ainda que lhe ofereça Veuve Cliquot enquanto esperamos pelo chispe ) das minhas preferências gastonómicas. O Moulin Rouge , sem jantar, deverá ocupar-nos uma noite , talvez a seguir a uma visita ao Musée Rodin, n'est-ce-pas ? E, a Notre Dame merecerá uma visita interior. A Tour Eiffel é que já nao há pachorra . Ainda se fosse em Lagos, a seguir à praia do Camilo ...&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Zé da Neta&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-8548578173912382220?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/8548578173912382220/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=8548578173912382220&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/8548578173912382220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/8548578173912382220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/bien-sur-chre-mme-angeline.html' title='Bien sur chére Mme. Angeline'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/Rd8Wq8aeyQI/AAAAAAAAACQ/am4wgrPIt4w/s72-c/maxbeckmann1' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-64247516427943258</id><published>2007-02-22T16:28:00.000+01:00</published><updated>2007-02-22T16:31:23.290+01:00</updated><title type='text'>O pao de ló</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/Rd2218aeyPI/AAAAAAAAACE/1REnO6e-VZ0/s1600-h/h.bayer"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5034380996336601330" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/Rd2218aeyPI/AAAAAAAAACE/1REnO6e-VZ0/s400/h.bayer" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;O Colégio contratou para professor de música o senhor Macedo, mestre de banda em Aguiar da Pena. Dele se apregoava que era pessoa idónea tanto para dirigir orquestra como charanga, e inexcedível de batuta em punho quando regia uma missa a instrumental. Viera das bandas do Porto, mas qual fora o seu passado ninguém investigara, nem houvera ensejo de ele o dizer. Aparecera na vila inculcado aos filarmónicos da terra, que careciam dele, por um patrício com loja de tamanqueiro na Rua Escura. Estipulados os honorários, ali pegou de estaca com mulher e um filho já espigadote.   Os directores do Colégio – dizia o P. e Sulpício, o mais melómano dos prefeitos, que inspirados pela Virgem do Heptacórdio – assoldadaram-no pois, e um tufão de jucundidade varreu a bisarma taciturna, sua pedra, abóbadas e horizontes esquálidos. Muitos alunos correram pressurosamente a inscrever-se na aula de música, mediante uma espórtula tão insignificante que não houve papá ou tutor que a não suportasse de bom grado.    O senhor Macedo vinha no sábado à tardinha, dava uma primeira lição, e despedia no domingo depois da segunda lição, salvo os dias em que a banda tinha compromisso em festividade ou arraial. Nessa eventualidade trocava os dias com a quarta e quinta-feira. Os alunos, diante deste móvel calendário, no sábado de tarde, durante o recreio, que era a hora crucial para a chegada do mestre, postavam-se aos dois grandes janelões, virados para a serra da Estrela, de olhos no caminho, ao longe, um pouco além do Miradouro, onde ele devia surgir. No Inverno, estava-se a mil metros de altitude, com o frio que inteiriçava a terra, não se pensava em abrir a vidraça, e, muito menos nos dias de codo, quando as árvores se transformam em andores cintilantes de pedrarias. E os rapazinhos comprimiam o nariz contra os vidros, dando cotovelada e espremendo-se para caberem todos. – Está a chegar à nascente – dizia um. – Está nada! É um cabreiro com o rebanho – opunha outro.    A distância era grande até a lomba do caminho, e seria preciso ter olhos de lince para distinguir-se dali silhueta humana. Mas cada um deles se entregava a este jogo de curiosidade mental, espreitando por óculo de ver ao longe, calibrado pela fantasia. E amassagavam mais o focinho deslavado contra os rectângulos de vidro, que tinham de varrer com a mão, de quando em quando, embaciados pelo hálito de tantas bocas. Diante deles, até a guarita branca do Miradouro, estendia-se profundo e extenso um horizonte gris e parado de Dezembro. As águas do Longa cortavam com seus filetes brancos e ténues como retrós, tão perto estavam da madre, reluzindo ora aqui ora além por entre os amieiros, a paisagem baça e siderada. Corvos muito grandes e muito negros, que davam a ideia de retingidos a tinta de nanquim, cruzavam a espacidão côncava, animados dum impulso irreal. A Ocidente, uma coluna de fumo, estorgada, fogueira de pastores, subia, subia no ar, dissolvia-se sem cocar nem franjado.    Os alunos não se cansavam de olhar. Pois havia alguma dúvida que dum instante para o outro ia descoser da vaguidão do horizonte o vulto tropiqueiro do cavalinho que trazia o senhor Macedo, ou as abas a fraldejar do seu capindó, se vinha a pé? E empinocavam-se uns sobre os outros, pois que o posto de observação era estreito para todos. Choviam os protestos. Trabalhava, por vezes, o sopapo. Uns que tais despegavam-se do cacho às upas.Se o mestre vinha a cavalo, abalavam todos para a portada, e as boas-vindas eram tanto para ele como para o garraninho vermelho, pequenote, de grande cauda vassoiruda e compridas clinas despenteadas, olhos grandes a rir e a dizer para todos: cá estou, amigos, cá estou!   Os seus olhos, com efeito, eram lagos de doçura. Abraçavam-no uns pelo pescoço, enquanto outros lhe puxavam o rabo e davam palmadinhas nas ancas. Este ou aquele descobria que, mirando-se no espelho risonho das suas pupilas, era mais pequenino, ágil e mais bonito, e punham-se de joelhos diante dele, porque baixara logo a cabeça e reatava as suas meditações. Em tudo o cavalinho permanecia quieto e benevolente com a petizada, como se estivesse divertido ou hipnotizado.Mas eles breve se saciavam do enlevo, que não sofria renovamento. Uma fífia de flauta ou de violino fazia-os galgar de cambulhada para a sala de música. E dali a pouco a serra coroava-se dum diadema dionisíaco de sons.    Às vezes – os tais dias de função nas aldeias –, o viso do caminho a sul escurecia sem despontar o senhor Macedo. Resvés das urzes, ao alto da balsa, onde quanto ao professor de geografia, o P. e Sulpício, o Longa tinha a nascente, um fuminho adensava-se, como se a terra vestisse a sua samarra de noite. O lume de água apagava-se mesmo nos meses pluviais, quando era um candelabro. No Verão, mal luminescia. -Mas, ó padre Sulpício – não perdia ensejo de contestar o P.e Barros, que era marrão – o senhor averiguou bem que ali é que nasce o Longa? Ou decretou?   Sim, ele havia decretado contra os ventos e marés da opinião estabelecida que ali nascia o Longa. O senhor Flora, professor de primeiras letras, que era dali natural, sustentava que o Longa nascia no chafariz dos Chantres, ao fundo do lugar. A madre era aquele depósito valente de água, que brotava de duas bicas, com fartura cabonde para abastecer a população. Nos meses tórridos ou meses de inverno pegado, o jorro era inalterável, alimentado por canalículos de granito, que não podiam transportar mais água nem menos, dada a compressão do grande maciço de pedra da serra (pena-penha) sobre a rede subterrânea hidrográfica.   O P.e Sulpício, bom homem e grande ratão, sustentava que com certos rios e ribeiros do planalto havia que desconfiar da origem. Geograficamente, qual era ela? A que vinha de mais longe. Ora, tendo contornado a povoação, pelo lado da Senhora da Pena Esquecida, descobrira um fio de água que vinha saltante e cantante lançar-se no arroio proveniente do chafariz dos Chantres. Medira-o até a confluência, e inclinara-se a que fosse aquele o verdadeiro manancial do rio que atravessa montes e vales, rega milharais e hortejos, faz moer centenas de moinhos e azenhas, produz gordos robalos e trutas, lampreias de Ponte Mariz em diante, e enguias em barda para a foz, e forma a ria especiosa que torna Ulmeiro a Veneza de Portugal. Havendo, porém, perlustrado o terreno com os discípulos durante vários passeios dominicais, acabara por descobrir, perto do Miradouro de Aguiar da Pena, uma fontainha vivaz, borbulhão miraculoso que nunca secava, mais longo em profundidade geográfica que as outras nascentes, e tivera de reconvir que era aí que devia considerar-se a origem do Longa. Na aula de geografia, acontecia perguntar: – Menino, onde nasce o Longa? Para o arreliar diziam apenas: – Na serra da Pena...Se o quisessem ver sorrir e de bom humor acrescentassem: – ...junto do Miradouro de Aguiar da Pena.Um pinheiro manso, extático, marcava-lhes no ar, às vezes nebuloso, um alvo menos fugidio aos olhos. Levantava-se ali como um gigante, dos contos antigos, a guardar um vau. Nos dias claros, reflectia-se na bacia de água, que se cavara ao pé, e os pastores vinham sentar-se à sua sombra a britar os pinhões.    Macedo era um homem seco de carnes, bronzeado e alto, que se poderia julgar um dos frades de Zurbarán, liberto da coca do capuz. A pele estalava-lhe, recalcada sobre os ossos da face, atando os queixos que, com o bigode caído à Vercingetorix, lhe dava um ar nada comum, o seu tanto tumular. Ria pouco, de humor muito desigual, não obstante ser homem de bom fundo. Umas vezes mostrava-se-nos sombrio de todo, sem chegar a ser brusco, outras vezes a sua efusão, com os padres mormente, expandia-se franca e satisfeita, prevalecendo ao recato monacal, adoptado na Casa.    Para os colegiais, a sua presença significava um dia de salvatério à ferrugenta grilheta do hic, haec, hoc, do emprego do nome predicativo, e da crónica do vasto e aborrecido orbe terráqueo. A música era o rubi, o grande rubi sobre que rodava toda a engrenagem da libertação, e por isso, não falando no mais, todos romperam a solfejar e cada um a preparar-se para tanger seu instrumento.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Atrás duma inovação daquelas, veio a sua complementar. Chegou ao conhecimento do P.e Ireneu das Dores, o director, que para os lados de Valbom uma filarmónica, excomungada pelo bispo, sucumbida à concorrência, ou falha de mestre capaz, decidira dissolver-se, para o que iam ser postos em almoeda seus instrumentos e barretinas. Quem dava mais? Comprou-os o Colégio da Pena por uma tuta-e-meia, salvo o fardamento, já se deixa ver.   Chegou o instrumental em dois grandes caixotes, porque um só seria excessivamente volumoso com o bombo e caixa. Muito bem acondicionados em palha de embalagem, os metais, trabalhados à pasta Amora, que tinham estado em exposição a tentar o comprador, reluziam como o sol. Não traziam amolgadura que desse nas vistas, mas, procurando bem, dava-se conta, mercê de sinais quase microscópicos, que o baixo, barítono e trombones tinham entrado algumas vezes nos banzés de fim de arraial, arvorados em maças de Hércules e por certo réus de muita cabeça rachada.    Os alunos plantaram-se em volta dos caixotes, olhos acesos, boca escancarada, suspenso o fôlego, levemente flectidos no jeito de aprender, numa cabeceira o P. e Ireneu e o P. e Sulpício, dando o centro a mestre Macedo, na outra o P. e Barros, comprimido entre o Zé Ratatau e o Martinho Somelga. O Repas com um martelo e um cinzel procedeu à efracção dos mágicos volumes, mais cautelosamente que um médico manobrando o fórceps. Depois quando todos os instrumentos vieram a lume e que cada um atropelava os outros para os dispor contra o muro e se apresentaram perfilados sobre suas bocas, ou, aqueles que não davam pedestal, deitados sobre o velho Erard, com olhos ansiosos os estudantes consultavam os professores. Ia fazer-se a distribuição. Havia semanas e semanas que os padres matutavam no magno problema, de acordo com Macedo. A última palavra era do mestre. A vocação de cada um tinham-na eles pulsado e classificado numa escala segundo o bom ouvido musical e a falta de bossa.    Por minha parte todo me temia. Eu começara por querer aprender flauta, instrumento por que tinha um filé particular, mas que ao cabo de teimosas e infrutíferas tentativas me vira forçado a abandonar por incapacidade para o sopro. Dali passara à rabeca. O Semitela, pai do nosso criado, possuía uma, muito velha, que herdara dum tio imaginário, em que eu vira uma vez um figurão de Lisboa tirar desenfastiadamente variações plausíveis, e dizer: – Arrisca-se a ter aqui um «Stradivarius». Guarde-a!Minha mãe mandou-me a rabeca, à experiência, tentando ao Semitela com boa espórtula, e foi uma risota geral na casa sorumbática. Tinham-lhe aparado o braço de modo a torná-la uma rabeca de descante, ao sabor do corridinho e da chula, e mais modinhas de batuque. O velho Macedo, que tocava todos os instrumentos, afinou-a, mesmo assim, passou resina no arco, e tirou dela meia dúzia de compassos, que estarreceram a todos. Mas breve a encafuava na suja bolsinha de amostras pronunciando:– É boa para os cegos que andam pelas portas.Tentei a mandolina. Ao fim de dois meses não tinha passado do primeiro tempo duma valsa.– Pega tu... pega tu... e lá, ó Sisto, atreves-te com a requinta?Quem falava era o P.e Sulpício, braço direito de Macedo e seu lugar-tenente. Ele é quem tocava órgão no coro, sempre que Macedo faltava.O pega tu era o cornetim para o Eugénio, a flauta para o Miranda, em que já era sabido, a requinta para o Henrique. E tu, mais tu, aquele, para o Zé Ratatau a caixa, pratos para o Martinho Somelga, bombo para o criado, a mim não se me dava nada. Restava uma trompa. O padre encarou-me em silêncio:– Tu serás capaz de dar conta do recado?– Eu, quê? A trompa? Resta saber se quero... – Ai não queres? Melhor.O Macedo olhou para mim:– Aceite a trompa, menino Alexandre, depois se verá...E conformei-me. Dois meses decorridos, acertava com o meu acompanhamento menos mal: epó, epó, epopopó!    O casarão, entretanto, tornara-se no cume da serra, em véspera de feriado, o mais vibrante e estrondoso vulcão de ruídos polifónicos que imaginar se pode. As janelas vomitavam gamas como ondas de lava. Os sábados eram os dias cíclicos da astronómica erupção. Uma tarde, a hora de noa, encontrei-me de joelhos diante da Senhora da Pena, muito reginal no seu altar de prata e mármore precioso, a pedir-lhe com todas as veras da alma que dispusesse as minhas faculdades de modo a sair-me bem como executante de trompa na filarmónica do Colégio. Assim era difícil? A mim sempre me pareceu mais complexo que o latim ou a álgebra. Todavia lá ia, dá-lhe que dá-lhe, e se às vezes o Macedo me deitava um olho feroz ou o trombone à direita me largava um cotovelão porque me atrasara no compasso, logo me remetia o melhor possível: pó, pó, po-po-pó... pó.   Chegou o mês de Junho, mês das peregrinações. Um dos romeiros, que estava a fazer a semana do Espírito Santo, homem das bandas de Lamego, calça de saragoça, corrente de oiro de tranqueta, dois fios, e um dobrão de D. João V ao pendurão, veio parlamentar com o P.e Ireneu quanto à possibilidade de acompanharmos de fanfarra a grande procissão da sua terra que formava no Miradouro da Nave e avançava para o Santuário, triunfalmente, de pálio, guiões, cruzes alçadas entre bandeiras das confrarias e lanternas. O padre consultou Macedo. Sim, desde que trouxesse o filho para o cornetim, podia dar-se-lhe um jeito...Era dali a seis dias e passámos a ensaiar-nos muitas horas, de manhã ao sol-pôr, com jubiloso menoscabo dos compêndios para nos desempenharmos com honra duma comissão que representava uma vigília de armas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sábado à tarde chegou o Macedo Filho. Era um esbelto moço, bigodinho apenas a sombrear-lhe o lábio, alto, desempenado, cabelo em asa de corvo sobre a têmpora direita. Vestia um fatito de cotim, mas de bom corte ou assim me pareceu, que não prejudicava nada a sua elegância natural. E como era simples e sociável conquistou-nos logo a todos e em volta dele éramos outros que tais mirmidões para com uma pessoa real. Contou-nos os passeios que dava com a banda de Aguiar, em que tanto tocava cornetim, como requinta, trombone de vara, ou saxofone. Arranhava todos os instrumentos como o pai, mas do que mais gostava era de violino. Na vila, uma menina brasileira ouvira-o tocar, e agora era sua discípula e ia dar-lhe lições em casa. Embora de génio cordial e expansivo, que necessidade tinha de no-lo dizer?! Reparei que a voz lhe mudara de tom, velando-se de certa doçura e quebrando-se em reticências, ao mesmo tempo que baixava os olhos. E logo tracei o meu horoscópio: se a menina era realmente o que devia ser, linda, afável e prendada, amava com certeza aquele bonito rapaz, digno herói dum romance abençoado. Ele, por sua vez, se a discípula era a deidade que prometia, devia saber derribar todos os obstáculos até chamar-lhe sua e serem felizes. E, construído o enredo, fiquei tão certo dele como da luz que nos alumia.     O domingo, festa do Pentecoste, ficou para nós data memorável pelo relambório e exaltação. Das três festas da Pena, Espírito Santo, S. Barnabé e Assunção, era aquela primeira por que eu delirava. Naquele ano, houve uma semana de grande solenidade com ladainhas à tarde em que cada um de nós, que tocava metais, fazia vibrar o seu instrumento com altívolo clangor. O largo coalhou-se de barracas de tendeiros e as casuchas, que os padres alugavam às famílias penitentes, regorgitavam de fiéis, como se diria da Estalagem do Perna de Pau numa novela de capa e espada. A cada momento chegavam votos e procissões das desvairadas partes da diocese. Acaso se não celebravam, com a descida da Pomba sobre a cabeça dos Apóstolos, a revinda à terra do sol equinocial e as pompas ressurrectas da Terra?! Tudo eram cantigas nos ares, e nos campos, das aves, dos insectos e das raparigas. A vizinha Sara cantava e recantava a fazer lindos chambres, e na horta, por baixo da camarata, um grilinho arpejava seu arrabil, por ora um arrabil trémulo, com longas síncopes, quase um tanger de ferrinhos por um anjo a cair de sono.    – Vamos, meninos! – veio dizer, obra de meia manhã, o homem saragoçano aos filarmónicos amoravelmente engalfinhados ao Macedo Filho. – A procissão está a formar no Miradouro. Falta só o senhor Abade, e esse não tarda.   Meninos!? – pensaram muitos. – Nós somos alguns meninos? Nós somos músicos. Os músicos que vão ganhar dinheiro. Dobre a língua, amigo de Penude!    Ninguém se permitiu fazer qualquer observação à sem-cerimónia paternal do mordomo encartado. Mas o senhor Macedo, que chegou naquele instante, lhe deu o retruque:   – Vá andando, patrãozinho, que a filarmónica lá vai ter. Todos nós sabemos muito bem qual é a nossa obrigação, sem esquecer a hora.   Dentro de vinte minutos estávamos no Miradouro. Tínhamos descido debaixo de forma ao largo da feira, ordem, à frente homens de pêlo na venta, mulheres barbadas, e raparigas sólidas como granadeiros, ajoujados de rosários de castanhas, que lhes desciam do pescoço aos pés, na cabeça coroas de loureiro e alecrim, flores e palmas ao peito, e um tirso na mão de mimosa florida ou oliveira. E todos marchavam a passo ritmado, com uma gravidade impressionante, certos de cumprir um rito supremo misterioso e propiciador, que lhes comunicava um poder oculto. Tão estranho espectáculo, pelo imprevisto, imponência gloriosa e hermética primitividade, insuflou-nos o mais respeitoso entusiasmo. Luziam ao alto as cruzes antigas com tintinábulos e Cristos de saio entre lanternas, cingidos os vexilários de opa vermelha e roxa, consoante a confraria, e as bandeiras das irmandades com estupendas figuras pulcras ou hediondas, de mãos erguidas a abençoar, ou rabeando no fogo do Purgatório.    Eram duas ou três freguesias, que se haviam agregado para beneficiarem de acompanhamento musical atrás de seus abades, todos gordinhos e de ar afável, no que rendiam as melhores graças a Deus.   A uma pancada do bombo por Flaviano, rompemos com o pase-calle que sabíamos de cor e salteado. O Macedo Filho atirou duas notas de cornetim, claras e vibrantes como duas gaitadas num poldro. E a passo firme, cadenciado posto que moroso, fomos seguindo pálios e cruzes, soprando com denodo e catrapiscando as moças turdetanas, de lanugem no lábio e testa olímpica, arreadas das camândulas de ordem telúrica que eram as panateneias que na forma iam mais perto de nós. Quando a procissão se embrenhou no templo, retirámos tocando ainda uma mazurca que fez atropelar-se à nossa volta o poviléu azabumbado.    Não sei que espórtula cobrou a filarmónica. Competiram-me 200 réis, uma fortuna ao tempo, que derreti em rebuçados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuámos a consagrar à música as tardes de sábado e as manhãs de domingo. Macedo vinha num dia e regressava noutro. Nesses dias, um serão apenas, mal-humorado e sonolento, era para o alius, alia, aliud, os triângulos isósceles e escalenos.   O Colégio estava à cunha e já se disputavam os lugares na banda. O Macedinho idolatrado revezava-se com o pai a ensinar-nos, como dizia o P.e Ireneu, a arte de Euterpe. Por fim, era em geral o filho que dava a lição. Mas não se detinha. Ela terminada, ala. Por ali fora no garranito, nem uma seta. Com ele, muito mais do que com o pai, não cabíamos no grande janelão, que olhava a Sul, a esmurrar os narizes contra a vidraça. Nos dias em que havia festa de igreja, compareciam os dois. O jovem Macedo pegava da flauta e, com o pai ao órgão, interpretava Palestrina. E a nave do templo convertia-se num céu aberto.   Uma quinta-feira, dia santo de guarda, apareceu em burros albardados com colchas brancas e em éguas parideiras, rabo de espanejador, a sociedade de Sarçal de Cima. O comendador Apolónio Dias mandava celebrar no Santuário uma missa a instrumental em acção de graças a Nossa Senhora que se dignara salvar a sua consorte, D. Ausenda da Natividade, duma perniciosa que estivera a mandá-la desta para melhor. O espiritismo do brasileiro estava paredes meias com a macumba e a eucaristia. De modo que não era de estranhar de sua parte um voto ao Deus dogmático. Não tinha semelhante rabugem vingado no toro vassoirudo do castanheiro cristão?    Na comitiva brilhavam, sem falar em minha santa mãezinha, a tia Maurícia e a velha ama Isabel do Rosário, o bom do P.e Xavier que foi o celebrante, cada vez melhor escopeta de perdizes e incorrigível batoteiro ao monte, mestre nos saltos a pataco e micos a tostão em casa do Sancho Guedes, os dois Barreiros, o Ceroula-Curta, a professora e o marido, o senhor Santos. Para esse dia auspicioso, a nossa banda, como se abordasse matéria nova, ensaiou-se e tornou-se a ensaiar. O Macedinho filho, para o oficlide, estanciava havia três dias no Colégio. P.e Xavier e Macedo tinham sido contemporâneos em Pinhel, discípulos do reverendo Uriote, aquele célebre padre-mestre que acendia tão bem lume friccionando dois pauzinhos, como batucando com os nós dos dedos nas cabeças de pederneira dos alunos. Foi ao padre que, ao evocar os bons tempos, ouvi a história dos dois canzarrões da serra da Estrela que, na estalagem da Hespanhola, varriam, lambiam e lavavam com língua minuciosa e rápida por detrás da porta, na copa, os pratos que tinham servido a uns hóspedes para em continente servirem a outros.   Foi numa quinta-feira, depois da semana da Pascoela, que o Sarçal veio em peso até o Santuário da Pena. Os padres do Colégio, que aparavam as unhas rentes, ofereceram achas e fogão para aquentar aqueles dos pitéus que desmereceriam saboreados fora do seu ser térmico. Além disso, puseram-lhes à disposição o refeitório, depois de convidado o P.e Ireneu para presidir, e ainda, por direito próprio, o P.e Sulpício, nosso prefeito, que era vizinho e contubernal do comendador.   Pois o melhor da festa foi este ágape em que se imolaram óptimos petiscos cozinhados na Roborosa, onde sobrevivia dos gerais nas Bernardas a tradição da velha culinária, e muita doçaria de Salgueirinho, que guardara paralela pragmática conventual, com receitas de se lhes lamber o beiço. E então de vinho não se fala, que até o senhor Guedes mandou meia dúzia de garrafas do Gerifalto, cógueda arisco e buliçoso, que fazia, deitado no copo, uma chilreada de melros.   O gosto de minha mãe seria ter-me no regaço, se eu já não fosse tão grandinho e tais mimos celestes ao tempo para mim não equivalessem a enfados. Mas eu já perdera aquele frígido retraimento que a Isabel do Rosário chamava desapego e não era mais que a chocada estranheza da transplantação dum mundo espontâneo de liberdade e discrime para aquele regime de férula e culto artificial da pessoa, como empa recurva sobre a espaldeira da latada. A visita de minha mãe começava a ser-me agradável pelo facto mesmo da reacção que se ia operando em mim das boas forças instintivas contra as entorses eclesiástico-escolares. Tinha-se assentado ao fundo da mesa com a irmã e a boa serva, enquanto na cabeceira trocavam brindes afectuosos o P.e Xavier, já um pouco derramado, o P.e Ireneu, e mestre Macedo.   O Macedinho, a certa altura, desertou, e pelo sorriso baboso do velho mestre e uma voz lisonjeiramente indiscreta do P.e Sulpício percebi que todo o tempo que estivesse apartado da discípula, a brasileira, lhe eram séculos. E eu quase odiei a sinhazinha melodiosa que nos roubava a presença do amigo.   Estava-se nos papos-de-anjo, regados a vinho do Ceroula-Curta, digno da galheta dum cardeal, disse o P.e Xavier:   – Ó Macedo, tu havias de me fazer uma missa cantada, aí para umas cinco vozes ou mesmo mais, que depois eu ensaiaria nas horas vagas com os colegas. Não sei se te lembras, eu tinha e tenho uma voz nada despicienda de barítono...   – Voz de estentor – respondeu o maestro. – Não havia como tu para cantar o Alma de Dios. Quando se juntava a ti o Taborda, que era outro portento mas em falsete, acordavam os mortos no cemitério.   Desataram todos a rir. P.e Xavier volveu a certa altura:   – Então és capaz de me fazer essa missa? Tu tinhas bossa...   – É coisa demorada, amigo. Demorada e nem sempre vem a inspiração...   – Ora, ora! Para ti, fazer música é o mesmo que eu rezar os responsos...   – Ou matar meia dúzia de perdizes – interpôs o P. e Sulpício.    – Está enganado, colega! – replicou o P.e Xavier. – Matar uma perdiz exige mais conhecimentos que traduzir uma fábula de Fedro.    Pequena risada, insuficientemente aplauditiva.   – Pois, sim, sim – proferiu Macedo, é provável que desvanecido com a facúndia que lhe atribuíam. – E quem ganha o pão para minha casa? Não sabes que tenho de acompanhar a banda por festas e romarias?!   – Maganão, dizem para aí que o teu rapaz vai casar com a filha do Nepomuceno, brasileiro, herdeira da maior fortuna do concelho…   Macedo sorriu e no seu sorriso blandífluo, a descair no balofo, perpassou, mais que a perspectiva fagueira, a vaidade ou ternura paterna:   – Não sei. Já o ouvi. O meu filho não me diz nada...   – Pois é tudo cheio...   – Será. Ele é que lhe vai dar lições de violino. Ou melhor, deu. Há coisa de duas semanas o senhor Nepomuceno despediu-o. – E acrescentou, vendo-se bem que esta indiscrição era obra do seu temperamento benigno, sem segundos planos, e devida um pouco aos fumos do genuíno Gerifalto: – Constou-me que o pai faz guerra de morte ao casamento, mas a menina chora e bate o punho. Persuado-me que levará a melhor. Quando as mulheres querem…   O P.e Barros era amigo particular do Nepomuceno e teve um aparte que gelou o sorriso nos lábios de Macedo:   – Bem vê, senhor Macedo, o pai não a quer dar a um rapaz, que pode ser muito prendado, mas não tem onde cair morto. Sob este aspecto, devemos concordar que tem a sua razão.   Calaram-se todos e o velho em voz triste e abafada murmurou:   – Meu filho é uma jóia de moço. A menina poderá ser uma santa, uma beleza e valer um condado. Não arranja melhor esposo. Sim, fortuna pede fortuna. O meu filho é pobre, mas é um artista de cara... Todo o instrumento ao fim de certo tempo se lhe torna familiar. Sobretudo é compositor. Só queria que conhecessem as pastorais que para lá tem...Decorreu mole e larvar um grande silêncio, e P.e Xavier, pegando do copo, em que um velho vinho do Porto, trespassado pela lançada crua da luz, derramava um brilho ofuscante de topázio, proferiu:   – Vamos a beber!   P.e Xavier ergueu o cálice à saúde da senhora de Apolónio Dias, que não comparecera, pelo melindre que havia a observar com a sua convalescença, posto que em bom caminho, louvores a Nosso Senhor, que tudo pode e manda. E, muito derretido e pingueiro, o comendador rompeu aos soluços como se por retrospecção agoirenta a visse no ataúde.   Chocaram-se os cálices e breve as lágrimas de Apolónio se vidraram com os esmaltes cor-de-rosa do sorriso. E P.e Sulpício deitou mais uma rodada. Reiterou P.e Xavier:   – Posso contar com a missa?   – Talvez... Sabes, requer estudo... É também uma questão de oportunidade... e de vagar...    Gostaria de fazer-te papa fina...   – Pois, para missa pataqueira, basta-nos esta, do tempo da Maria Castanha. O ano que vem, temos o prelado de visita pastoral pelas freguesias da diocese. Gostava de apresentar-lhe coisa rija... que galvanizasse os devotos.   – Está bem. Vou tentar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Meses depois, pelas férias da Páscoa, na véspera de regressar à Pena, P.e Xavier chamou- -me a casa e disse-me:   – O Alexandre faz-me um favor? Leva-me este pão-de-ló ao Macedo, o mestre de música...? Queria mandar-lhe umas perdizes, mas tenho andado com uma macaca, que até parece feitiço. Ontem saltou-me um bando, e não deitei uma abaixo. Deve ser das pólvoras que andam falsificadas…   – Levo-lhe o que quiser.   – O homem sempre me mandou a missa. Olhe, anda para ali – e mostrava-me um grande rolo, meio descarapuçado, donde emergiam as notas bem erectas e traçadas a primor nas linhas paralelas da pauta musical. – Chamei cá o Lucas dos Alhais... Não sei se o Alexandre sabe que é o melhor canário que há de Viseu para cima em cantorias de igreja. Dei-a também a ler, em Lamego, ao chefe da orquestra do Seminário. Ninguém lhe meteu dente. Ao fim de muito trabalho, este lá conseguiu solfejar um bocado do hosana. É uma coisa estapafúrdia de todo. O Macedo estava doido quando a compôs. E realmente, segundo me contaram, andava fora de si, empolado de todo. Compreende-se: o filho tinha armado a aboiz à filha do brasileiro, e por pouco lhe escapou. Olé! Foram atrás deles a tempo – a tempo, eu sei lá! – e engavetaram o raptor. Hoje o pai é o mesmo mísero que vive do ofício, por sinal magro nestas terras. Quanto lhe dará o Colégio? Nunca além dos seus dez mil réis por mês, imagino eu. E amarga-os, diga-se a verdade. O filho trazia a pequena do Nepomuceno presa pelo beiço. Mas pelo que ouvi ao meu colega de Aguiar, o P.e Secundino dos Anjos, que foi um dos que se meteram a morigerar a menina e a dissuadi-la de tão tolo fatacaz, vê-a por um óculo. Por modos apareceu um bacharel dos lados de Viseu de boa família, todo pinoca e bonitote, e é ele que há-de acabar por levantar a vaza. Sim, senhor. A missa foi por lá feita no período de euforia, quando o velho Macedo tinha o casamento do filho por favas contadas. Aquele hosana, de facto, parecia cem aldeias pobres a berrar à sorte grande que lhes caísse do céu ou então uma malhada depois de debulhar uma jeira farta. Quer que lhe diga? O maestro de Lamego abundou neste juízo mutatis mutandis:– Sim, sim, ponha lá que são os vindimeiros no lagar, meio bêbados, ao envasilharem o mosto... Não faz sentido! Com coisas sérias não se brinca. Só queria que o menino Alexandre ouvisse! Não serve... é uma maluqueira pegada! Leva-me o pão-de-ló ao pobre diabo?   – E se não vem tão cedo à Pena?   – O pão-de-ló espera uns dias, que se não estraga. Aqui para nós, com alguma coisa o havia de recompensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois do meu regresso à Pena, aconteceu vir dar lição de música aos colegiais o velho mestre. Se desprevenidamente o houvesse encontrado num caminho não o teria reconhecido. A pele do rosto, escalada sobre a armadura óssea, revestia-se de tons mortuários, agora duma perfeita lividez à Ribera. Os olhos não lhe derramavam luz. Dei-lhe o pão-de-ló e de princípio não atinou. Quando acentuei o recado, olhou para mim muito fito, e soltou uma casquinada de riso tão cava e sarcástica que me gelou. Quase me senti ofendido. Que queria aquilo significar? Não era mesmo desfazer do obséquio do excelente P.e Xavier, batedor de lebres, batoteiro ao monte, e boa goela a beber e cantar os latins?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Desapareceu de Aguiar o Macedinho filho. Para onde foi e não foi, morreu, matou-se, na vila e termo nunca se conseguiu apurar.   O velho continuou a dar-nos lições de música e a reger a banda da terra por festas e arraiais, onde a rogavam a troco dum ratinhado salário. Nunca mais sorriu. Parecia, como nunca, fundido em bronze, a pele escura cada vez mais esticada sobre os malares e encarquilhada nas capelas dos olhos. Ao imediato conspecto, dava mesmo a impressão de defunto que se erguesse da campa. Derreado da coluna, cavavam-se-lhe na face fundas regueiras, dir-se-iam saguão das lágrimas. Passou a interessar-nos muito menos. Nós deixámos de amolgar as ventas contra a vidraça à espreita do seu vulto no caminho velho de Aguiar, entre o Miradouro e o pinheiro manso, lá onde o P.e Sulpício tinha riscado que nascia o Longa. Automaticamente nos ministrava o ensino e se dirigia a nós. E nós ouvíamo-lo tão automaticamente como recitávamos na aula de catequese: Os novíssimos do homem são três, mundo, diabo e carne. Não se tornara odioso, mas enfadonho. O mecânico das suas lições acabara por imprimir à própria música sonolência e não sei que espírito libertino da desafinação.   Um sábado faltou. Orientou o ensaio o P.e Barros. Percebia tanto de harmonia como de francês, de que se tomara professor encartado. Mas era um dos que tinham a vara. De resto, a banda agora seguia por si, com umas ventosas do P.e Sulpício. Iam-se uns executantes, surgiam outros na sua esteira, e lá avançavam a ritmo inquebrantado. Os veteranos instruíam os pexotes.   Noutro sábado o P.e Barros descaiu em esvaziar o saco das novidades. O velho Macedo enlouquecera. Estava liru de todo. Altas horas, Aguiar acordava a estrondosas volatas musicais. Era ele que subira para o coreto, com o seu cornetim, onde arrastava o compadre, que lhe permanecia fiel, primeira requinta, e tocavam ambos para a Lua, a noite, os ecos adormecidos, até amanhecer. E a voz altanada dos instrumentos parecia repetir a pergunta que a cada passo fazia, em casa e pelos caminhos, a Deus, que, segundo ele, assistia frio e conformado a todas as turpitudes e necedades dos homens:    – Que fizeste do meu filho?   O bacharel felizardo casara e entrara nas graças da menina. Era um par ditoso, e grato o comendador aos amigos, às boas almas, aos padres Barros e Secundino, que haviam contribuído para que a sua herdeira não caísse no precipício, que o mesmo eram as garras de um gajinho que, lá por possuir talento para a música e ser bem-parecido, não deixava de ser um borra-botas, senhor das nuvens e da sombra das paredes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Um dia veio à Quinta do Gerifalto, a convite do Ceroula-Curta, um músico de nomeada. Era simultaneamente um curioso, investigador de velharias e bugiarias douradas. Foram a Sarçal, à quinta do Sancho Guedes, que ele espiolhou de cima a fundo, depois à igreja, donde lhe aconteceu ir dar ao presbitério.   – Que é aquilo ? – perguntou para o bom P.e Xavier face a uma vasta copeira a abarrotar de coisas e loisas.   Aquilo era, além dos apetrechos de caçador, polvorinho, chumbeira, cargas de chifre, invólucros de pólvora, sobretudo a papelada que ali se acumulava da freguesia numa ressaca de muitos anos, sermonários rotos, manuscritos, contas de pé-de-altar, breviários, ordenações da diocese, hinários antigos sem rosto, trinta por uma linha de um levita concomitantemente escopeteiro dos montes e cultivador de duas grades de terra.   – E isto ? – e levantou a mão para uma folha de música.   – É quanto resta duma missa cantada, feita por um doido. O resto foi-se em buchas para a espingarda.   O visitante cravou os olhos na pauta e mentalmente pôs-se a lê-la. Era o Hosana.   Depois de lê-la uma vez, releu-a, e por entre dentes se pôs a trauteá-la. E quantos ali estavam viram que, pouco a pouco, o maior exaltamento o empolgava e arrebatava para fora de si   – Mas é genial o que aqui está! – exclamou ele. – Quem é o autor? Onde está o resto, senhor Abade?   P.e Xavier referiu, desdenhando, quem era o autor. Só restava aquela página. Prestava? Não estava a mangar? Pois ninguém lhe dera importância, mas ninguém.  – Este hosana é estupendo! – tornou o musicólogo.   – É Wagner, mas do bom, o que aqui está. Que crime o senhor praticou, padre! Este fragmento é assombroso. As vozes vão num crescendo da mais original e maravilhosa polifonia e parece que tudo estremece e delira: as almas, os corpos, o céu e a terra. Os anjos saem de seu êxtase e cantam e dançam com os homens e os elementos. Morreu o autor? Que me diz? Morreu doido e foi sempre um pobre de Cristo!? Só assim se compreende. Oh, que pena não ter podido esse homem realizar-se, ter materializado, ou melhor dado asas a seus sonhos, que eram admiráveis! Como se chamava ele?   – Macedo.   – Só?   – Não me lembro do resto do nome.   – Macedo, Macedo anónimo, Macedo heróico, Macedo santo! – rompeu num estampatório, meio desvaire, meio romantismo, próprio dos seres, como sejam os poetas e músicos, que andam em desequilíbrio acima das coisas vulgares do mundo, estampatório que emparveceu o padre e seus familiares: – Ajoelho perante a tua alma errabunda e maldita! Mais uma que se afogou no pantanal! Vou erguer-te uma ara entre os ídolos e demiurgos que venero e que imploro nas horas de silêncio e dúvida! Ignorado artista, salve!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Aquilino Ribeiro&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-64247516427943258?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/64247516427943258/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=64247516427943258&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/64247516427943258'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/64247516427943258'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/o-pao-de-l.html' title='O pao de ló'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/Rd2218aeyPI/AAAAAAAAACE/1REnO6e-VZ0/s72-c/h.bayer' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-212725341326015311</id><published>2007-02-19T14:25:00.000+01:00</published><updated>2007-02-19T14:27:41.792+01:00</updated><title type='text'>assimetrias</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdmlfMaeyOI/AAAAAAAAAB4/qd1mwH5dE1Y/s1600-h/pinguins"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5033236013890062562" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdmlfMaeyOI/AAAAAAAAAB4/qd1mwH5dE1Y/s400/pinguins" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-212725341326015311?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/212725341326015311/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=212725341326015311&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/212725341326015311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/212725341326015311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/assimetrias.html' title='assimetrias'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdmlfMaeyOI/AAAAAAAAAB4/qd1mwH5dE1Y/s72-c/pinguins' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-87051189114306860</id><published>2007-02-15T11:55:00.000+01:00</published><updated>2007-02-15T11:56:48.204+01:00</updated><title type='text'>Hamburg's portuguese cemetery's</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQ8U8aeyLI/AAAAAAAAABc/PE22-Fz7AJ8/s1600-h/Img003.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031713014191933618" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQ8U8aeyLI/AAAAAAAAABc/PE22-Fz7AJ8/s400/Img003.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;The Jewish cemetery in KönigStrasse in Hamburg is not only the oldest Jewish cemetery in Hamburg, it counts as one of the most prominent cultural monuments in Hamburg and Northern Germany because of the exceptional decoration on the gravestones and beautifully fashioned epitaphs in Hebrew and Portuguese which bear witness to the extraordinary craftsmanship of the stonemasons who made them. It seems appropriate therefore to have this cemetery at last included in the UNESCO list ‹Cultural Heritage›. The application to UNESCO was given the necessary emphasis in a letter to the mayor of the City of Hamburg and the Presidents of Germany and Portugal.&lt;br /&gt;There have been frequent demands that both the Ashkenazic and Sefardic parts of this remarkable cemetery should be the subject of scientific research. While the (larger) Ashkenazic part has still not found the interest it deserves, historians, linguists, art experts and genealogists have been fascinated by Hamburg's Portuguese cemetery for almost a century and have published important studies or written valuable manuscripts. These studies however only dealt with a few aspects of the cemetery and for a long time comprehensive research seemed impossible due to lack of funds. During recent years, however, the situation has changed and detailed study of this important Jewish cemetery can now begin next year.&lt;br /&gt;The conditions for thorough scientific research into the cemetery are extraordinarily good: Many important documents have been preserved in the Hamburg state archives, the Institute for the History of German Jewry, the Department for the Protection of Historical Monuments and the private Halévy archives. These include books of records, registers of births and deaths, a list of Ketubbot, genealogical charts etc. Furthermore, there are thousands of photographs taken during the war(!) which today are an invaluable source of information in view of the destruction of many of the gravestones. In the early nineties the Department for the Protection of Historical Monuments commissioned the restoration of numerous gravestones. The photographs taken during this work also constitute a unique source for later study. In 1998 I discovered in the archives of the Jewish Community in Hamburg more than a thousand record cards with photographs of the Ashkenazic part of the cemetery which were taken shortly after the Second Word War. Hopefully more of these unique documents will reappear in time.&lt;br /&gt;Since I began my work on the cemetery, by the Hamburg Institute for the History of German Jewry the following studies have been published or will soon be completed:&lt;br /&gt;(1) Since 1994 a comprehensive Biographical Lexicon of Hamburg Sephardim compiled Hamburg Institute for the History of German Jewry. In this lexicon which includes only the Portuguese Jews buried in the Königstrasse cemetery between 1611 and 1877, the life stories of approx. 2,600. In addition to the dates of birth and death and other relevant facts of family history, all non-Hebrew have been included and printed with a German translation. Further there are about 850 Hebrew with their German translation. There is supplementary information about the type of stone used, the topographical position and a detailed description of all artistically relevant features. This combined biographical - epigraphically - art history lexicon will be published in summer 1999.&lt;br /&gt;2. The second volume of the scientific book series is The Sephardim in Hamburg. The History of a Minority edited by myself, deals largely with the cemetery in Königstrasse. A further volume to be published in two years time is devoted exclusively to Sefardic gravestone art.&lt;br /&gt;3. In a number of essays I have written about the epitaphs - epigraphic material in the Portuguese cemeteries in Hamburg and Gluckstadt. These epitaphs contain a wealth of genealogical information with which gaps in family histories can be closed. The next two volumes in the series ‹The Sephardim in Hamburg› will investigate the Portuguese communities in Altona and Glückstadt and on sefardic sepulchral art. In two years the book ‹The Jewish Cemetery in Glückstadt› will be published on which the historian Kay Blohm, the photographer Jürgen Faust and Michael Halévy are currently working.&lt;br /&gt;4. In co-operation with photographer Jürgen Faust, who has been taking photographs of the cemetery for two years, the book ‹Betahaim› Sefardic graves in Schleswig-Holsteinî. The text is richly illustrated with over a hundred photographs of the artistry of grave masons in the Portuguese cemeteries in Königstrasse and Glückstadt. The photographs printed in this book are part of an exhibition of photographs, which were shown in autumn 1997 in the Jewish Museum in Rendsburg and in spring 1998 in the Jewish University in Hamburg. In autumn 1998 the exhibition will go to Münster and later to Israel and Portugal.&lt;br /&gt;5. For an essay I compiled and studied the aspects of the images and on the Portuguese graves in Hamburg.&lt;br /&gt;6. During the last years these unique graves have unfortunately fallen into a considerable degree of decay and quite a few have been severely damaged by vandalism. Now we have succeeded in co-operation with the authorities in Hamburg, the Jewish Community, the Department for the Protection of Historical Monuments, the Association of Former Hamburg Citizens in Israel and some, in putting together the necessary funds to finance studies of the Jewish cemetery in Königstrasse and also to undertake necessary restoration procedures. There are also plans to make casts of the graves of important and graves, which are of particular artistic value. Professor Michael Brocke of the University of Duisburg and the Salomon Steinheim Institute in Duisburg has been asked to make a scientific study of the cemetery. Professor Brocke, who is one of the most renowned researchers of Jewish cemeteries and Jewish epigraphs, will probably commence this study with his co-workers next summer.&lt;br /&gt;7. Together with Michael Brocke and Gaby Zürn I have been asked by the Hamburg Historical Monuments to publish an illustrated guide to the cemetery. This guide will include both the Ashkenazic and Sefardic parts of the cemetery and will give an introduction to the history of the Jewish communities in Hamburg, of the cemetery itself, of Jewish law funeral as well as a map of the cemetery showing the position of certain important graves. This book will be published in autumn 1999.&lt;br /&gt;8. In the next few years we are planning in co-operation with the Moses Mendelssohn Academy (Halberstadt) and the Warburg Library (Hamburg) to hold three colloquiums on : (a) Jewish sepulchral art (b) The Sephardim in the Shoa (c) Sefardic genealogy.&lt;br /&gt;After completion of this work we will hopefully know more about the Portuguese Jews who lived in Hamburg, their connections to other centres of the Marrano Diaspora such as Amsterdam, London, Venice, Curacao, Jamaica and Barbados. So far no such detailed studies have been made of any of these cities or regions and it is to be hoped that Amsterdam will follow our example and publish the long awaited lexicon of the grave epitaphs inscriptions of Ouderkerk in the next few years. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-87051189114306860?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/87051189114306860/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=87051189114306860&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/87051189114306860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/87051189114306860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/hamburgs-portuguese-cemeterys.html' title='Hamburg&apos;s portuguese cemetery&apos;s'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQ8U8aeyLI/AAAAAAAAABc/PE22-Fz7AJ8/s72-c/Img003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-9180584905471325763</id><published>2007-02-15T11:49:00.000+01:00</published><updated>2007-02-15T11:50:37.817+01:00</updated><title type='text'>A corga dos cardos</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQ6x8aeyKI/AAAAAAAAABQ/dsW1DIugflM/s1600-h/Img035.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031711313384884386" style="CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQ6x8aeyKI/AAAAAAAAABQ/dsW1DIugflM/s400/Img035.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Esta terra com pedra na serra nao há-de secar !!!&lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Zé da Neta&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-9180584905471325763?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/9180584905471325763/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=9180584905471325763&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/9180584905471325763'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/9180584905471325763'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/corga-dos-cardos.html' title='A corga dos cardos'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQ6x8aeyKI/AAAAAAAAABQ/dsW1DIugflM/s72-c/Img035.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-5321060648389817741</id><published>2007-02-15T10:55:00.000+01:00</published><updated>2007-02-15T10:59:04.987+01:00</updated><title type='text'>femme fatale</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQuM8aeyII/AAAAAAAAAA8/biLVo9vZ6k0/s1600-h/Img4947_Papessa.jpeg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031697483590191234" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQuM8aeyII/AAAAAAAAAA8/biLVo9vZ6k0/s320/Img4947_Papessa.jpeg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um bom dia .&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Zé da Neta&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-5321060648389817741?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/5321060648389817741/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=5321060648389817741&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/5321060648389817741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/5321060648389817741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/femme-fatale.html' title='femme fatale'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQuM8aeyII/AAAAAAAAAA8/biLVo9vZ6k0/s72-c/Img4947_Papessa.jpeg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-8790900828667266890</id><published>2007-02-15T10:37:00.000+01:00</published><updated>2007-02-15T10:52:43.195+01:00</updated><title type='text'>Pig's cá da terra</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQqFsaeyHI/AAAAAAAAAAw/MNxK9cF822M/s1600-h/pig"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031692960989628530" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQqFsaeyHI/AAAAAAAAAAw/MNxK9cF822M/s320/pig" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este é o ar de satisfaçao que os porcos cá da terra continuam a ostentar. Por muito que tentemos nao há melhor vida que a de porco . Por onde passam nada lhes resiste. Ainda por cima sao engordados à custa dos orçamentos familiares de muitas famílias. E o pior é que a matança ainda vem longe... ainda vao conseguir que escaldem as galinhas e perús e esfolem os cabritos primeiro. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cá na quinta anda tudo do avesso. Até os caes tem que ir comer os restos dos porcos , que, como se sabe, nao dá para grande coisa. Parece que agora querem instalar hiperpocilgas em todas as capitais de distrito. Onde é que já se viu tamanha mania das grandezas. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A bolota é só para porco de vara superior. Os porcos de 1ª e 2ª têm que se contentar com farelo e restos de familias suburbanas. Os porcos por este andar ainda começam a fazer jogging matinal. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-8790900828667266890?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/8790900828667266890/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=8790900828667266890&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/8790900828667266890'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/8790900828667266890'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/pigs-c-da-terra.html' title='Pig&apos;s cá da terra'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdQqFsaeyHI/AAAAAAAAAAw/MNxK9cF822M/s72-c/pig' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-584935001275810780</id><published>2007-02-14T16:34:00.000+01:00</published><updated>2007-02-14T16:39:38.700+01:00</updated><title type='text'>Viva o Benfica</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdMsf8aeyGI/AAAAAAAAAAk/e1pUnl0Dd4w/s1600-h/benficacueca.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031414136007739490" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdMsf8aeyGI/AAAAAAAAAAk/e1pUnl0Dd4w/s320/benficacueca.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Exige-se que hoje o glorioso reponha a moral e ganhe o balanço necessário para ganharmos o título de campeoes nacionais 2006 / 2007. Temos a melhor equipa da Liga !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos ver se o treinador nao inventa muito porque de vez em quando parece que anda a dormir. É preciso ter cuidado com os romenos que nao sao nenhuns anjinhos. Vamos apoiar os nosso meninos ! Viva O Benfica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-584935001275810780?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/584935001275810780/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=584935001275810780&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/584935001275810780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/584935001275810780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/viva-o-benfica.html' title='Viva o Benfica'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdMsf8aeyGI/AAAAAAAAAAk/e1pUnl0Dd4w/s72-c/benficacueca.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-7055542386540427139</id><published>2007-02-14T16:26:00.000+01:00</published><updated>2007-02-14T16:29:47.295+01:00</updated><title type='text'>Sao Valentim</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdMqucaeyFI/AAAAAAAAAAY/G5FPyNBthOw/s1600-h/erotic"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5031412186092587090" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdMqucaeyFI/AAAAAAAAAAY/G5FPyNBthOw/s320/erotic" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Feliz dia dos Namorados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-7055542386540427139?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/7055542386540427139/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=7055542386540427139&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/7055542386540427139'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/7055542386540427139'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/02/sao-valentim.html' title='Sao Valentim'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_Lnu2-VPfG98/RdMqucaeyFI/AAAAAAAAAAY/G5FPyNBthOw/s72-c/erotic' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116894627570600982</id><published>2007-01-16T12:17:00.000+01:00</published><updated>2007-01-16T12:21:51.896+01:00</updated><title type='text'>Find your puppy ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/cootie.jpeg.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/cootie.jpeg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;These dogs are small in stature but wide and compact with thick, massive heads.  The muzzle is short and pug.  The coat comes in many colors, including fawn, white, black &amp; brindle.  Black is undesirable in the show ring but not a disqualification and is recognized by the AKC.  Because the stocky legs are set squarely at each corner of the compact, muscular body, the Bulldog's deliberate gate has become a waddle.  They are good family dogs, known for  their courage and their excellent guarding abilities.  A lot of human attention is needed for Bulldog happiness.  These dogs need little exercise or grooming except for the face which should be wiped daily in the face folds with a damp cloth.  They weigh 53 to 55 lbs. and stand 12-16" at the shoulders.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116894627570600982?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116894627570600982/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116894627570600982&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116894627570600982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116894627570600982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/01/find-your-puppy.html' title='Find your puppy ...'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116894201305891597</id><published>2007-01-16T11:06:00.000+01:00</published><updated>2007-01-16T11:10:38.783+01:00</updated><title type='text'>Bukowski</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/art_02.jpeg.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/art_02.jpeg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;En el barrio de mis andanzas infantiles/juveniles, en la jerga estar fuera de circulación era estar en prisión (encanao) o haber muerto. Charles Bukowski murió, pero poco antes pergeñó unas páginas que conformarían un libro póstumo: El capitán salió a comer y los marineros tomaron el barco.&lt;br /&gt;Bukowski pertenecía al submundo citadino y como es lógico todo su trabajo literario está impregnado de fuertes olores, prostitutas, chulos, borrachos, malvivientes, sobrevivientes y mujeres hermosas algo desequilibradas. En lo particular, más que las tramas de sus novelas, o esos fritos personajes que pululaban en sus cuentos, me cautivaban los títulos. Tenía un pulso especial para titular sus libros. Así tenemos La máquina de tirar, Cartero, Escritos de un viejo indecente, Cuentos de la locura corriente.&lt;br /&gt;Escritor maldito. Genio a su modo. Peleador callejero. Empleado en algunos oficios como cartero o limpiabotas. Escribir no fue una manera de alejarse del suburbio, sino una forma fría y sin remilgos de realizar un retrato de ese universo que sabía de memoria y que él escribió como era lógico totalmente ebrio.&lt;br /&gt;En El capitán salió a comer... se presenta como un escritor con ordenador. Los excesos y la vejez han hecho sus estragos respectivos. Aquietado y menos febril que antaño ahora vive de los derechos de autor de sus libros traducidos a varios idiomas. El libro pasa revista a su vida cotidiana con cierto tinte idílico. Mucho escenario doméstico para mi gusto. No obstante sigue escribiendo con desengañada ferocidad: “Es probable que haya escrito más y mejor durante los 2 últimos que en ninguna otra época de mi vida. Es como si después de 5 décadas de hacerlo me hubiera adecuado más a hacerlo de verdad!”. “Hoy me han llegado las pruebas del nuevo libro. Poesía. Martín dice que serían unas 350 páginas”. “Bueno, mi 71r año ha sido un año terriblemente productivo. Es probable que haya escrito más palabras este año que en cualquier otro de mi vida”.&lt;br /&gt;Aparte de escribir se dedicaba a visitar el hipódromo como buen ludópata. La lectura de este breve libro nos enfrenta con el Bukowski reflexivo, con el escritor entretejido de crepúsculo, pero no del todo acabado aunque si algo fuera de foco y mortalmente cotidiano.&lt;br /&gt;Lo que me reconcilia con Bukowski es que es un sobreviviente del alcohol, las peleas que protagonizó en bituminosos tugurios, de su vida llena de sexo, poesía y asco. No le gustaba Tolstoi. Como a mí no terminan de gustarme del todo sus libros. Es que siempre me pareció un Henry Miller desencuadernado. Este libro resume en parte su pelea en contra de la existencia o como él lo escribe: “El capitán ha salido a comer y los marineros tomaron el barco. ¿Por qué hay tan poca gente interesante?... Parece como si su único acto posible fuera la violencia. Eso se les da muy bien. Les hace florecer de vida. Flores de mierda, apestando nuestras posibilidades”.&lt;br /&gt;Luego que el viejo indecente dejó el suburbio va apareciendo nuevos nombres en la narrativa norteamericana como Jonathan Safran Foer, Dave Eggers, Jhumpa Lahiri, Chuck Palahniuky sólo nombro a unos escritores que darán que hablar. De Palahniuk he leído un cuento titulado “Tripas” que tiene algo de bizarro, que tiene mucho de esos cuentos de Bukowski donde lo asqueroso se da la mano con el estilo tembloroso de dipsómano. El final de su cuento “Escritores” podría servir ahora: “Chicas, contestaría él si pudiese, esto es la frase simple, sin confusiones, el diálogo realista. Ésta es la forma en que debe hacerse. Y sólo podréis besar mi fea cara con los dientes amarillos en vuestros sueños. Yo ya estoy comprometido. Follawski sacó la última página de la máquina, la unió con un clip a las otras y luego buscó un sobre de papel manila. Ésa era la parte más pesada del trabajo de ser escritor: meter lo escrito en el sobre, poner la dirección, pegar el sello y enviarlo, después, por correo. Y normalmente le llevaba un par de copas de vino rematar una de las formas más bonitas que se han inventado para pasar la noche. Se sirvió la primera”. Decir salud es un topicazo del coño.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116894201305891597?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116894201305891597/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116894201305891597&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116894201305891597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116894201305891597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/01/bukowski.html' title='Bukowski'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116843096243658043</id><published>2007-01-10T13:09:00.000+01:00</published><updated>2007-01-10T17:08:37.570+01:00</updated><title type='text'>República socialista da Venezuela</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/chavez.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/chavez.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Chavez anda a fumar habanos "marados" que a secreta cubana lhe enviou em nome do Fidel. É a única explicaçao para tanto dislate ainda o ano está de fraldas. Os tugas que ainda nao passaram o dinheiro para Miami que se cuidem! O rapaz está louco com os vapores vindos de Cuba. Provavelmente é mais um caso de espionagem, só que desta vez o veneno é biológico e nao de laboratório. No entanto , o efeito pode ser pior, caso a CIA nao lhe administre umas "pastilhas para a tosse", as dificuldades respiratórias podem alastrar à Bolivia, à Nicarágua  e eventualmente à Argentina. Como o único antídoto conhecido está na posse dos Castros há várias décadas,  é caso para dizer. E esta, hem !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116843096243658043?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116843096243658043/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116843096243658043&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116843096243658043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116843096243658043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/01/repblica-socialista-da-venezuela.html' title='República socialista da Venezuela'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116842320126635594</id><published>2007-01-10T11:00:00.000+01:00</published><updated>2007-01-10T11:10:21.740+01:00</updated><title type='text'>Mais um ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Murphy%20656.1987.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Murphy%20656.1987.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Água tenra que corre debaixo da ponte,&lt;br /&gt;Albatroz planando no rasto da traineira,&lt;br /&gt;Perdizes inocentes escudando-se nas estevas primaveris,&lt;br /&gt;Seio gretado que amamenta a cria,&lt;br /&gt;Sexo rasgado que se recolhe entumecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116842320126635594?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116842320126635594/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116842320126635594&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116842320126635594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116842320126635594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/01/mais-um.html' title='Mais um ...'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116841955974383964</id><published>2007-01-10T09:59:00.000+01:00</published><updated>2007-01-10T10:51:12.733+01:00</updated><title type='text'>Escriva de Balaguer</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/balaguer.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/balaguer.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;St. Josemaria Escriva de Balaguer was born in Barbastro, Spain, on January 9, 1902, the second of six children of Jose and Dolores Escriva. Growing up in a devout family and attending Catholic schools, he learned the basic truths of the faith and practices such as frequent confession and communion, the rosary, and almsgiving. The death of three younger sisters, and his father's bankruptcy after business reverses, taught him the meaning of suffering and brought maturity to his outgoing and cheerful temperament. In 1915, the family moved to Logrono, where his father had found new employment.Beginning in 1918, Josemaria sensed that God was asking something of him, although he didn't know exactly what it was. He decided to become a priest, in order to be available for whatever God wanted of him. He began studying for the priesthood, first in Logrono and later in Saragossa. At his father's suggestion and with the permission of his superiors at the seminary he also began to study civil law. He was ordained a priest and began his pastoral ministry in 1925.In 1927, Fr. Josemaria moved to Madrid to study for a graduate degree in law. He was accompanied by his mother, sister, and brother, as his father had died in 1924 and he was now head of the family. They were not well-off, and he had to tutor law students to support them. At the same time he carried out a demanding pastoral work, especially among the poor and sick in Madrid, and with young children. He also undertook an apostolate with manual workers, professional people and university students who, by coming into contact with the poor and sick to whom Fr. Josemaria was ministering, learned the practical meaning of charity and their Christian responsibility to help out in the betterment of society.On October 2, 1928, while making a retreat in Madrid, God showed him his specific mission: he was to found Opus Dei, an institution within the Catholic Church dedicated to helping people in all walks of life to follow Christ, to seek holiness in their daily life and grow in love for God and their fellow men and women. From that moment on, he dedicated all his strength to fulfilling this mission, certain that God had raised up Opus Dei to serve the Church. In 1930, responding to a new illumination from God, he started Opus Dei's apostolic work with women, making clear that they had the same responsibility as men to serve society and the Church.The first edition of The Way, his most widely read work, was published in 1934 under the title Spiritual Considerations. Expanded and revised, it has gone through many editions since then; more than four million copies in many different languages are now in print. His other spiritual writings include Holy Rosary; The Way of the Cross; two collections of homilies, Christ Is Passing By and Friends of God; and Furrow and The Forge, which like The Way are made up of short points for prayer and reflection.The development of Opus Dei began among the young people with whom Fr. Josemaria had already been in contact before 1928. Its growth, however, was seriously impeded by the religious persecution inflicted on the Catholic Church during the Spanish Civil War (1936-1939). The founder himself suffered severe hardships under this persecution but, unlike many other priests, he came out of the war alive. After the war, he traveled throughout the country giving retreats to hundreds of priests at the request of their bishops. Meanwhile Opus Dei spread from Madrid to several other Spanish cities, and as soon as World War II ended in 1945, began starting in other countries. This growth was not without pain; though the Work always had the approval of the local bishops, its then-unfamiliar message of sanctity in the world met with some misunderstandings and suspicions-which the founder bore with great patience and charity.While celebrating Mass in 1943, Fr. Josemaria received a new foundational grace to establish the Priestly Society of the Holy Cross, which made it possible for some of Opus Dei's lay faithful to be ordained as priests. The full incorporation of both lay faithful and priests in Opus Dei, which makes a seamless cooperation in the apostolic work possible, is an essential feature of the foundational charism of Opus Dei, affirmed by the Church in granting Opus Dei the canonical status of a personal Prelature. In addition, the Priestly Society conducts activities, in full harmony with the bishops of the local churches, for the spiritual development of diocesan priests and seminarians. Diocesan priests can also be part of the Priestly Society, while at the same time remaining clergy of their own dioceses.Aware that God meant Opus Dei to be part of the mission of the universal Church, the founder moved to Rome in 1946 so as to be close to the Holy See. By 1950 the Work had received pontifical approvals affirming its main foundational features-spreading the message of holiness in daily life; service to the Pope, the universal church, and the particular churches; secularity and naturalness; fostering personal freedom and responsibility, and a pluralism consistent with Catholic moral, political, and social teachings.Beginning in 1948, full membership in Opus Dei was open to married people. In 1950 the Holy See approved the idea of accepting non-Catholics and even non-Christians as cooperators-persons who assist Opus Dei in its projects and programs without being members. The next decade saw the launching of a wide range of undertakings: professional schools, agricultural training centers, universities, primary and secondary schools, hospitals and clinics, and other initiatives, open to people of all races, religions, and social backgrounds but of manifestly Christian inspiration.During Vatican Council II (1962-1965), Monsignor Escriva worked closely with many of the council fathers, discussing key Council themes such as the universal call to holiness and the importance of laypersons in the mission of the Church. Deeply grateful for the Council's teachings, he did everything possible to implement them in the formative activities offered by Opus Dei throughout the world.Between 1970 and 1975 the founder undertook catechetical trips throughout Europe and Latin America, speaking with many people, at times in large gatherings, about love of God, the sacraments, Christian dedication, and the need to sanctify work and family life. By the time of the founder's death, Opus Dei had spread to thirty nations on six continents. It now (2002) has more than 84,000 members in sixty countries.Monsignor Escriva's death in Rome came suddenly on June 26, 1975, when he was 73. Large numbers of bishops and ordinary faithful petitioned the Vatican to begin the process for his beatification and canonization. On May 17, 1992, Pope John Paul II declared him Blessed before a huge crowd in St. Peter's Square. He was canonized on October 6, 2002.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116841955974383964?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116841955974383964/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116841955974383964&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116841955974383964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116841955974383964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2007/01/escriva-de-balaguer.html' title='Escriva de Balaguer'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116600522591867386</id><published>2006-12-13T11:20:00.000+01:00</published><updated>2006-12-13T11:22:06.416+01:00</updated><title type='text'>Max Beckmann</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/maxbeckmann.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/maxbeckmann.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;www.pulodolobo.blogspot.com &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116600522591867386?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116600522591867386/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116600522591867386&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116600522591867386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116600522591867386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/12/max-beckmann.html' title='Max Beckmann'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116593920217771629</id><published>2006-12-12T17:00:00.000+01:00</published><updated>2006-12-12T17:14:22.153+01:00</updated><title type='text'>sim ... Senhora</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/nightmistress.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/nightmistress.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis aproveitar o fim de tarde livre. Vestiu maquinalmente o blaser e desceu à garagem.&lt;br /&gt;Ligou para casa de Natercia, uma sua amiga de longa data.&lt;br /&gt;- Estou ?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Natércia, é o Afonso. Podemos "brincar" hoje à tarde ?&lt;br /&gt;- Vem imediatamente !&lt;br /&gt;Acelerou pela marginal enquanto os níveis de adrenalina iam subindo. Quando estacionou o carro estava alheado de tudo, só pensava em encontrar a sua Senhora.&lt;br /&gt;Recebeu-o de espartilho, cinto de ligas e saltos altos , toda de negro, mandou despi-lo e deitar-se no chao.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Lambe-me os sapatos, balofo de merda !&lt;br /&gt;- Na sola ... e vira-me essas nádegas bem para cima senao começo por onde devia acabar, velho ordinário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Afonso deleitava-se com a autoridade grosseira de Natércia e excitado rodava ss algemas que lhe prendiam as maos atrás das costas . A sensaçao de vulnerabilidade de Afonso começava também a produzir efeito na Matrona que se excitava com o chicote ao redor dos mamilos escuros que sobressaiam do decote do espartilho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116593920217771629?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116593920217771629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116593920217771629&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116593920217771629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116593920217771629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/12/sim-senhora.html' title='sim ... Senhora'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116533139951485308</id><published>2006-12-05T16:09:00.000+01:00</published><updated>2006-12-05T16:16:10.240+01:00</updated><title type='text'>O'Neill</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/jawlensky1.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/jawlensky1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tiraste o curso na Escola Náutica mas não te deram a carta de piloto por causa da tua miopia. Frustrado, gemeste em verso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu andei para marinheiro&lt;br /&gt;mas pus óculos e fiquei em terra.&lt;br /&gt;Antes que vás naufragar em seco, pergunto:&lt;br /&gt;- O’Neill? Mas que raio de nome é esse?&lt;br /&gt;- Sou filho de um lorde irlandês. Tomarei posse do condado verde quando o meu pai bater as botas. Espera que me desespera, pois gosto muito de irish coffee e do trevo de quatro folhas...&lt;br /&gt;Gargalhadas e depois marchamos, lado a lado, pelo Chiado. Poderíamos ter abancado n’A BRASILEIRA. Com os seus espelhos e o painel modernista, o Café é sedutor. Mas o que lhe estraga o ambiente é volta e meia aparecer por ali o inspector Seixas, o torturador da PIDE, a exibir ora a sua truculência, ora a sua troupe de noviços acabados de sair da tropa. Portanto, o mais saudável é descermos a rua Garrett. Do lado esquerdo, um pouco mais abaixo da livraria Sá da Costa, fica o CAFÉ CHIADO.&lt;br /&gt;E aí vamos nós, tu a saltitar como se houvesse pocinhas no passeio e sempre com um discurso sincopado. Se fosses pianista, serias certamente campeão de stacato.&lt;br /&gt;A primeira sala do CAFÉ CHIADO parece um aquário, lá por dentro há uns peixinhos interessantes. Um deles, esparramado numa cadeira de verga, é o António Maria Lisboa, poeta surrealista. Sei das tuas brigas com a malta da escrita automática e estou curioso quanto ao que vais fazer. Levantas a mão, acenas. Talvez um último adeus porque o Lisboa, tuberculoso, está por ali à espera da morte, coitado...&lt;br /&gt;A segunda sala é a imensa, a sombria. Ali, no lado direito, pratica-se uma Orgia Romana, painel a ocupar quase toda a parede, pintura lambidinha. Mesmo por baixo dessa Orgia, sentados a uma mesa, estão dois Mários surrealistas, o Cesariny e o Leiria. Deste último, também sou grande amigo. Finges que não os vês e eles fingem que a ti não vêem. Não me aguento:&lt;br /&gt;- Ó Alexandre, tão amigos que vocês eram e coisas tão giras que fizeram juntos. Bem me lembro das colagens da Ampola Miraculosa...&lt;br /&gt;Paras, seguras-me o braço, perguntas:&lt;br /&gt;- Tu sabes que fui eu o primeiro a ler e a comprar a História do Surrealismo do Maurice Nadeau? Que fui quem desafiou o António Pedro, o Mário Cesariny, o Mário Henrique Leiria, o Vespeira e o José Augusto-França a fazermos aqui uma coisa equivalente para sacudir a pasmaceira lusitana? Assim nasceu o Movimento Surrealista de Lisboa. Sabias?&lt;br /&gt;- Sei disso tudo. Por isso mesmo é que não entendo essa vossa briga. Porquê, mas porquê?&lt;br /&gt;- Porque dois ou três daqueles aventureiros quiseram transformar o Movimento numa catequese. A poesia tem que ser verdade prática, não suporto catequeses.&lt;br /&gt;Bem sincopado, martelado, sem pedal:  ca  te  que  ses  !&lt;br /&gt;Entramos na terceira sala do Café Chiado, claridade, teto de vidro fosco, deve ser um antigo saguão entre dois prédios. A estudantada abanca por ali. De mesa em mesa correm, mimeografados, poemas do &lt;a href="http://www.vidaslusofonas.pt/sidonio_muralha.htm"&gt;SIDÓNIO MURALHA&lt;/a&gt; e de outros neo-realistas. Torces o nariz àquele heroísmo proletário:&lt;br /&gt;- Não é assim que se faz poesia política.&lt;br /&gt;- Então como é?&lt;br /&gt;- Vai lá a casa, que eu te mostro.&lt;br /&gt;- Quando? - Pode ser amanhã à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A POMBA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;E vou. É o segundo andar, lado esquerdo, de um prédio no bairro social do Arco do Cego. Toco à campainha e uma pitosga de uns 30 anos abre a porta. Será a tua irmã. Não, irmã não será, pois tiveste uma zanga com o teu pai e agora vives na casa de um tio materno. Deve ser tua prima. Seja ela quem for, olha para mim muito desconfiada mas lá te chama, esganiçada: Alexandre, Alexandre! Surges ao fundo do corredor, dás uma corridinha, puxas-me pelo braço, levas-me até ao teu quarto.&lt;br /&gt;Uma cama, uma secretária, estantes com livros e um armário de metal, com grandes gavetas a rolarem sobre esferas. Abres uma delas, dezenas de pastas. Retiras seis ou sete e começam a saltar poemas de Maiakovski, Neruda, Aragon, Éluard e a sua catalisadora Liberté, je dis ton nom! Também um desconhecido (pelo menos, para mim) de nome Bertold Brecht. Fico espantado: a poesia organizada como se fosse arquivo comercial? O alemão, o Brecht, é um deslumbramento, cativa-me a sua concisão. Tanto que, uma semana depois, de rajada escreverei seis poemas a la Brecht, um deles de pesar pela morte do camarada Estaline. E tu irás gostar dos meus versos, insistirás para que eu não desista. Insistência vã, estou mais calhado para a prosa...&lt;br /&gt;- O’Neill, ouve lá: a poesia desta malta não pode ficar açambarcada aí, tem que estar ao alcance de toda a gente.&lt;br /&gt;- Também acho!&lt;br /&gt;Assim nasce a ideia de um jornal clandestino de poesia militante. Em homenagem à pomba de Picasso vai chamar-se A POMBA. Das traduções cuidas tu. Da impressão cuido eu porque o meu pai tem um mimeógrafo no seu escritório na Praça dos Restauradores. Imprimo à noite e ele nem dá por isso...&lt;br /&gt;Lançamento do jornal? Proponho:&lt;br /&gt;- Já que de lançamento se trata, então vamos lançar A POMBA do 2.º balcão para a plateia do Tivoli, numa daquelas sessões cine-culturais de 5.ª feira ao fim da tarde. Vai ser uma bonita revoada...&lt;br /&gt;Hesitas:&lt;br /&gt;- Acho que a malta da Oposição não vai aprovar a iniciativa.&lt;br /&gt;- Não te preocupes. Disso trato eu.&lt;br /&gt;E trato. Converso com um dirigente do MUD JUVENIL (*) . Conto-lhe o plano, mostro-lhe os poemas. Dias depois avisa-me que a Direcção é contra, agitação é agitação, poesia é poesia, não pode haver misturas, eles é que sabem... Tu, O’Neill, embora não sejas militante mas apenas um compagnon de route, parece que os conheces melhor do que eu... Mas se entre nós está combinado, combinado está e avançamos, que se lixem os sabichões... À última hora, para amansar os gajos do JUVENIL, sugeres que eu inclua n’A POMBA o meu poema de pesar pela morte do Estaline e eu incluo. Porém assino com pseudónimo, suicida eu cá não sou...&lt;br /&gt;E numa 5.ª feira à tarde lá estamos nós no 2.º balcão do Tivoli. A sala às escuras e quando surge a última cena do filme, puxamos os cordelinhos e AS POMBAS descem em revoada. Com um senão: atrapalhas-te e deixas cair uma pilha de pombas sobre os cornos de um espectador. Mugido lancinante, lá em baixo:&lt;br /&gt;- Ai o caraças... Acendem-se as luzes, gritos, gargalhadas, palmas, todos a quererem apanhar AS POMBAS, confusão, um sucesso. Sorridentes, nós por ali à coca. Até chegar a PIDE...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PASSAPORTES&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ainda em 53 decido casar e tu, é claro, és um dos convidados para a festa. Bem sabes que eu e a minha mulher acabámos de dar um giro pela Europa. Puxas-me de lado. Perguntas, surdina:&lt;br /&gt;- Os vossos passaportes ainda estão válidos?&lt;br /&gt;- Sim.&lt;br /&gt;- Então pirem-se enquanto é tempo, que as coisas vão apertar por aqui.&lt;br /&gt;Realmente pensamos pirar-nos para o Brasil, mas sei que a raiz da tua ansiedade é outra. Em 1949 Nora Mitrani, surrealista francesa, passa por Lisboa. Vocês conhecem-se, convivem, apaixonam-se, l’amour fou às vezes deflagra fora dos livros... Depois de regressar a Paris, Nora convida-te a ir ter com ela:&lt;br /&gt;- Vens, ficas por cá, logo se vê...&lt;br /&gt;Solicitas passaporte ao Governo Civil de Lisboa. Mas alguém da tua família antecipa-se, não quer que vás atrás da francesa e mete cunha, na PIDE, para que te seja negado passaporte. E o passaporte é-te negado. Que raio de país é este em que a polícia política até se dá ao luxo de contrariar amores?&lt;br /&gt;Eis Um Adeus Português, o teu amor frustrado, a tua raiva:&lt;br /&gt;Não tu não podias ficar presa comigoà roda em que apodreçoapodrecemosa esta pata ensanguentada que vacilaquase meditae avança mugindo pelo túnelde uma velha dor&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;tu és da cidade onde vives por um fiode puro acasoonde morres ou vives não de asfixiamas às mãos de uma aventura de um comércio purosem a moeda falsa do bem e do mal&lt;br /&gt;Nesta curva tão terna e lancinanteque vai ser que já é o teu desaparecimentodigo-te adeuse como um adolescentetropeço de ternurapor ti&lt;br /&gt;- Alexandre, bem entendo a tua preocupação com os nossos passaportes, gato escaldado de água fria tem medo, mas sossega, tem calma! Não tiveste, intuíste que não devias tê-la: eu e a minha mulher ainda a gozarmos a lua de mel e tu a seres preso pela PIDE. Quando partimos para o Brasil continuavas na choça. Durante quarenta dias ficarás à sombra, a contemplar aquela pata ensanguentada que vacila...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PUBLICIDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em 1958, no Brasil, chega-me às mãos o teu livro No Reino da Dinamarca.  E em 1960 Abandono Vigiado. E em 1962 Poemas com Endereço. E em 1965 Feira Cabisbaixa. E em 1969 De Ombro na Ombreira. E em 1972 Entre a Cortina e a Vidraça. Tamanha produção e eu a perguntar-me:&lt;br /&gt;- Mas este gajo ganha a vida a escrever poemas? Não acredito!&lt;br /&gt;Eis que o Vasconcelos, velho amigo do Café Chiado, agora metido a turista, em 72 arriba a São Paulo, cidade aonde vivo. O grande abraço. Pergunto pelo O’Neill e ele esclarece:&lt;br /&gt;- O poeta continua a escrever versos, mas do que ele vive é da publicidade. Está sempre a saltar de uma agência para outra, é disputado por todas. Ganha o que quer, rios de dinheiro.&lt;br /&gt;- Ainda bem! Ao menos esse escapou da fomeca...&lt;br /&gt;Estou a vê-lo: verbo fácil, não lhe custa inventar slogans. Alguns entram no ouvido, fazem furor. É o caso de BOSCH É BOM. Para gáudio de amigalhaços (poetas, publicitários e papalvos) é o próprio poeta quem faz o trocadilho obsceno: Boche é brom!&lt;br /&gt;Divertido é também é um anúncio recusado pelo fabricante:&lt;br /&gt;Num colchão de sumaúma,Você dá duas que parecem uma...&lt;br /&gt;Mas dos slogans a sério, um chega mesmo a converter-se em popular rifão de praia. É um alerta aos banhistas imprevidentes:&lt;br /&gt;HÁ MAR E MAR,HÁ IR E VOLTAR.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REQUIEM PARA NORA MITRANI&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Sem passaporte, o poeta não tornou a ver Nora Mitrani. Sabias que a francesinha suicidou-se em Paris, em 1961?&lt;br /&gt;- Sabia sim, Vasconcelos. Em 1962 li o requiem que o O’Neill escreveu:&lt;br /&gt;Para ti o tempo já não urge,Amiga.Agora és morta.(Suicida?)&lt;br /&gt;Já Pierrot-vomitando-fogo(sempre ao serviço dos amantes)não entra no nosso jogocomo dantes.&lt;br /&gt;Mas esse obscuro servidor,que promovemos uma vez(ainda eu não te dedicaraaquele adeus português...),&lt;br /&gt;corre, lesto, como uma chama,entre nós dois (o saltarim!)e desafia-nos prá cama.Esperas por mim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eu pudesse dizer-te: - Senta aquinos meus joelhos, deixa-me alisar-te,ó amável bichinho, o pêlo fino;depois, a contra-pêlo, provocar-te!Se eu pudesse juntar no mesmo fio(infinito colar!) cada arrepioque aos viageiros comprazidos dedosfizesse descobrir novos enredos!Se eu pudesse fechar-te nesta mão,tecedeira fiel de tantas linhas,de tanto enredo imaginário, vão,e incitar alguém: - Vê se adivinhas...Então um fértil jogo de amor seria.Não este descerrar a mão vazia !(...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OUTROS AMORES&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Vasconcelos diz-me que o O’Neill casou com Noémia Delgado em 1957 e descasou em 1971. A união teve um rebento: Alexandre Delgado O’Neill que irá revelar-se grande fotógrafo. Por esquecer em casa a bombinha salvadora, o Xana irá morrer mais tarde durante um estúpido ataque de asma...&lt;br /&gt;Mas estamos a falar de amores, não de filhos... Pergunta-me o Vasconcelos:&lt;br /&gt;- Tu sabes que, para ganhar a vida, eu sou bancário?&lt;br /&gt;- Claro que sei. No Banco Português do Atlântico, não é?&lt;br /&gt;- Isso mesmo, na Secção de Informações. E sabes quem é o Dr. Gouveia?&lt;br /&gt;- Não faço ideia.&lt;br /&gt;-  É um dos administradores do BPA. Cheio da massa e reacça como o caneco. Pois um dia o Dr. Gouveia pediu-me que eu recolhesse todas as informações possíveis a respeito de um tipo chamado Alexandre O’Neill. Deu-me vontade de rir: era o poeta a fazer-se ao piso da Teresa Patrício Gouveia, a filha do Dr. Gouveia... Casou com ela o ano passado. Está bem lançado o poeta. Se armar em reaccionário, dinheiro por ali não falta...&lt;br /&gt;- E como é essa Teresa?&lt;br /&gt;- É uma grande lasca, uma estampa de mulher.&lt;br /&gt;- Ó Vasconcelos, és um má língua do caraças. Tenho a certeza que o poeta não se rendeu nem à fortuna, nem à ideologia do pai, mas à beleza da filha. Tu vais ver.&lt;br /&gt;Não sei se vai ou não vai. Irei eu.&lt;br /&gt;A TEIA SALAZARENTA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O Vasconcelos regressa a Portugal. Apetece-me recordar os tempos em que fui mosca apanhada pela teia salazarenta, eu também. Releio os livros do O’Neill. Está lá tudo. Está lá o medo que se perfila: &lt;br /&gt;Perfilados de medo, agradecemoso medo que nos salva da loucura.Decisão e coragem valem menose a vida sem viver é mais segura.  &lt;br /&gt;Aventureiros já sem aventura,perfilados de medo combatemosirónicos fantasmas à procurado que não fomos, do que não seremos.  &lt;br /&gt;Perfilados de medo, sem mais voz,o coração nos dentes oprimido,os loucos, os fantasmas somos nós.Rebanho pelo medo perseguido,já vivemos tão juntos e tão sósque da vida perdemos o sentido...  &lt;br /&gt;Também o medo a cantar ópera:&lt;br /&gt;O medo vai ter tudofantasmas na ópera sessões contínuas de espiritismo milagres cortejos frases corajosas meninas exemplares seguras casas de penhor maliciosas casas de passe conferências várias congressos muitos óptimos empregos poemas originais e poemas como este projectos altamente porcos heróis (o medo vai ter heróis!) costureiras reais e irreais operários (assim assim) escriturários (muitos) intelectuais (o que se sabe) a tua voz talvez talvez a minha com certeza a deles (...)  &lt;br /&gt;Está lá a vida de cão que levámos, com ou sem poesia:&lt;br /&gt;Cão formal da poesiacão estouvado de alegriacão moído de pancadae condoído do donocão de gravata pendentee remexido rabo ausente...&lt;br /&gt;Está lá a “vidinha” que aceitámos:&lt;br /&gt;A poesia é a vida? pois claro!Conforme a vida que se tem o verso vem- e se a vida é vidinha, já não há poesiaque resista. O mais é literatura,libertinura, pegas no paleio;o mais é isto: o tolo de um poetaa beber, dia a dia, a bica preta,convencido de si, do seu recheio...A poesia é a vida? Pois claro!Embora custe caro, muito caro,e a morte se meta de permeio.&lt;br /&gt;Está lá a Pátria que nos pariu:&lt;br /&gt;Ó Portugal, se fosses só três sílabas,linda vista para o mar,Minho verde, Algarve de cal,jerico rapando o espinhaço da terra,(...)&lt;br /&gt;Ó Portugal, se fosses só três sílabasde plástico, que era mais barato!(...)&lt;br /&gt;Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,golpe até ao osso, fome sem entretém,perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,rocim engraxado,feira cabisbaixa,meu remorso,meu remorso de todos nós...&lt;br /&gt;E ainda:  &lt;br /&gt;País engravatado todo o anoe a assoar-se à gravata por engano.&lt;br /&gt;Por tudo isto não me espanta que o Alexandre O’Neill afirme:&lt;br /&gt;António Nobre, embora seja muito em inho,é o grande Só que somos nós,por isso gosto dele (ai de mim, coitadinho ! )&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;SECREÇÃO&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em Maio de 74 já estou em Lisboa a surfar na crista da onda revolucionária. Noto e estranho a ausência do O’Neill naquelas corridas loucas, ventania e muito sal. Por mero acaso, em 76 encontro-o no restaurante Faz Frio, ali ao Príncipe Real. O longo abraço, a evocação dos tempos idos. Apresenta-me Ruy Cinatti, timorense e bom poeta. Pede-me que eu lhes diga (ou rediga) o meu poema de pesar pela morte do Estaline.&lt;br /&gt;- Já pedi licença aos organizadores do XX Congresso e eles consentem, não levam a mal. Portanto, tovarich O’Neill, toma lá, apara!&lt;br /&gt;E recito, de forma apalhaçada, o poema que publiquei no primeiro e único número de A POMBA.&lt;br /&gt;Galhofa, copos, camaradagem. Voltaremos a cruzar-nos pelas ruas de Lisboa, breves instantes, recordações, melancolia. Mas conviver não convivemos mais, passámos a trilhar trajectórias divergentes.&lt;br /&gt;Teresa dá à luz um rapaz, o Afonso, teu segundo filho. Separas-te dela em 81. Optas por um novo amor, Laurinda Bom, que ficará contigo até à tua morte em 86, doença cardíaca. Entretanto escreverás vários poemas, entre os quais O Rato e o Anjo, como se nada de novo tivesse acontecido desde Abril de 74:&lt;br /&gt;(...)Rato rói,até na orelha.Anjo dóide outra maneira.  &lt;br /&gt;Mas eis que, nestes enredos,há dois a mais, um a menos. &lt;br /&gt;Cai ao anjo a pena,ao rato o pelame.Um regressa ao seu enxame,o outro à sua caverna.&lt;br /&gt;E o português, desanjado,já se vê desratizado.Chora.&lt;br /&gt;Abril em refluxo e o sarcasmo outra vez a acomodar-se à vidinha. Condoído, porém acomodado.&lt;br /&gt;O’Neill, ó poeta, ó amigo, espera aí por mim que eu já não tardo muito! Entretanto, cá por baixo, quando releio os teus poemas apanho sempre um susto: afinal o salazarismo não terá sido agressão contra o nosso povo, mas apenas secreção natural dos portugueses. Malcheirosa, malcheirosa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116533139951485308?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116533139951485308/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116533139951485308&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116533139951485308'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116533139951485308'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/12/oneill.html' title='O&apos;Neill'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116403001703579447</id><published>2006-11-20T14:40:00.000+01:00</published><updated>2006-11-20T14:42:05.073+01:00</updated><title type='text'>Funçao Pública portuguesa</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/trash.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/trash.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem comentários !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116403001703579447?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116403001703579447/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116403001703579447&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116403001703579447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116403001703579447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/11/funao-pblica-portuguesa.html' title='Funçao Pública portuguesa'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116369327778479062</id><published>2006-11-16T17:07:00.000+01:00</published><updated>2006-11-16T17:09:31.540+01:00</updated><title type='text'>Mario Botas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/botas.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/botas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A obra de Mário Botas aparece no panorama da pintura portuguesa como uma pintura avessa a classificações, resistindo em toda a sua singularidade face ao aparecimento das correntes pós-modernas que ocorreram na sua geração. Nascido em 1953 e precocemente desaparecido em 1983, o pintor iniciou o seu trabalho em 1971, mas foi a partir do ano de 1977 que ele conheceu o grande “choque” que a impulsionou. Nesse ano, com vinte e quatro anos de idade, ele soube que a sua vida urgia, ao tomar conhecimento de que sofria de leucemia. A partir daí, ele descobre na obra a única razão da sua existência e o modo de perdurar no tempo.&lt;br /&gt;Um olhar de extrema inquietação e curiosidade sobre o mundo, a par da leitura assídua de poesia e literatura, transformaram-lhe a pintura num universo essencialmente literário, que atinge a sua máxima expressão em Le Spleen de moi-même, onde o autor assina, no desenho da capa, o seu nome, acrescentando-o ao de Baudelaire. Ao longo do percurso pictórico, o contacto fecundo com a poesia e a literatura conjugam-se com o convívio estreito com muitos poetas (António Osório, Herberto Helder, Eugénio de Andrade, Raul de Carvalho, Cesariny, entre outros). Grande parte da pintura consiste em “ilustração” de livros de Gunter Künert, Raul Brandão, Almeida Faria, António Osório, bem como uma série de desenhos sobre temas do Antigo Testamento, outros comentando poemas de Mário de Sá-Carneiro e de Rimbaud, referências a Fausto, Le Horla, revisitações de vários temas mitológicos, como Réa, Ixion, Hécate. Um tema recorrente e ironicamente tratado é a história de Portugal: Leonor Teles, Fernandus Rex Portucalensis, O Enigma de Alcácer Quibir, A História Secreta de Portugal, A morte de Inês de Castro, os D.Sebastião, O Milagre das Rosas. O gosto pelo retrato de escritores que o fascinaram é igualmente uma tónica dominante, tal como o retrato de Kafka, Pessoa, Camões, Mário de Sá-Carneiro, Tristan Corbière, Rilke, etc.&lt;br /&gt;Face ao panorama da pintura portuguesa dessa década, a obra de Mário Botas, assume um estatuto muito peculiar, articulando o poético e o fantástico, integrando a herança surrealista da pintura e transformando o seu universo pictórico numa atmosfera onírica, de um simbolismo inquietante e opressivo, reforçado pelo cruzamento com as referências literárias e pela revisitação do classicismo e da mitologia. Como ele próprio afirmava: “O que pinto gosta de se encontrar com as palavras, sobretudo com as palavras dos outros. Raramente parto do texto para a imagem, mas quase sempre esta precede aquele”. E a necessidade de fazer coincidir ou encontrar o plano da imagem com o texto é expressamente revelada: “Raramente procuro ilustrar, mas antes realizar uma obra paralela que só se esclareça inteiramente pelo relacionamento feito entre ambas.” Dessa indissociação nasce também a singularidade da sua pintura, um percurso simultaneamente original e marginal, em que a morte e o carácter visionário da obra o transformam num artista de culto.&lt;br /&gt;É interessante acompanhar o seu percurso, tentando compreender o alcance e a profundidade do génio e a sua originalidade. Mário Botas nasceu na Nazaré, oriundo de família simples, tímido jovem de olhar melancólico e profundo - reconhecemos esse olhar nos auto-retratos que pintou. Foi estudar para Lisboa, onde terminou o curso de Medicina em 1975. No início, aprendeu os rudimentos da pintura e da arte com Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny, tendo realizado com eles colagens e cadavres exquis. Trabalhou igualmente com Paula Rego, Manuel Casimiro e Raul Perez.&lt;br /&gt;O surrealismo interessou-o nessa primeira fase como ponto de partida, confessando posteriormente a sua desilusão. Ele interpretará o Maio de 68 como o “elogio fúnebre do surrealismo”, defendendo a ideia de que se torna necessário repensar um “novo dadaísmo” que conduza, não ao dogma surrealista, mas que se dirija antes para a mais extrema consciência da liberdade individual. O afastamento do “dogma surrealista” deveu-se em grande parte aos contactos cosmopolitas que procurava manter, em especial com o editor holandês Laurens vans Krevelen, com quem manteve correspondência até ao ano de 1977. É nesse ano do diagnóstico que o pintor-poeta rompe finalmente com o “dogma surrealista”, originando-se, a partir daí, a revelação de uma obra com cariz próprio. Apesar de ter sido a grande fonte do seu universo pictórico e poético, durante sete anos, essa cesura revela-se no álbum Confessionário (1976), fundindo um estado de espírito iconoclasta com uma ironia mordaz incidente nos recentes acontecimentos políticos (a revolução dos cravos e as suas consequências e excessos). A cisão com o surrealismo confirmar-se-á no álbum seguinte, Afrodisíacos (1976-1980), onde o papa do surrealismo é representado num desenho a tinta da china intitulado Cesariny, the waiter...&lt;br /&gt;É também nesse ano de 1977, entre 18 e 19 de Dezembro, a alguns dias do seu vigésimo quinto aniversário, que o jovem pintor inicia essa “litania dos adeuses” de que nos fala Almeida Faria, desenhando dez ciprestes alinhados como um cortejo fúnebre. Nesse desenho, no texto que nele se integra, o jovem despede-se das manhãs e das madrugadas, das “queridas nuvens” que aguarelou, das “águas correntes de regatos imensos, que não estão no corpo mas na alma e desaguam sempre noutro rio até chegarem àquele a quem os antigos chamavam Letes...”. Esta obsessão de desenhar e encenar mapas mentais, de estranhas rotas e cartografias inquietantes, marca o início de uma nova etapa da sua obra, interiorizada e obscura, mas em que descortinamos, ainda, um desejo de adiar o inevitável.&lt;br /&gt;Em Fevereiro de 1978, parte em busca de tratamento em Nova Iorque. Expõe nesse ano, individualmente, na Galeria Martin Summers e, colectivamente, em The Drawing Center. Aí encontra John Cage, o músico que lhe inspira A Dip in the Lake, aguarela de uma planta da cidade que pode ser Lisboa. Desses meses vividos nos Estados Unidos guardará referências que se lhe entranharão na obra. A vivência na megalópole transfigurar-se-á enquanto matéria mítica, magma fantástico ou poético que lhe ocupa a obra, tal como a leitura recorrente de mitos. A preferência pela literatura fantástica de autores como Borges, Blake, Swift e outros, paralelamente à de autores como Pessoa, Cervantes, Rousseau (que o marcará com a ideia do “bom selvagem”), Rimbaud, Lautréamont, Lewis Carroll, etc., inscrevem-lhe na obra a contaminação entre o mítico e o histórico.&lt;br /&gt;Data desse mesmo ano de 1978 o contacto com a obra de Egon Schiele na galeria Serge Sabarsky, em Nova Iorque, que se revela fulminante, reconhecendo-o como um dos seus mestres. Nos cinco anos seguintes, a influência da representação agressiva e insistente dos retratos de Schiele marcá-lo-á de tal forma que António Osório o apelidará de “arqueólogo de seu rosto”. Essas figurações são formas de expiar e apresentar a ruinosa catástrofe, servindo-lhe o retrato como a imagem arquetípica, que reveste as múltiplas formas de se despedir de si próprio (assina assim um gesto flagrante de heteronímia), deixando na obra esse vestígio pungente.&lt;br /&gt;Curioso é o modo como o seu rosto assoma e reveste tantas figurações, permanecendo nesses retratos uma indecibilidade fundamental dos rostos diversos que apresentam o mesmo: o seu. Seguindo o preceito de Schiele que Mário Botas entendia como “Centrado no seu ser único, Schiele não avançou apenas em termos de vanguarda artística; encaminhou-se para o que parece ser a posição essencial do artista. Não um produtor mais ou menos sofisticado de obras de arte, antes alguém que apaixonada e simultaneamente se desvenda e se oculta perante si próprio, guardando nos olhos a sua Imagem única e perturbadora.”&lt;br /&gt;A fronteira entre retrato e auto-retrato é ténue - tal como em Egon Schiele, a osmose entre ambas é uma constante, visível sobretudo nos desenhos de Camões e Pessoa - e percorre um registo diversificado na mimese. Em alguns desses desenhos identificamos de imediato o pintor, ainda que os modelos dos restantes retratos nem sempre sejam claramente reconhecíveis. O que lhes confere esse tom onírico, entre o que se oculta e o que se desvenda, como se ele não se preocupasse com as similitudes do rosto, mas antes com a representação de uma imagem-matriz, inquietante e interior. Alguns dos retratos, em especial o de Tristan Corbière, possuem esse lado arrepiante e assustador que parece provir do pesadelo. Uma contaminação do horror que se sobrepõe à representação do rosto parece ser, muitas vezes, a tónica dominante, condensando o visionarismo que se associa à antecipação da própria morte. É como se, ao olharmos essas figuras, pudéssemos ver neles, à maneira barroca, o dente da morte que se ferra no vivo e no orgânico, destruindo-o. Toda essa perturbadora galeria de retratos remete-nos para uma ideia de catástrofe anunciada, um combate contra a aniquilação antecipada, um exorcismo dos demónios interiores, num pedido de apaziguamento constante.&lt;br /&gt;Aliada às referências literárias, com particular incidência nos mitos trágicos de D. Juan - tema sobre qual elaborou diversas variações - e do Fausto, entre outros, surgem também as influências musicais, que se sobrepõem: Wagner, Alban Berg, Mozart, Richard Strauss e Weber. A intensidade e a espectacularidade da ópera encontram-se entre essas referências.&lt;br /&gt;Como se estabelece o modelo subversivo que atravessa toda a sua obra? E que a transforma nesse universo de uma irredutível singularidade? Se a presença de um erotismo hermafrodita a perpassa, no entanto, esse erotismo conduz-nos mais longe, arrasta-nos na vertigem que se encontra no limiar entre a vida e a morte, entre o orgânico e o petrificado. Conviva próximo de Botas, a morte emerge como pano de fundo em toda a sua extensão, contrastando essa violência com a delicadeza das suas aguarelas, o que torna a atmosfera ainda mais estranha. O corpo, seja o do próprio ou de outras figuras (com particular relevo na fase final da obra), aparece sempre representado com a marca da ruína, trespassado ou meio corroído, num território de transgressão que vai desde a travessia das fronteiras (homem/mulher, inteiro/fragmentado, vivo/morto), recuando mesmo aos dogmas de religiões judaico-cristãs, tocando e subvertendo os dispositivos sacrificiais, anulando a distinção entre sagrado e profano, puro/impuro. Todavia, é a partir dos laços entretecidos entre morte e feminilidade, que atravessam toda a simbologia judaico-cristã, que retira o maior dos efeitos estéticos e pictóricos. A Morte como Mulher, no seu olhar envolvente e húmido, a Mater Dolorosa, percorre violentamente a última fase da sua obra, conferindo-lhe o tom de uma misoginia ácida. Outras travessias paralelas ocorrem, no plano material, sobretudo na íntima ligação que ocorre entre desenho, caligrafia e manuscrito.&lt;br /&gt;A inquietação (e extrema riqueza do universo simbólico) na obra de Mário Botas advém-lhe da recusa de uma mimese da natureza, em que as representações são apresentações, num sentido próximo ao que Paul Klee defendia, de que a obra radicava numa crença no poder mágico do homem em criar novas realidades que conferem à vida esse excesso que não é da ordem do visível, mas sim metafísica. Por toda a parte, a alegoria revela o seu rosto melancólico, numa apresentação da ruína, dos monstros interiores, do corpo mutilado e da doença invasora, da morte que se anuncia, como no auto-retrato em que a ampulheta surge sobre o coração, anunciando o escoar do tempo de um modo obsceno, como nos quadros em que se auto-retrata como criança e o rosto se encontra dividido, uma parte ainda intacto, a outra imersa em escuridão. Ao longe, minúscula, espreita a figura expectante da morte. De um lado a infância, a nostalgia de um tempo perdido, a criança segura uma rosa na mão, a frágil flor da sua vida, do outro, a figura anunciada da catástrofe. Esse jogo dialéctico e de feroz violência repete-se amiúde em toda a sua obra, revelando cada rosto, cada corpo, cada figura, esse excesso do inominável, sob a forma de monstros, animais, figuras diabólicas e arrepiantes.&lt;br /&gt;A atmosfera dos seus quadros também evoca a pintura de Bosch e, em especial, o tríptico “O Jardim das Delícias”, com toda a sua galeria de imagens sinistras de híbridos monstros, situada entre o onirismo e o erotismo. Contra a delicadeza da representação surge o absurdo da apresentação, numa imagem surreal, próxima do pesadelo. Por outro lado, há uma encenação teatral, em que o tempo se encontra espacializado sob a forma de casas, no quadro as “Quatro Estações”, essa dialéctica entre a nostalgia e a ruína apresenta-se frequentemente, nos quadros em que as árvores se ligam simbolicamente às diversas fases do tempo/casas. Entre a palmeira, árvore que se encontra ligada à esperança e ao passado, e o cipreste, hirto símbolo da morte. Toda a sua pintura oscila entre esta dialéctica alegórica, tão cara ao espírito de Baudelaire e ao sentimento do spleen. Se, por um lado, é antecipada a ruína e a destruição do orgânico (sempre na figura da morte, do monstruoso e da doença), por outro, também se mantém a ténue réstea de esperança, pelo apontar de retorno nostálgico à origem (a palmeira, evocando um tempo puro, a rosa na mão da criança, o Verão). Sobre este choque que nos provoca a sua obra, da experiência de fragmentação e de cisão do sujeito, quer como autor, quer enquanto espectador da obra, é que nos parece importante reflectir, pensando-o como modo estético operatório muito peculiar, uma apresentação do irrepresentável, que nos toma e engole por inteiro, que nos arrasta ao abismo e que nos coloca diante da fragilidade da vida como um espelho côncavo e distorcido, hiperbólico.&lt;br /&gt;No outro pólo da contraposição encontra-se como temática fundamental, o sujeito narcísico de Egon Schiele, cuja obra reveste a densidade repulsiva de um erotismo que, em tudo, se afasta do organicismo de Paul Klee. Em Schiele, identificava Botas o “primeiro pintor moderno”, com a sua autoconsciência crítica e também pelo diagnóstico do mal de vivre, tão ínsito à poética de Baudelaire. O corpo subversivo, como apresentação confessional e subjectiva, tomado como objecto da obra de Schiele, transgredindo os cânones e referências ideológicas e religiosas, converte-se no veículo privilegiado da modernidade. Um “Eu” reflexivo e, por isso mesmo, alienado nessa reflexividade, tomado enquanto “Outro” e desapropriado de si mesmo, que encontrará em Artaud, Bataille e Pasolini um equivalente, como fonte do poético e da consciência ocidental moderna.&lt;br /&gt;Todavia, esse narcisismo que no início da obra apresenta contornos de ironia sarcástica (uma das tantas formas que assume o cinismo alegórico), vai-se obscurecendo e fechando no final da vida. A morte assume a forma de um escândalo, remetendo para um descrédito relativamente à religião e a Deus, acentuando-se o pessimismo e a fragilidade, definindo os contornos do mais desesperado nilismo. Em Botas, a beleza procurada a cada instante revela-se um ardil, mostrando o horrível, tal como a bela mulher, em Baudelaire, revela a caveira, a morte: esconde-se na luxúria da beleza (daí que a figura da morte seja feminina, na sua pintura), assalta o que por ela se deixa cativar e deslumbrar. Tal como o rosto de Narciso, o paradigma desse escandaloso paradoxo, reflectindo-se no espelho das águas, o que não é senão a visão última e derradeira, reveladora, a verdade a que Narciso sucumbe. Mas esse espelho é ainda e sempre a alma humana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116369327778479062?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116369327778479062/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116369327778479062&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116369327778479062'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116369327778479062'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/11/mario-botas.html' title='Mario Botas'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116315869391590262</id><published>2006-11-10T12:38:00.000+01:00</published><updated>2006-11-10T12:39:58.780+01:00</updated><title type='text'>A mulher das cavernas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/femme.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/femme.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116315869391590262?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116315869391590262/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116315869391590262&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116315869391590262'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116315869391590262'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/11/mulher-das-cavernas.html' title='A mulher das cavernas'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116315760814007972</id><published>2006-11-10T12:20:00.000+01:00</published><updated>2006-11-10T12:22:43.693+01:00</updated><title type='text'>História de dois patifes</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/murray1.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/murray1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda a manhã, Fernanda andou impaciente pelas casas, esperando os gatinhos. Ao acordar, fôra aquella a sua primeira idéa - os dois pequeninos animaes cheios de viveza e graça, em cujos olhos ria uma innocencia travêssa e dôce. Havia tempos que a tia Consuelo lh'os promettera, quando fossem crescidinhos. E a cada visita à boa senhora, Fernanda levava horas e horas com elles, brancos de neve, uma finura de pennugem que acariciava a pelle, as duas cabecinhas inquietas com orelhas que se fitavam petulantemente, a cada ruido do gabinete. Fernanda tinha uma paixão por aquelles dois diabitos brancos que levavam os dias, ou sugando as tetas da mãi, grande gata de pello fulvo e pupillas glaucas, ou rebolando no tapete os corpinhos electricos, numa embriaguez de vida que fazia prazer. O gato era o mais leviano, com as suas patinhas fôfas e os dedos rosados na planta, de que as unhas transparentes e curvas sahiam desembainhadas, nos momentos de irritação, se lhe pisavam a cauda. Tinha os olhos azues, cheios de fibrilhas inquietas mais escuras, uma ingenuidade selvagem no encarar, fitando as orelhas velludinosas, em que parecia residir toda a petulancia d'essa cabeça infantil. O focinho côr de rosa, com barbicas alvoroçadas, sorria um pouco, mesmo quando assanhado, e das gengivas vermelhas e humidas, os dentinhos em serra, agudos e pequenos, resahiam gulosos, desafiando a gente. A gatinha affectava mais seriedade e mais coquetterie, uma ambição contida de se fazer senhora, e uma sciencia complicada em se fazer amar do macho. Nunca era a primeira no ataque, e zangava-se mal presentia uma offensa. À comida exigia os melhores pedaços, rosnando sôfrega, com a pata irriçada de unhitas curvas, contra o primeiro que lhe chegasse ao prato. Dormitava muito, como a mãi; ás vezes o irmãosito chegava-se cauteloso, estendendo as patas e movendo vagarosamente a cauda, as pupillas cheias de um clarão de patifaria. Com um movimento destro erguia uma pata - zás! - no ventre da sua companheira, que entreabria preguiçosamente os olhos, immovel, com o focinho enterrado na pennugem do ventre. Esta indifferença benevola, arrojava o gaillard do gatinho a maiores garotices. Chegava-se muito meigo, unhas escondidas, o dorso alto, as orelhas chatas e deitadas para traz. Com as duas patas da frente, cingia o pescoço da pequenina, e entrava a morder-lhe repetidamente o peito, os labios, a pontinha das orelhas, em quanto com as unhas trazeiras lhe raspava voluptuosamente o ventre e as côxas, provocando cocegas.  Ella estremecia, toda percorrida de um gozo intimo e alongando o corpo para traz; e de ventre para o ar ficava immovel, espreitando, com a bocca entreaberta e os olhitos reluzentes de uma caustica lascivia, de bacchante núa. Abraçavam-se então, luctando, as caudas em espiras; armavam saltos por cima dos moveis, iam esconder-se nas franjas espessas dos fauteuils muito baixos, e suspendendo-se em cacho dos pés esculpidos das consoles encrustadas de metal e madre-perola, sacudiam-se, balançando os corpos como dois gymnastas em exercicios de destreza. A tia Consuelo impacientava-se já de semelhantes correrias. Descobrira uma nodoa no carmezim do divan da sala e achára extripado a unhadas o ventre de uma antiga bergère preciosa, do tempo da senhora infanta D. Anna. Além d'isso, a estroinice dos brutinhos punha uma nota impertinente na monotonia somnolenta da casa, antiga casa cheia de silencio e conforto, onde o piano dormia mezes inteiros e os moveis do salão alinhavam, como collegiaes em revista, os seus bôjos vestidos em camisas de bretanha.   A gatarrona mãi toda insensivel às festas, muda e impertigada como a dona da casa, era tão indolente como esta; e ao lado de D. Consuelo, sobre uma almofada de sêda, dormia dias inteiros, com uma colleira escarlate de fechos de ouro. Só ella, com a sua idade circumspecta e a sua molleza freiratica, dizia bem no salão de côres austeras em que D. Consuelo recebia os padres de S. Luiz e as irmãs do Coração de Maria, e levava as tardes sepultada na voltaire, toda amortalhada em velludo negro, touca de rendas pretas e as Meditações sobre o divino Jesú nos joelhos. De fórma que, um domingo determinou expulsar do santuario os patifes ruidosos, o que alegrou Fernanda vivamente: ia emfim ser toda d'aquelles garotinhos gentis e ferozes.   Era domingo, luminoso dia de primavera germinadora e florida, sonora de rumores de gente festiva e cortado de vôos d'andorinhas meigas, que entravam a construir os ninhos pelas cimalhas das aguas-furtadas. Fernanda não quiz almoçar sem que os bichos viessem; conseguira dois lugares á mesa para elles; a gatinha ficar-lhe-hia quasi no collo, o gato mais longe, com um pratinho de porcellana provido dos melhores bocados. E que nome lhes poriam? Foi um meditar profundo sobre o problema.   Houvera em casa uma gata franceza, que morrera de velha e tinha um rabo branco caricioso - a Blanche. Pobre querida! Estava sepultada no jardim entre duas roseiras de todo o anno. E Fernanda recordava o seu modo subtil de se roçar pelas saias á comida, com o rom-rom dolente de uma beata offerecendo rezas, e o seu comer difficultoso de desdentada, rejeitando os ossos das perdizes e preferindo bolos fôfos, de recheios aromaticos, que ao almoço se serviam em pilhas, sobre cabazinhos de rosas, de velho Sèvres rocócó. E apparacera morta uma manhã de inverno, ao pé do lago. A gatinha devia chamar-se Blanche tambem, um nome da côr do seu vestido setinoso de princeza. Mas o Arthur, o garoto mais velho da casa, era de opinião diversa. Segundo elle, deviam baptisar-- -se os dois bebés, na banheira de marmore do rez-do-chão, sendo elle padrinho, mais o trintanario.   Mergulhariam os moiritos na banheira cheia de uma agua perfumada, ao som de rezas que só elle sabia, e de umas bengaladas valentes, ao primeiro berro que soltassem os neophytos, na banheira trasvasando. Depois do que, seria servido vinho aos pequenos, com applicação de pancadaria supplementar e guizadas ao pescoço - o que os tornaria fortes, avisados e aptos á comprehensão da vida e á constância na lucta com as arganassas, que por acaso encontrassem nas excursões á despensa ou ás cocheiras da casa. Fernanda magoou-se com semelhantes opiniões, e quasi chorou pelos pobres innocentes que lhe mandava, do fundo do seu conforto beato e egoista, a boa tia Consuelo. Quando elles chegaram num cabaz de vimes, com laços ao pescoço e um pouco assustados da jornada, Fernanda não sabia que fazer para melhor exprimir a sua satisfação: era um côro de risos candidos e gorgeios innocentes; ia do pai para os joelhos da mamã, e esquecida já das maldades do Arthur passava-lhe os braços ao pescoço, cobrindo-lhe a face de beijos. Quizera para os dois gatinhos todo um palacio de sêda e gulodices, com o seu trem completo de cozinha, a longa bateria de peças de folha reluzentes e pequenas, fogões installados nos respectivos poiaes de madeira pintada, um serviço de porcelana fina, mobilia e carruagens elegantemente forradas a pedaços de setim de todas as côres, lavatorios e leitos, uma multidão de objectos microscopicamente construidos, que a paciencia da mamã adquirira, durante uma semana inteira de investigações, pelos armazens de quinquilharias da cidade. E a installação, que encantadora e que trabalhosa!...   A gatinha saltava desdenhosamente por cima das ottomanas e das causeuses delicadas, atirava com lavatorios e caçarolas, fazendo com a cauda desabar os guarda-louças tão ricamente providos. Quanto ao gato, foi impossivel metê-lo no kiosque dourado onde tantas preciosidades de mobilia se accumulavam. Ao primeiro esforço de Fernanda para o fazer entrar, assoprou raivoso, desembainhando unhas ameaçadoras contra a dôce protectora, que tão generosamente lhe offertára opulencia e conforto. E apenas o largaram no parquet, desatou a fugir pelas salas como um desalmado evadido. Em breve, Fernanda se persuadiu da impossibilidade completa de fazer caseiro o ménage.  E a pomposa e pequenina residencia passou a ser habitada por uma familia extraordinaria de bonecas de todos os tamanhos. A paixão do loiro amorzinho pelos dois maus animaes vertia agora o fel de uma ingratidão profunda. Ella não podia comprehender realmente o desdem soberano dos gatos pelas magnificas provas de amor que lhes dera, no seu enthusiasmo de pequena caprichosa. E nos primeiros dias, os seus afagos para o gatinho orvalhavam-se das lagrimas d'um resentimento angelico e mal contido. Elles, os dois patifes, adquiriram pouco a pouco a sua franca e leviana liberdade; ao almoço e ao jantar subiam pelos vestidos e pela toalha, reclamando em voz alta o seu talher de pessoas de familia; atacavam sem a menor cerimonia os pratos que apanhavam sem guarda no aparador e nas bancas da cozinha; iam miar em côro por baixo das alcofas da carne crua e dos cabazes providos de peixe fresco; escamugiam-se surrateiramente para a despensa a encherem os bandulhos de quanto apanhavam de succulento, e umas vezes por outras, nas noites humidas e chuvosas, tinham o pessimo costume de afiar as unhas nos mognos polidos e nos estofos matizados dos gabinetes, sulcando e rasgando, sem preferencia e sem attenção de preços. Fernanda ria com elles e achava-os de uma graça captivante.   E a todo o transe defendia-lhes as velhacadas, orgulhosa de soffer pelos que amava com tamanha loucura.   Chegou o dia dos annos do Arthur - uma quinta-feira, em maio. Determinaram ir passar o dia á quinta, em Carriche.   Ia a boa dama Consuelo, as pequenas Magalhães, as primas Lopes e todo o mundo infantil da familia. Na vespera, disfarçadamente, em quanto o Arthur estava no colegio, Fernanda sahira com a mamã á compra de presentes para o dia seguinte. Tinha um mundo de projectos na mente: torres ideaes de cartonagem com sinos dourados e portaes de columnellos; jardins de cascatas surprehendentes, grandes exercitos de chumbo formados em ordem de ataque com baterias de latão; as arcas de Noé em que reside um mundo inteiro de bugigangas coloridas; esquadras empavezadas de flammulas com almirantes de estanho, commandando tripulações de madeira suissa; pequeninos theatros com figuras de verniz e paizagens ternas de Nuremberg; tudo quanto a phantasia pode realizar de pueril e caprichoso e quanto uma criança pode exigir, na incoherencia dos seus devaneios côr de rosa.   A mamã aconselhava um cabazinho de dôces frescos, do Baltresqui. Era mais delicado! Mas Fernanda tinha os olhos numa cathedral de madeira branca, elegantissima de cupulas e rendilhados, por cujo pórtico profundo e alto na sua escadaria de balaustres gothicos, uma multidão de fieis ia subindo, collada com gomma arabica.   - Que lindo, mamã, que lindo! dizia ella pousando devotamente as duas mãosinhas toute roses, no magnifico zimborio com ventanas de espelho e ornatos de cartão representando faunos engalfinhados. E imperiosa, impertigada nos tacões dourados dos seus sapatinhos de verniz, declarou que escolhera, e que o Arthur deveria ficar muito encantado de um presente de tal modo original. A cathedral foi conduzida na carruagem com extremas cautelas, ao lado de um chapéo que para a pequenina a mamã escolhera na Emilia d'Abreu. Recolheram cedo a casa, antes do pequeno voltar, e á noite num gabinete fechado e sobre a larga mesa coberta de tapete, os presentes da familia e dos amigos do Arthurinho ostentavam, num soberbo bazar, as suas fórmas pittorescas e os seus matizes originaes. Eram os cabazes de camelias vermelhas bordadas de heras e pequeninos bouquets de violetas de Parma; as bocetas de côres vivas e esmaltes garridos, turgidas de doçarias caras; grupos de porcelana e terre-cuite numa infinidade de posições ingenuas ou garotas. A Laura deixára a sua photographia risonha de cherubim pensativo, um rostinho dôce coroado de uma bella cabelleira loira, em anneis. E os amigos todos, o Alfredo, o José e os dois gemeos Nogueiras, tinham vindo trazer uma lembrança amavel, chicotes, capacetes, cavallos de molas, magicos em caixas, o diabo! Ao centro a cathedral de Fernanda com as suas torres severas, de um gothico amaneirado, e o seu zimborio de columnellos flexuosos, erguia-se magestosamente no meio da cidade de camelias e violetas, e das pinturas vividas dos cofres, cheios de rebuçados e pastilhas e aromatisados das mais finas essencias.   Por entre as corbeilles extravasando côres e perfumes, os gitanos de terre-cuite dançavam aos pares, e as pastorinhas de louça com os seus trajos coloridos e os seus rostinhos frescos, pareciam de antemão celebrar a formosa manhã a desabrochar no anniversario do dia seguinte.   Como o Arthur ficaria contente, quando ao outro dia abrissem á sua curiosidade, aquelle profuso mundo de brinquedos e gulodices!... E Fernanda, nos bicos dos sapatinhos e sem fazer ruido, arrumava e dispunha tudo, ao lado da mamã, tocando com as pontas dos dedos as cousas, como numa capella, absorta num extasi profundo de sonhos innocentes, como se o seu espirito viajasse por um grande paiz de quinquilharias ideaes e maravilhosas.   Quando acabaram a tarefa, a mamã sentou-a no collo, commovida por aquella dedicação fraternal e solicita que tudo queria para presente d'annos do Arthur; beijaram-se ambas, por muito tempo.   - É verdade, disse Fernanda, e o chapéo?   A mamã foi buscar o chapéo: era um delicioso bijou de palha amachucado á banda, com um ramilhete de myosotis adoravelmente perdido num tufo de gaze fina, tão fina que mal se apertava na mão, parecendo espumar por entre os dedos, como Champagne vertido de uma torneira.   A pequenina quiz pô-lo: ficava graciosamente, um pouco tombado sobre os olhos.   De sob as abas, em caprichosos rodopios, rebentava a cabelleira loira de cherubim, que adquiria contra a luz transparencias de oiro fino, em quanto uma onda de tule branco ia cingir-lhe o pescoço, como aragens tecidas por mãos de princezas mouriscas, das que fallam os contos do Meio-dia.   O desejo de Fernanda era não tirar mais esse pequenino e fresco chapéo, cuja aba tombada enchia de uma sombra humida os seus grandes olhos. Mas era forçoso esperar o dia seguinte, quando fossem para a quinta. A pequenina exigiu que o chapéo ficasse sobre a banca, entre os presentes d'annos do Arthur, descoberto e aninhado na sua onda fôfa de tule branco. Esteve ainda a olhal-o: os myosotis com as florinhas miudas, de uma contextura paciente e nitida, dispostas num forte cacho azul, entre folhas verde baço, davam um encanto ingenuo á copa conica, um pouco extravagante talvez. Visto de lado, parecia um ninho de penugens tepidas, de que os passaritos houvessem partido um minuto antes. De repente a sineta tocou: voltava o Arthur do collegio. Fecharam a porta do gabinete muito depressa, não desconfiasse elle. No dia seguinte, quando lhe mostrassem tudo, dizendo: - ahi tens, é para ti... - que loucuras e que jubilos não commoveriam esse vermelho endiabrado, de que os velhos criados tinham já medo! Apenas o gabinete ficou só, a gatinha trepou para cima da mesa, e pôz-se a mirar tudo, dando passadinhas leves, toda cautelosa pelo meio dos presentes accumulados, cheirando e lambendo aqui e além. Nos seus olhitos garotos, um clarão de malicia ingenua, parecia beber enlevadamente os matizes: farejava os cofres por todos os lados, baixando a cabecita, como quem reflecte. Diante da cathedral o seu pasmo pareceu crescer, porque se deteve de pescoço estendido, a medir a altura das cupulas, de patas firmes nos primeiros degraus da escadaria, com prejuizo de dois devotos de cartão, que esmagou com uma indifferença soberana. Deu com o chapéo de Fernanda enroscado na facha de tule branco, e a passadas lentas foi para elle, com o dorso alto, espiralando a cauda, toda contente do achado. A tarde cahia, e o gabinete carregava-se de sombra.   Pela vidraça, a paizagem ganhava manchas sombrias e grandes esbatimentos de um vago picado a pontinhos de gaz rutilante. Subia do bairro commercial e das grandes ruas de transito um tohu-bohu de labutas que esmorecem, e carruagens que se perdem, circulando. Um sino tocava.   No gabinete, faziam-se deslocamentos confusos de fórmas e de aromas, e os olhos da gata phosphorescentes, luziam como dois faroes em fluctuação, na penumbra alastrada em torno. A palha do chapelito gemeu: a gata acaba de enroscar-se no ninho da copa, fazendo posição, para dormir. Nunca sentira cama mais macia e mais dôce que naquelle fundo de chapéo forrado de sêda branca, onde o tule enrolado dava uma molleza preguiçosa de cochim, de edredon! Inda porém não tinha cerrado os olhos, e já o irmãosito, dando um salto agil, cahia em cheio sobre a ampla aba do chapéo, amachucando o precioso cacho de myosotis. A coquette então ergueu a cabecinha ironica com um meneio creoulo de amante benevola. De cima da aba curva, como de cima de um muro, pendia a patinha do gato, toda branca e nervosa, desafiando.   Essa pata estendeu-se, estendeu-se, e subtil, como num jogo de prendas, deu uma sapatadasita no craneo da femea, retrahindo-se logo. Mas a gatinha parecia querer dormir e aninhou-se de novo no seu fundo de copa, onde a sêda punha a alvura caridosa de uma alcova.   A tactica do gato mudou então: rebolando-se lascivamente pelo declive da aba, o marau poude attrahir a si todo o tule da facha livre, que Fernanda enrolára ao pescoço, um momento antes.   Uma vez envolto nas ondas de espuma do tecido, entrou a arrastar o chapéo atraz de si, pela mesa fóra. Foi o signal: a gatinha sacudiu rapidamente a somnolencia, espreguiçou-se com uma distensão prolongada de patas e de espinha dorsal, escancarando a goela e distendendo as unhas. Esse movimento largo desenhou vigorosamente o corpinho de fera contente, que desperta. O dorso, de uma alvura singular de arminho, teve um lampejo brusco de scentelha, quando o craneo chato e muito curto, de maxillas ferozes, roçou com um deleite perfido de volupia, as pennugens imperceptiveis das patas, armadas terrivelmente de alfanges curvos. Com um pulo agachou-se na copa do chapéo, como numa caverna, á espreita. O seu olho inquieto fuzilava. Todo corpo encolhido, percorria de pequeninos fremitos de impaciencia, que as orelhas continuavam, imprimindo á cabeça um grande cunho de astucia recalcada. O gato vinha de rastos apagando o som dos movimentos, garrido no seu tule como um pagemzito aventureiro. E á medida que elle vinha, o pescoço da gata, do outro lado da aba, alongava-se, escorregando dôcemente pela sêda do forro. Por fim as patas encontraram-se, e cada qual disputou o tule, ás unhadas, a dente. A facha, que se desenrolava do corpo d'elle acabou em frangalhos nas unhas dos dois.   Um golpe desunira porém duas fibras de palha, da aba derrubada. O gatinho metteu a cabecita pela abertura, radiante de maldade, e foi morder o cacho de myosotis. Do seu lado a gata continuou a obra, descobrindo os dentinhos brancos. Mas em breve o destroço se propagou aos presentes d'annos do Arthur, com uma rapidez de saque premeditado. As corbeilles viram-se despojadas das suas cintas de hera, reluzentes e excentricamente recortadas, e dos seus maciços de camelias reaes. Na vertigem do can-can desenfreado, que os dois diabitos armaram por cima da banca, tpdos os objectos leves eram arrojados para a banda num rodopio constante: os gitanos partiram braços e pernas, as pastorinhas ficaram sem cabeça, algumas bocetas violentadas cederam, e foi um destroço geral de natas, especiarias e recheios. Um rebuçado d'ovos ficou pegado á cathedral de Fernanda, obstruindo o portico por onde os devotos de cartão começavam a entrar, envernizados e festivos. E a valsa extraordinaria continuava sempre sem respeito e sem cansaço. Na manhã do dia seguinte, em quanto no pateo o cocheiro punha o landeau, e as carruagens chegavam trazendo os priminhos e as numerosas tias, Fernanda, com uma deliciosa tunica azul céo e um largo collar de marinheiro bretão, foi chamar o Arthur que acabava de vestir-se.   - Bons dias, disse ella, beijando-o. Tens alli muitos bonitos, vem vêr.   O pequeno não quiz saber de mais; foi ás carreiras abrir a porta, e entrou cheio de avidez, no gabinete onde estavam dispostos os presentes.   Ao principio, Fernanda e o irmão entreolharam-se num desolamento indescriptivel, vendo os dois gatinhos abraçados que dormiam tranquillos, no meio das ruinas do soberbo bazar construido na véspera. E tão socegados como se nada lhes pezasse do que haviam feito!   - Olha, balbuciou Fernanda sentindo as lagrimas na garganta, estragaram tudo!   - É verdade, fez attonito o Arthur.   Veio-lhe um impeto de raiva sanguinea contra os dois patifes, que pareciam zombar com os seus tranquillos olhares, da assolação que haviam feito. E com o primeiro chicote que viu, descarregou nos lombos do grupo uma vergastada sibilante, que arrancou um berro ás duas gargantas contrahidas.   Diante do esqueleto do gracioso chapéo de palha, tão pittorescamente ornado do seu cacho de myosotis, a pequenita, cruzando as mãozinhas pallidas, de uma esculptura fina e reticulada de veias microscopicas, chorava silenciosamente as perolas de uma dôr serena e de um amor espesinhado de ingratidões - porque amára com paixão os ingratos pupilos.   - Seus maus! dizia ella sempre que os via na cozinha, já crescidos, dormitando na mesma cadeira.   Mas quasi sempre, a sua mão esquecida e meiga, lhes ia afagar as cabeças somnolentas e chatas, como de dois pequeninos tigres preguiçosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; F. D'Almeida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116315760814007972?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116315760814007972/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116315760814007972&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116315760814007972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116315760814007972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/11/histria-de-dois-patifes.html' title='História de dois patifes'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116229582075567367</id><published>2006-10-31T12:57:00.000+01:00</published><updated>2006-10-31T12:58:08.646+01:00</updated><title type='text'>Pai e filho</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/paifilho.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/paifilho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;www.pulodolobo.blogspot.com &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116229582075567367?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116229582075567367/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116229582075567367&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116229582075567367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116229582075567367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/10/pai-e-filho.html' title='Pai e filho'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116228466747481011</id><published>2006-10-31T09:51:00.000+01:00</published><updated>2006-10-31T10:07:24.290+01:00</updated><title type='text'>surrealismo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Gmurphy.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Gmurphy.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O surrealismo surge no princípio dos anos vinte com um grupo de poetas liderados por André Bretón, procedentes do dadaísmo (movimento artístico e literário, aparecido na França em 1.916, que preconizava a volta a um primitivismo infantil).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É assim um movimento artístico de vanguarda surgido na França que buscava a exteriorização, lingüística ou plástica da espontaneidade e depurações de ordem racional ou moral. Opondo-se ao impulso anárquico de destruição proposto pelos dadaístas, o surrealismo pretendeu definir uma práctica artística alternativa à tradicional. Traz com ele o propósito utópico comum a todos os movimentos vanguardistas:" um homem novo em uma sociedade nova".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1.924, André Breton, ao publicar seu primeiro manifesto do surrealismo, propôs aos artistas e escritores para que expressassem o pensamento de maneira livre, espontânea e irracional, externando os impulsos da vida interior, sem exercer sobre ele qualquer controle, inclusive de ordem estética ou moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo André Breton, "Surrealismo é o automatismo psíquico puro pelo qual se propõe expressar, verbalmente, por escrito, ou de qualquer outra maneira, o funcionamento real do pensamento. O pensamento é ditado com ausência de qualquer outro exercício da razão, a margem de toda preocupação com estética ou moral. Noutras palavras: existe outra realidade, tão real e lógica como a exterior, que é a dos sonhos, da fantasia, dos jogos espontâneos do inconsciente que se desenvolve a margem de toda a função filosófica, estética ou moral.&lt;br /&gt;Assim, o movimento pretendeu superar a realidade fragmentária e falsa apresentada pela nossa lógica, nossa moral e nossa estética rígida, para chegar a uma realidade superior. Propõe-se assim a afastar o que é convencional e fazer surgir a parte do homem que menos se expressa: o subconsciente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como estética, o surrealismo quis ir além da mera reprodução da realidade que até ao momento imperava. Para o surrealismo toda expressão artística deve referir-se não ao modelo externo, mas sim a outro, o interno, não condicionado por modelos culturais. Para atingir a esse "modelo interior", os surrealistas propuseram uma série de técnicas (automatismo, associações livres, hipnoses, "colagem" etc.)  destinadas a liberar o potencial imaginativo e criativo do subconsciente. Desse modo, como característica do movimento podemos enumerar: a natureza aparece nas obras de forma hostil, os seguidores são influenciados pela psicanálise de Freud, sobressai o que é inconsciente, rejeita-se o consciente. O tema principal é o "sonho".&lt;br /&gt;Foi assim que fora de qualquer preocupação estética ou moral, nasceu o surrealismo da pintura metafísica ambiental de De Chirico, Carrà e Moran.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os principais precursores do surrealismo temos: Willian Blakem Odilon Redon, Hieronymos Bosch e até mesmo Goya. Os inspiradores directos do movimento foram: Hegel, Apollinaire e principalmente Sigmund Freud. Isso mesmo, aquele da psicanálise.&lt;br /&gt;Entre os pintores são citados: Chagal, Max Ernest, Ives Tanguy, André Masson, René Magritte, &lt;a href="http://www.angelfire.com/pa/genesis4/PICASSO.html"&gt;Picasso&lt;/a&gt;, &lt;a href="http://www.angelfire.com/pa/genesis4/MIRO.html"&gt;Joan Miró&lt;/a&gt; e a grande estrela desse movimento:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dalí (Espanha-Figueras 1904-1989) apesar de se incorporar ao surrealismo quando o movimento já contava com alguns anos de existência e se de separar do mesmo relativamente rápido, é considerado pela imensa maioría de público como o paradigma do artista surrealista.&lt;br /&gt;Isso se deve não só ao fanatismo com que ele se entregou à expressão onírica e a interpretação dos sonhos, como também à forma deliberadamente provocativa com que se supos exiibir todas as circunstancias íntimas de sua vida e seu pensamento.&lt;br /&gt;Dalí foi um pintor surrealista de fanática dedicação. Seu método, chamado de "paranoicocrítico"- pareceu ajustar-se em um todo à sua pintura pela "excitação provocada pelas faculdades de espírito" e pela "organização de uma produção voluntaria e regular do objetivo".&lt;br /&gt;Entre os anos 1937-1938, por sugestão do classicismo, Dalí situa a sua arte numa zona, que, se é heterodoxa a respeito do surrealismo programático, não deixa de estar ligada por fios subtís ao" sistema em vigor". Bretón denunciou a "impureza" e  expulsou-o do movimento.&lt;br /&gt;Hoje em dia a pintura de Dalí pode dizer-se que continua atada à mesma sistemática intima, mesmo quando com uma alteração de nome. Se antes foi "paranoicocrítico", agora chama-se "misticismo". Isso se deve a falta de sua associação "legal" ao surrealismo. É por tudo isso, que sua personalidade é distinguida há trinta anos.&lt;br /&gt;Quem sabe, a melhor definição "didáctica" sobre o que é o surrealismo pode ser obtida examinando o quadro quase fotográfico de Cristo, na obra de Dali intitulada "Cristo de San Juan de la Crúz" (1951). Nela, Cristo paira sobre o mundo. Contudo, nossa visão está acima de Cristo, acima do mundo. Isso só pode acontecer numa visão surrealista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No cinema, numa co-produção com Dali, o espanhol Luís Buñuel, produziu Um Cão Andaluz (1928).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixando um pouco Dali de lado, e como já foi dito, seguindo os princípios do surrealismo, poetas e pintores extravasaram as suas fantasias, de forma livre, procurando encontrar na profundeza da alma e do espírito a realidade objectiva. Os surrealistas procuram essa utopia liberando o mundo para o lado passional, para o inconsciente que havia sido revelado pelo psicanalista Freud. Sonhos e desejos são o material favorito do surrealismo. O artista tenta colocar em contacto o seu subconsciente com a obra de arte, eliminando a consciência no acto criativo. Serve-se de múltiplos caminhos: os sonhos, os mitos, a fantasia, as visões, as alucinações que produzem as drogas. Com tudo isso, procuram encontrar a percepção sensitiva e as possibilidades de expressão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o surrealismo, além de sua dimensão artística teve um objectivo último, e em certo modo transcendente: uma radical renovação da humanidade, através da transformação dos seus esquemas culturais, pois segundo Breton: "o homem tem guardada em seu próprio pensamento, uma realidade desconhecida da qual depende, sem dúvida, a organização futura do mundo".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116228466747481011?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116228466747481011/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116228466747481011&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116228466747481011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116228466747481011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/10/surrealismo.html' title='surrealismo'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116187863803444509</id><published>2006-10-26T18:03:00.000+02:00</published><updated>2006-10-26T18:10:49.203+02:00</updated><title type='text'>Evangelho segundo Sao Tomáz</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/albright.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/albright.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"QUANDO FORMARDES OS DOIS UM,&lt;br /&gt;E O INTERNO COMO O EXTERNO,&lt;br /&gt;E O ALTO COMO O BAIXO,&lt;br /&gt;A FIM DE FAZER O MACHO E A FÊMEA EM UM SÓ,&lt;br /&gt;PARA QUE O MACHO NÃO SE FAÇA MACHO,&lt;br /&gt;E A FÊMEA NÃO SE FAÇA FÊMEA,&lt;br /&gt;INGRESSAREIS ENTÃO NO REINO".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(dito 23 do Evangelho segundo São Tomáz)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116187863803444509?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116187863803444509/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116187863803444509&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116187863803444509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116187863803444509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/10/evangelho-segundo-sao-tomz.html' title='Evangelho segundo Sao Tomáz'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116168947972154638</id><published>2006-10-24T13:31:00.000+02:00</published><updated>2006-10-24T13:39:00.863+02:00</updated><title type='text'>Nada de novo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Murnau_LastLaugh_2.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Murnau_LastLaugh_2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“… Além disso o povo não faz boas nem más acções e raríssimas vezes se move por sistema nem por reflexão: será cortês ou grosseiro, sisudo ou ralhador, pacífico ou insultador, conforme for tratado pelo seu cura, pelo seu juiz, pelo escudeiro ou lavrador honrado. O povo imita as acções dos seus maiores. A gente das vilas imita o trato das cidades à roda; as cidades o trato da capital; e a capital o da corte. Deste modo, que a mocidade plebeia tenha ou não mestre, os costumes (cultura), que tiver serão sempre a imitação dos que virem nos seus maiores, e não do ensino que tiveram nas escolas …”.&lt;br /&gt;www.pulodolobo.blogspot.com &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116168947972154638?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116168947972154638/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116168947972154638&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116168947972154638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116168947972154638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/10/nada-de-novo.html' title='Nada de novo'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116117724741980606</id><published>2006-10-18T15:14:00.000+02:00</published><updated>2006-10-18T15:18:35.653+02:00</updated><title type='text'>O amor em visita</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/master-naked-woman.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/master-naked-woman.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra&lt;br /&gt;e seu arbusto de sangue. Com ela&lt;br /&gt;encantarei a noite.&lt;br /&gt;Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.&lt;br /&gt;Seus ombros beijarei, a pedra pequena&lt;br /&gt;do sorriso de um momento.&lt;br /&gt;Mulher quase incriada, mas com a gravidade&lt;br /&gt;de dois seios, com o peso lúbrico e triste&lt;br /&gt;da boca. Seus ombros beijarei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cantar? Longamente cantar.&lt;br /&gt;Uma mulher com quem beber e morrer.&lt;br /&gt;Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave&lt;br /&gt;o atravessar trespassada por um grito marítimo&lt;br /&gt;e o pão for invadido pelas ondas -&lt;br /&gt;seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes.&lt;br /&gt;Ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento&lt;br /&gt;de alegria e de impudor.&lt;br /&gt;Seu corpo arderá para mim&lt;br /&gt;sobre um lençol mordido por flores com água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;H. Hélder&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116117724741980606?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116117724741980606/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116117724741980606&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116117724741980606'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116117724741980606'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/10/o-amor-em-visita.html' title='O amor em visita'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116109504371460710</id><published>2006-10-17T16:24:00.000+02:00</published><updated>2006-10-17T16:28:23.266+02:00</updated><title type='text'>fightening for art</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/munter.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/munter.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;When Allied bombs poured down on Germany, people close to Adolf Hitler realized that he was emotionally more disturbed by the destruction of historic buildings than by the deaths of his fellow Germans. Nazi propagandists, rather than attempting to hide his reaction, did all they could to make it known. They believed Germans would interpret Hitler's feelings not as proof of heartlessness but as evidence of an elevated artistic sensibility that even total war had not been able to destroy.&lt;br /&gt;Possibly that's the way many Germans saw it. Every country values whatever it considers high culture. The Germans recently reacted with commendable fury when the Deutsche Oper in Berlin cancelled performances of Mozart's Idomeneo on the grounds that it might incite Muslims to violence; the severed heads of Jesus, Buddha and Muhammad appear in one scene and, as the director of the company noted, "We live in a very sensitive time." Public outrage has since forced the company to announce that it may reschedule the production if the authorities can make certain security guarantees.&lt;br /&gt;But at times German cultural pride has become so obsessive that it's distorted the development of society. In an audacious new book, The Seduction of Culture in German History (Princeton University Press), Wolf Lepenies blames the catastrophes of 20th-century German politics on a tendency to overrate culture at the expense of politics.&lt;br /&gt;A sociologist with a wide-ranging literary intelligence, Lepenies is among Germany's leading intellectuals. Tomorrow, at the close of the Frankfurt Book Fair, he'll accept the $36,000 Peace Prize of the German Book Trade, joining a list of laureates that includes Martin Buber, Susan Sontag, Vaclav Havel, Amos Oz and Orhan Pamuk.&lt;br /&gt;For generations, German high culture was the great national achievement. In many fields, from music to universities, it set standards that the rest of the world tried in vain to emulate. But in Germany it was so admired that it made politics look shabby and irrelevant. Political accomplishments could be given an aura of legitimacy only if they were compared to art. The admirers of Chancellor Otto von Bismarck, who unified Germany in 1871, liked to call him a political sculptor or the Rembrandt of German politics. In the summer of 1870, with Germany going to war against France, even the 26-year-old Friedrich Nietzsche, no one's idea of a patriot, applied for leave from the University of Basel so that he could enlist; he wrote to his mother that France was attacking German culture.&lt;br /&gt;Early in the 20th century, Germans refused to take politics seriously; the idea of compromise to create consensus was not on the German list of virtues. Politics was left to descend into blood-and-iron demagoguery or bogus imitations of high culture. Lepenies points out that the stirring rallies, charisma and soaring ambitions of the Nazis appealed to the public on aesthetic grounds. After the Second World War, when the Allies imposed democracy on Germany and the regime of Konrad Adenauer made it work, intellectuals and artists usually depicted his muted, comprising, humdrum government with lofty disdain.&lt;br /&gt;Lepenies places near the core of his book Thomas Mann's famous 1918 essay, "Reflections of a Non-political Man." Mann argued that democracy was alien to Germans; they were interested in philosophy and music, not voting rights. In fact, they preferred an authoritarian state. He later changed his views (so did most of his fellow citizens) but his essay remains a touchstone in German history.&lt;br /&gt;Culture-obsession produced many preposterous statements from various articulate Germans, but perhaps the most bizarre was a manifesto, "To the Civilized World," issued over the names of 93 well-known German intellectuals and artists in October, 1914, not long after the start of the First World War. They defended Germany's actions as innocent and necessary. For instance, Germany, being a peace-loving nation, had not violated Belgium's neutrality but had simply anticipated the invasion of Belgium by the French and British.&lt;br /&gt;Most important, they said, foreign nations were making war not on German militarism but on German culture. The intellectuals solemnly promised to fight for the legacy of Goethe, Beethoven and Kant, which was as sacred to them as German soil.&lt;br /&gt;Tragic history later added a powerful overlay of irony to their words. The 1914 statement was drafted by Ludwig Fulda, a playwright whose work reached as far as Hollywood (and provided Greta Garbo's last vehicle, Two-Faced Woman). A passionate German nationalist in 1914, he became nationalism's victim when it took a new form under Hitler. He was a Jew who committed suicide in 1939.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116109504371460710?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116109504371460710/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116109504371460710&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116109504371460710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116109504371460710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/10/fightening-for-art.html' title='fightening for art'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-116108617061595167</id><published>2006-10-17T13:56:00.000+02:00</published><updated>2006-10-17T14:00:35.116+02:00</updated><title type='text'>O suave milagre</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/alechinsky.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/alechinsky.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse tempo Jesus ainda se não afastara da Galileia e das doces, luminosas margens do lago de Tiberíade: – mas a nova dos seus Milagres penetrara já até Enganim, cidade rica, de muralhas fortes, entre olivais e vinhedos, no país de Issacar.Uma tarde um homem de olhos ardentes e deslumbrados, passou no fresco vale, e anunciou que um novo Profeta, um Rabi formoso, percorria os campos e as aldeias da Galileia predizendo a chegada do Reino de Deus, curando todos os males humanos. E enquanto descansava, sentado à beira da fonte dos Vergéis, contou ainda que esse Rabi, na estrada de Magdala, sarara da lepra o servo de um Decurião romano, só com estender sobre ele a sombra das suas mãos; e que noutra manhã, atravessando numa barca para a terra dos Gerasénios onde começava a colheita do bálsamo, ressuscitara a filha de Jaira, homem considerável e douto que comentava os Livros na Sinagoga. E como em redor, assombrados, seareiros, pastores, e as mulheres trigueiras com a bilha no ombro, lhe perguntassem se esse era em verdade o Messias de Judeia, e se diante dele refulgia a espada de fogo, e se o ladeava, caminhando como as sombras de duas torres, as sombras de Gog e de Magog – o homem, sem mesmo beber daquela água tão fria de que bebera Josué, apanhou o cajado, sacudiu os cabelos, e meteu pensativamente por sob o aqueduto, logo sumido na espessura das amendoeiras em flor. Mas uma esperança, deliciosa como o orvalho nos meses em que canta a cigarra, refrescou as almas simples: logo, por toda a campina que verdeja até Ascalon, o arado pareceu mais brando de enterrar, mais leve de mover a pedra do lagar: as crianças, colhendo ramos de anémonas, espreitavam pelos caminhos, se além da esquina do muro, ou de sob o sicômoro, não surgiria uma claridade: e nos bancos de pedra, às portas da cidade, os velhos, correndo os dedos pelos fios das barbas, já não desenrolavam, com tão sapiente certeza, os ditames antigos.Ora então vivia em Enganim, um velho, por nome Obed, de uma família pontifical de Samaria, que sacrificara nas aras do monte Ebal, senhor de fartos rebanhos e de fartas vinhas – e com o coração tão cheio de orgulho como seu celeiro de trigo. Mas um vento árido e abrasado, esse vento de desolação que ao mando do Senhor sopra das torvas terras de Assur, matara as reses mais gordas das suas manadas, e pelas encostas onde as suas vinhas se enroscavam ao olmo, e se estiravam na latada airosa, só deixara, em torno dos olmos e pilares despidos, sarmentos, cepas mirradas, e a parra roída de crespa ferrugem. E Obed, agachado à soleira da sua porta, com a ponta do manto sobre a face, palpava a poeira, lamentava a velhice, ruminava queixumes contra Deus cruel.Apenas ouvira porém desse novo rabi de Galileia que alimentava as multidões, amedrontava os demónios, emendava todas as desventuras – Obed, homem lido, que viajara na Fenícia, logo pensou que Jesus seria um desses feiticeiros, tão costumados na Palestina, como Apollonius, ou Rabi Ben-Dossa, ou Simão o Subtil. Esses, mesmo nas noites tenebrosas, conversam com as estrelas, para eles sempre claras e fáceis nos seus segredos; com uma vara afugentam de sobre as searas os moscardos gerados nos lodos do Egipto: e agarram entre os dedos as sombras das árvores, que conduzem, como toldos benéficos, para cima das eiras, à hora da sesta. Jesus da Galileia, mais novo, com magias mais viçosas, decerto, se ele largamente o pagasse, sustaria a mortandade dos seus gados, reverdeceria os seus vinhedos. Então Obed ordenou aos seus servos que partissem, procurassem por toda a Galileia o Rabi novo, e com promessa de dinheiros ou alfaias, o trouxessem a Enganim, no país de Assacar.Os servos apertaram os cinturões de couro, – e largaram pela estrada das caravanas, que costeando o Lago, se estende até Damasco. Uma tarde, avistaram sobre o poente, vermelho como uma romã muito madura, as neves finas do monte Hermon. Depois, na frescura de uma manhã macia, o lago de Tiberíade resplandeceu diante deles, transparente, coberto de silêncio, mais azul que o céu, todo orlado de prados floridos, de densos vergéis, de rochas de pórfiro, e de alvos terraços por entre os palmares, sob o voo das rolas. Um pescador que desamarrava preguiçosamente a sua barca de uma ponta de relva, assombreada de aloendros, escutou, sorrindo, os servos. O Rabi de Nazaré? Oh! desde o mês de Ijar, o Rabi descera, com os seus discípulos, para os lados para onde o Jordão leva as águas.Os servos, correndo, seguiram pelas margens do rio, até adiante do vau, onde ele se estira num largo remanso, e descansa, e um instante dorme, imóvel e verde, à sombra dos tamarindos. Um homem da tribo dos Essénios, todo vestido de linho branco, apanhava lentamente ervas salutares, pela beira da água, com um cordeirinho branco ao colo. Os servos humildemente saudaram-no, porque o povo ama aqueles homens de coração tão limpo, e claro, e cândido como as suas vestes cada manhã lavadas em tanques purificados. E sabia ele da passagem do novo Rabi da Galileia que, como os Essénios ensinava a doçura, e curava as gentes e os gados? O Essénio murmurou que o Rabi atravessara o oásis de Engaddi, depois se adiantara para além... – Mas onde, «além»? – Movendo um ramo de flores roxas que colhera, o Essénio mostrou as terras de Além Jordão, a planície de Moab. Os servos vadearam o rio – e debalde procuraram Jesus, arquejando pelos rudes trilhos, até às fragas onde se ergue a cidadela sinistra de Makaur... No Poço de Jacob repousava uma larga caravana, que conduzia para o Egipto, mirra, especiarias e bálsamos de Gilead: e os cameleiros, tirando a água com os baldes de couro, contaram aos servos de Obed que em Gadara, pela lua nova, um Rabi maravilhoso, maior que David ou Isaías, arrancara sete demónios do peito de uma tecedeira, e que à sua voz, um homem degolado pelo salteador Barrabás se erguera da sua sepultura e recolhera ao seu horto. Os servos, esperançados, subiram logo açodadamente pelo caminho dos peregrinos até Gadara, cidade de altas torres, e ainda mais longe até às nascentes de Amalha... Mas Jesus, nessa madrugada, seguido por um povo que cantava e sacudia ramos de mimosa, embarcara no lago, num batel de pesca, e à vela vogara para Magdala. E os servos de Obed descorçoados, de novo passavam o Jordão na ponte das Filhas de Jacob. Um dia, já com as sandálias rotas dos longos caminhos, pisando já as terras da Judeia Romana, cruzaram um Fariseu sombrio, que recolhia a Efraim, montado na sua mula. Com devota reverência detiveram o homem da Lei. Encontrara ele por acaso esse Profeta novo de Galileia que, como um Deus passeando na Terra, semeava milagres? A adunca face do Fariseu escureceu enrugada – e a sua cólera tumbou como um tambor orgulhoso:– Oh escravos pagãos! Oh blasfemos! Onde ouvistes que existissem profetas ou milagres fora de Jerusalém? Só Jeová tem força no seu Templo. De Galileia surdem os néscios e os impostores...E como os servos recuavam ante o seu punho erguido, todo enrodilhado de dísticos sagrados – o furioso Doutor saltou da mula, e, com as pedras da estrada, apedrejou os servos de Obed, uivando, Racca! Racca! e todos os anátemas rituais. Os servos fugiram para Enganim. E grande foi a desconsolação de Obed, porque os seus gados morriam, as suas vinhas secavam, – e todavia, radiantemente, como uma alvorada por detrás de serras, crescia, consoladora e cheia de promessas divinas, a fama de Jesus de Galileia.Por esse tempo, um Centurião romano, Publius Septimus, comandava o forte que domina o vale de Cesareia, até à cidade e ao mar. Publius, homem áspero, veterano da campanha de Tibério contra os Partas, enriquecera durante a revolta de Samaria com presas e saques, possuía minas na Ática, e gozava, como favor supremo dos Deuses, a amizade de Flaccus, Legado Imperial da Síria. Mas uma dor roía a sua prosperidade muito poderosa como um verme rói um fruto muito suculento. Sua filha única, para ele mais amada que vida ou bens, definhava com um mal subtil e lento, estranho mesmo ao saber dos esculápios e mágicos que ele mandara consultar a Sídon e a Tiro. Branca e triste como a lua num cemitério, sem um queixume, sorrindo palidamente a seu pai, definhava, sentada na alta esplanada do forte, sob um velário, alongando saudosamente os negros olhos tristes pelo azul do mar de Tiro, por onde ela navegara de Itália, numa galera enfestada. Ao seu lado, por vezes, um legionário, entre as ameias, apontava vagarosamente ao alto a flecha, e varava uma grande águia, voando de asa serena, no céu rutilante. A filha de Septimus, seguia um momento a ave, torneando, até bater morta sobre as rochas: – depois, mais triste, com um suspiro, e mais pálida, recomeçava a olhar para o mar.Então, Septimus, ouvindo contar a mercadores de Chorazin, deste Rabi admirável, tão potente sobre os Espíritos, que sarava os males tenebrosos da alma, destacou três decúrias de soldados para que o procurassem por Galileia, e por todas as cidades da Decápola, até à costa e até Ascalon. Os soldados enfiaram os escudos nos sacos de lona, espetaram nos elmos ramos de oliveira – e as suas sandálias ferradas apressadamente se afastaram, ressoando, sobre as lajes de basalto da estrada romana, que desde Cesareia, até ao Lago, corta toda a Tetrarquia de Herodes. As suas armas, de noite, brilhavam no topo das colinas, por entre a chama ondeante dos archotes erguidos. De dia invadiam os casais, rebuscavam a espessura dos pomares, esfuracavam com a ponta das lanças a palha das medas: e as mulheres, assustadas, para os amansar, logo acudiam com bolos de mel, figos novos, e malgas cheias de vinho que eles bebiam de um trago, sentados à sombra dos sicômoros. Assim correram a Baixa Galileia – e, do Rabi, só encontraram o sulco luminoso nos corações. Enfastiados com as inúteis marchas, desconfiando que os Judeus sonegassem o seu feiticeiro para que os Romanos não aproveitassem do superior feitiço, derramavam com tumulto a sua cólera, através da piedosa terra submissa. À entrada das pontes detinham os peregrinos, gritando o nome do Rabi, rasgando os véus às virgens: e à hora em que os cântaros se enchem nas cisternas, invadiam as ruas estreitas dos burgos, penetravam nas sinagogas, e batiam sacrilegamente com os punhos das espadas nas Thebahs, os santos armários de cedro, que continham os Livros Sagrados. Nas cercanias de Hébron arrastaram os Solitários pelas barbas, para fora das grutas, para lhes arrancar o nome do deserto ou do palmar em que se ocultava o Rabi: – e dois mercadores fenícios que vinham de Joppé com uma carga de malóbatro, e a quem nunca chegara o nome de Jesus, pagaram por esse delito cem dracmas a cada Decurião. Já a gente dos campos, mesmo os bravios pastores de Idumeia, que levam as reses brancas para o Templo, fugiam espavoridos para as serranias, apenas luziam, nalguma volta do caminho, as armas de bando violento. E da beira dos eirados, as velhas sacudiam como taleigos a ponta dos cabelos desgrenhados, e arrogavam sobre eles as Más-Sortes, invocando a vingança de Elias. Assim tumultuosamente erraram até Ascalon: não encontraram Jesus: e retrocederam ao longo da costa, enterrando as sandálias nas areias ardentes.Uma madrugada, perto de Cesareia, marchando num vale, avistaram sobre o outeiro um verde-negro bosque de loureiros, onde alvejava, recolhidamente, o fino e claro pórtico de um templo. Um velho, de compridas barbas brancas, coroado de folhas de louro, vestido com uma túnica cor de açafrão, segurando uma curta lira de três cordas, esperava gravemente, sobre os degraus de mármore, a aparição do sol. Debaixo, agitando um ramo de oliveira, os soldados bradaram pelo Sacerdote. Conhecia ele um novo Profeta que surgira em Galileia, e tão destro em milagres que ressuscitava os mortos e mudava a água em vinho? Serenamente, alargando os braços, o sereno velho exclamou por sobre a rociada verdura do vale:– Oh romanos! pois acreditais que em Galileia ou Judeia apareçam profetas consumando milagres? Como pode um bárbaro alterar a Ordem instituída por Zeus?... Mágicos e feiticeiros são vendilhões, que murmuram palavras ocas, para arrebatar a espórtula dos simples... Sem a permissão dos Imortais nem um galho seco pode tombar da árvore, nem seca folha pode ser sacudida na árvore. Não há profetas, não há milagres... Só Apolo Délfico conhece o segredo das coisas.Então devagar, com a cabeça derrubada, como numa tarde de derrota, os soldados recolheram à fortaleza de Cesareia. E grande foi o desespero de Septimus porque a sua filha morria, sem um queixume, olhando o mar de Tiro – e todavia a fama de Jesus, curador dos lânguidos males, crescia, sempre mais consoladora e fresca como a aragem da tarde que sopra do Hérmon e através dos hortos reanima e levanta as açucenas pendidas.Ora entre Enganim e Cesareia, num casebre desgarrado, sumido na prega de um cerro, vivia a esse tempo uma viúva, mais desgraçada mulher que todas as mulheres de Israel. O seu filhinho único, todo aleijado, passara do magro peito a que ela o criara para os farrapos da enxerga apodrecida, onde jazera, sete anos passados, mirrando e gemendo. Também a ela a doença a engelhara, dentro dos trapos nunca mudados, mais escura e torcida que uma cepa arrancada. E sobre ambos, espessamente a miséria cresceu como o bolor sobre cacos perdidos num ermo. Até na lâmpada de barro vermelho secara há muito o azeite. Dentro da arca pintada não restava grão ou côdea. No Estio, sem pasto, a cabra morrera. Depois, no quinteiro, secara a figueira. Tão longe do povoado, nunca esmola de pão ou mel entrava o portal. E só ervas apanhadas nas fendas das rochas, cozidas sem sal, nutriam aquelas criaturas de Deus na Terra Escolhida, onde até às aves maléficas sobrava o sustento!Um dia um mendigo entrou no casebre, repartiu do seu farnel com a mãe amargurada, e um momento sentado na pedra da lareira coçando as feridas das pernas, contou dessa grande esperança dos tristes, esse Rabi que aparecera em Galileia, e de um pão no mesmo cesto fazia sete, e amava todas as criancinhas, e enxugava todos os prantos, e prometia aos pobres um grande e luminoso Reino, de abundância maior que a corte de Salomão. A mulher escutava com olhos famintos. E esse doce Rabi, esperança dos tristes, onde se encontrava? O mendigo suspirou. Ah esse doce Rabi! quantos o desejavam, que se desesperançavam! A sua fama andava por sobre toda a Judeia como o sol que até por qualquer velho muro se estende e se goza; mas para enxergar a claridade do seu rosto, só aqueles ditosos que o seu desejo escolhia. Obed, tão rico, mandara os seus servos por toda a Galileia para que procurassem Jesus, o chamassem com promessas a Enganim: Septimus tão soberano destacara os seus soldados, até à costa do mar, para que buscassem Jesus, o conduzissem, por seu mando, a Cesareia. Errando, esmolando por tantas estradas, ele topara os servos de Obed, depois os legionários de Septimus. E todos voltavam, como derrotados, com as sandálias rotas, sem ter descoberto em que malta ou cidade, em que loca ou palácio, se escondia Jesus.A tarde caía. O mendigo apanhou o seu bordão, desceu pelo duro trilho, entre a urze e a rocha. A mãe retomou o seu canto, a mãe mais vergada, mais abandonada. E então, o filhinho, num murmúrio mais débil que o roçar de uma asa, pediu à mãe que lhe trouxesse esse Rabi, que amava as criancinhas ainda as mais pobres, sarava os males ainda mais antigos. A mãe apertou a cabeça esguedelhada:– Oh filho! e como queres que te deixe, e me meta aos caminhos, à procura do Rabi de Galileia? Obed é rico e tem servos, e debalde buscaram Jesus, por areais e colinas, desde Chorazin até ao país de Moab. Septimus é forte, e tem soldados, e debalde correram por Jesus, desde o Hébron até ao mar! Como queres que te deixe? Jesus anda por muito longe e a nossa dor mora connosco, dentro destas paredes e dentro delas nos prende. E mesmo que o encontrasse, como convenceria eu o Rabi tão desejado por quem ricos e fortes suspiram, a que descesse, através das cidades até este ermo, para sarar um entrevadinho, tão pobre, sobre enxerga tão rota?A criança, com duas longas lágrimas na face magrinha, murmurou:– Oh mãe! Jesus ama todos os pequeninos. E eu ainda tão pequeno, e com um mal tão pesado, e que tanto queria sarar!E a mãe, em soluços:– Oh meu filho, como te posso deixar? Longas são as estradas da Galileia, e curta a piedade dos homens. Tão rota, tão trôpega, tão triste, até os cães me ladrariam da porta dos casais. Ninguém atenderia o meu recado, e me apontaria a morada do doce Rabi. Oh filho! talvez Jesus morresse... Nem mesmo os ricos e os fortes o encontram. O Céu o trouxe, o Céu o levou. E com ele para sempre morreu a esperança dos tristes.De entre os negros trapos, erguendo as suas pobres mãozinhas que tremiam, a criança murmurou:&lt;br /&gt;– Mãe, eu queria ver Jesus...&lt;br /&gt;E logo, abrindo devagar a porta e sorrindo, Jesus disse à criança:&lt;br /&gt;– Aqui estou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E. de Queirós&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-116108617061595167?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/116108617061595167/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=116108617061595167&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116108617061595167'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/116108617061595167'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/10/o-suave-milagre.html' title='O suave milagre'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115945605814054836</id><published>2006-09-28T17:07:00.000+02:00</published><updated>2006-09-28T17:26:11.353+02:00</updated><title type='text'>A escravatura no Brasil</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/dali.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/dali.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os castigos corporais são comuns, permitidos por lei e com a permissão da Igreja.&lt;br /&gt;As Ordenações Filipinas sancionam a morte e mutilação dos negros como também o açoite. Segundo um regimento de 1633 o castigo é realizado por etapas: depois de bem açoitado, o senhor mandará picar o escravo com navalha ou faca que corte bem e dar-lhe com sal, sumo de limão e urina e o meterá alguns dias na corrente, e sendo fêmea, será açoitada à guisa de baioneta dentro de casa com o mesmo açoite. Outros castigos também são utilizados: retalhamento dos fundilhos com faca e cauterização das fendas com cera quente; chicote em tripas de couro duro; a palmatória, uma argola de madeira parecida com uma mão para golpear as mãos dos escravos; o pelourinho, onde se dá o açoite: o escravo fica com as mãos presas ao alto e recebe lombadas de acordo com a infração cometida .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que a economia colonial e imperial se baseou no trabalho escravo? O latifúndio monocultor no Brasil exigia uma mão-de-obra permanente. Era inviável a utilização de portugueses assalariados, já que a intenção não era vir para trabalhar, e sim para se enriquecer no Brasil. O sistema capitalista nascente não tinha como pagar salários para milhares de trabalhadores, além do que, a população portuguesa que não chegava aos 3 milhões, era considerada reduzida para oferecer assalariados em grande quantidade. Quem foi utilizado como escravo nos períodos colonial e imperial? Embora o índio tenha sido um elemento importante para formação da colônia, o negro logo o suplantou, sendo sua mão-de-obra considerada a principal base, sobre a qual se desenvolveu a sociedade colonial brasileira. Na fase inicial da lavoura canavieira ainda predominava o trabalho escravo indígena. Parece-nos então que argumentos tão amplamente utilizados, como inaptidão do índio brasileiro ao trabalho agrícola e sua indolência caem por terra. A História verdadeira mostra que a reação do nativo foi tão marcante, que tornou-se uma ameaça perigosa para certas capitanias como Espírito Santo e Maranhão. Além da luta armada, os indígenas reagiram de outras maneiras, ocorrendo fugas, alcoolismo e homicídios como forma de reação à violência estabelecida pelo escravismo colonial. Todas essas formas de reação dificultavam a organização da economia colonial, podendo assim, comprometer os interesses mercantilistas da metrópole, voltados para acumulação de capital. Destaca-se também, a posição dos jesuítas, que voltados para catequese do índio, opunham-se à sua escravidão. Apesar de todos esses obstáculos, o indígena é amplamente escravizado, permanecendo como mão-de-obra básica na economia extrativista do Norte do Brasil, mesmo após o término do período colonial. Por que então que o índio cede lugar para o negro como escravo no Brasil? A maior utilização do negro como mão-de-obra escrava básica na economia colonial, deve-se principalmente ao tráfico negreiro, atividade altamente rentável, tornando-se uma das principais fontes de acumulação de capitais para metrópole. Exatamente o contrário ocorria com a escravidão indígena, já que os lucros com o comércio dos nativos não chegava até a metrópole. Torna-se claro assim, o ponto de vista defendido pelo historiador Fernando Novais, de que "o tráfico explica a escravidão", e não o contrário. Para os portugueses, o tráfico negreiro não era novidade, pois desde meados do século XV , o comércio de escravos era regular em Portugal, sendo que durante o reinado de D. João II o tráfico negreiro foi institucionalizado com a ação direta do Estado português, que cobrava taxas e limitava a participação de particulares. Quanto à procedência étnica do negro, destacaram-se dois grupos importantes: os bantos, capturados na África equatorial e tropical provenientes do Congo, Guiné e Angola, e os sudaneses, vindos da África ocidental, Sudão e norte da Guiné. Interessante observarmos que entre os elementos deste segundo grupo, destacavam-se muitos negros islamizados, responsáveis posteriormente por uma rebelião de escravos ocorrida na Bahia em 1835, conhecida como a Revolta dos Malês. A resistência do negro: os quilombos. Desde fugas isoladas, passando pelo suicídio, pelo banzo (nostalgia que fazia o negro cair em profunda depressão o levando à morte) e pelos quilombos, várias foram as formas de resistência do negro à escravidão, sendo a formação dos quilombos a mais conseqüente. Os quilombos eram aldeamentos de negros que fugiam dos latifúndios, passando a viver comunitariamente. O maior e mais duradouro foi o quilombo dos Palmares, surgido em 1630 em Alagoas, estendendo-se numa área de 27 mil quilômetros quadrados até Pernambuco. Desenvolveu-se através do artesanato e do cultivo do milho, feijão, mandioca, banana e cana-de-açúcar, além do comércio com aldeias vizinhas. Seu primeiro líder foi Ganga Zumba, substituído depois de morto por seu sobrinho Zumbi, que tornou-se a principal liderança da história de Palmares. Zumbi foi covardemente assassinado em 1695 pelo bandeirante Domingos Jorge Velho, contratado por latifundiários da região. Apesar dos muitos negros mortos em Palmaras, a quantidade de escravos crescia muito e em 1681 atingia a cifra de 1 milhão de negros trazidos somente de Angola. O grande número de negros utilizado como escravos, deixa clara a alta lucratividade do tráfico negreiro, responsável inicialmente pelo abastecimento da lavoura canavieira em expansão nos séculos XVI e XVII e posteriormente nas áreas de mineração e da lavoura cafeeira nos séculos XVIII e XIX respectivamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115945605814054836?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115945605814054836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115945605814054836&amp;isPopup=true' title='115 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115945605814054836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115945605814054836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/escravatura-no-brasil.html' title='A escravatura no Brasil'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>115</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115945595024995484</id><published>2006-09-28T17:05:00.000+02:00</published><updated>2006-09-28T17:19:50.393+02:00</updated><title type='text'>femme fatale</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/NicoleKidman.0.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/NicoleKidman.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;www.pulodolobo.blogspot.com &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115945595024995484?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115945595024995484/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115945595024995484&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115945595024995484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115945595024995484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/femme-fatale_28.html' title='femme fatale'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115926519421322629</id><published>2006-09-26T12:06:00.000+02:00</published><updated>2006-09-26T12:12:02.076+02:00</updated><title type='text'>Um amor de cao</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/flower.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/flower.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Myra atravessou os carris desocupados em direcção ao mar. Cresciam ervas e tojo nas juntas e as traves e ferros estavam negros das marés vivas sujas de crude. O céu estava baixo e muito escuro. Havia estrias roxas e verdes na distância branca e areciam, céu e mar, uma única onda a levantar-se para engolir a terra. Myra tirou os sapatos e as meias rotas e ficou parada a ver aquele assombro. Se corresse por ali adentro ninguémdaria com ela nunca mais. Assoou-se à baínha da saia e limpou o resto da cara à manga do casaco de malha. Correu com os braços abertos, um sapato em cada mão, em direcção ao bando de gaivotas poisadas. Gritaram muito e revoaram iradas por cima da cabeça dela, mas não a atacaram. A mãe não teria razão, ou seria na terra dela. Outros mares, outros ares.    Começou a chover, primeiro gotas grossas, depois fios finos e cerrados. Tudo brilhava. Era como vapor de luz que se levantava daquele grande corpo de água arugir. Myra começou a ficar cega de tanta chuva a bater-lhe na cara e a escorrer pelo pescoço. Era como chorar sem gritos. Correu para o barracão onde brincara de escondidas nesse primeiro Verão em que ainda só falava a língua de brincar com os outros, com os olhos, gestos e risos. Correu depressa, saltitando entre detritos, algas mortas que chiavam, baba de espuma amarela que se abatia na chuva.   Estava muito escuro e a água estalava com força atroadora nas chapas de zinco do tecto. Myra fechou a custo o tramelo enferrujado. Doíam-lhe as mãos e os braços de proteger a cabeça da última sova. Ficou na escuridão, até os olhos se habituarem às lâminas de luz das frinchas nas tábuas. Cheirava a salmoura, bafio, peixe estragado, cordame e óleo. Junto às paredes estavam ensarilhados ao alto os paus das barracas, panos de tela desbotada, redes com bóias de vidro, bidons pretos, latas, contentores de plástico esventrados, lixo da praia e do mar. O chão pegava-se aos pés, uma areia imunda e húmida. Com o mundo a desabar por cima da cabeça, Myra sentou-se num molho de corda que lhe picava as nádegas e começou a chorar de aflição; nunca chegaria a casa a tempo de secar antes deles virem, pela noite. Ia apanhar de novo, da ira e do medo.   O latido uivado foi a primeira coisa que a alertou. Depois brados, berros e risos trazidos na ventania e abertas nas águas e rebentação, já muito perto. Myra escondeu-se atrás de um bidon, a cara inchada contra o alcatrão, os olhos arregalados de novo terror, a respirar o menos que podia, o coração a bater por todos os lados.   Dois rapazes grandes entraram com estrondo a arrastar numa corrente um cão que gania e ladravarouco. Com meio olho, Myra viu o cão a sacudir-se com esforço. O pêlo espirrava água e sangue. Depois atirou-se para o chão e ali ficou. Puxaram-no para um canto com algum cuidado e incentivo, amarraram a corrente e taparam-no com uma manta que sacudiram da água. Disseram-lhe que era um grande cão, o melhor de todos,riram a lembrar a goela aberta do outro a espernear à morte e disseram ao cão que ficasse. Eles logo voltariam, que ele valia mais que o peso em ouro. Ele ficou. Riram-se mais e fecharam o tramelo de fora com toda a força. Ao longe ainda bradavam, rapidamente ao longe, corriam.   A chuva abrandou. Pingolejava agora em tampas, fundos de alguidar e latas de zinco. Myra saiu do esconderijo de rojo, devagar. O cão não era dos maiores, mas era grande. Tinha o peito muito ancho e encorpado, o pêlo curto e malhado de branco e camurça.Os olhos eram preto-vivo, muito para cada lado da cabeça achatada e larga. Parou de lamber-se e ficou fito nela, todo quieto e inquieto nas narinas grandes e pretas. Myra reconheceu-lhe a traça, de há tantos anos e tão longe terra: eram os cães de matar cães, o pior cão do mundo. O mais valente, até à demência de morrer de raiva. Atarracado de força, nobre e tão mau.   Continuou a aproximar-se de gatas. O animal sem ruído, sem fazer menção de levantar-se, mostrou-lhe as presas. Myra, respeitosa, quebrou o intenso laço do olhar e acocorou-se, os braços entre as pernas, à distância da corrente. O bicho deitou a cabeça entre as patas, desceu as orelhas curtas, uma delas esfacelada, fechou o beiço, uma chaga aberta da orelha até à comissura da grande boca. A luz coada ia esmorecendo. Na meia penumbraMyra deixou-se amolecer, gemeu. O cão voltou a olhá-la e ganiu um ganido de cachorro, um gemido. A omoplata ainda sangrava de outra ferida que brilhavano escuro, um coalho preto que escorria devagar até à ponta da manta. Myra, sem se aproximar deu-lhe o nome que lhe ouvira chamar e começou a falar-lhe de manso na sua língua materna. Desgraçado, desgraçado Rambo, pobrezinho de ti. O animal, sem se mover, esboçou um trejeito de cauda. Deixou de a fitar e recomeçou a lamber-se. Com mil cuidados lentos, Myra tirou do bolso o pão com a salsicha que roubara da lata da casa comum e pô-1o bem perto do nariz do cão, em cima da manta. Toma, come cão, depois arranjamos mais. O cão virou a cabeça de lado para abocanhar do beiço intacto, soergueu o tronco e começou a comer. Myra levantou-se e foi buscar uma tampa de lata com água da chuva.Foi então que Myra pensou que se tinha urinado de medo. As pernas estavam pegajosas, molhadas por dentro. Apalpou-se e viu pela mancha escura nos dedos que era sangue vivo. Havia de ser hoje, a primeira vez, disse sem medo para o cão. Pousou-lhe a água diante. Ele levantou-se e deixou-a chegar-se. Bebeu, a cauda comprida claramente grata. O rabo estava a saber sorrir. Depois começou a lamber-lhe um dos pés nus, o artelho encardido, e Myra pousou-lhe a mão no grande cachaço com muita doçura e determinação. Fomos feitos um para outro, Rambo. Agora temos de fugir antes que eles venham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M.V. Costa&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115926519421322629?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115926519421322629/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115926519421322629&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115926519421322629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115926519421322629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/um-amor-de-cao.html' title='Um amor de cao'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115920089758546251</id><published>2006-09-25T18:14:00.000+02:00</published><updated>2006-09-25T18:18:46.880+02:00</updated><title type='text'>Lúbrica</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/colours.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/colours.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandaste-me dizer,&lt;br /&gt;No teu bilhete ardente,&lt;br /&gt;Que hás-de por mim morrer,&lt;br /&gt;Morrer muito contente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançaste no papel&lt;br /&gt;As mais lascivas frases;&lt;br /&gt;A carta era um painel&lt;br /&gt;De cenas de rapazes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ó cálida mulher,&lt;br /&gt;Teus dedos delicados&lt;br /&gt;Traçaram do prazer&lt;br /&gt;Os quadros depravados!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Contudo, um teu olhar&lt;br /&gt;É muito mais fogoso,&lt;br /&gt;Que a febre epistolar&lt;br /&gt;Do teu bilhete ansioso:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do teu rostinho oval&lt;br /&gt;Os olhos tão nefandos&lt;br /&gt;Traduzem menos mal&lt;br /&gt;Os vícios execrandos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus olhos sensuais&lt;br /&gt;Libidinosa Marta,&lt;br /&gt;Teus olhos dizem mais&lt;br /&gt;Que a tua própria carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As grandes comoções&lt;br /&gt;Tu, neles, sempre espelhas;&lt;br /&gt;São lúbricas paixões&lt;br /&gt;As vívidas centelhas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Teus olhos imorais,&lt;br /&gt;Mulher, que me dissecas,&lt;br /&gt;Teus olhos dizem mais,&lt;br /&gt;Que muitas bibliotecas !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C. Verde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115920089758546251?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115920089758546251/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115920089758546251&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115920089758546251'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115920089758546251'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/lbrica.html' title='Lúbrica'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115917390661082435</id><published>2006-09-25T10:45:00.000+02:00</published><updated>2006-09-25T10:46:53.516+02:00</updated><title type='text'>A vergonha do século</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/tresor.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/tresor.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É triste que os governantes portugueses aceitem pouco mais de 1 milhão de contos pelas mais importantes jóias da coroa portuguesa. O Estado holandês, além do seguro efectuado, tem responsabilidades por não ter "protegido" eficazmente tal tesouro. Será que em Portugal não existem advogados capazes de processar o Estado Holandês em nome de Portugal? Vão-se contentar com uma pequena esmola ? É, muito, muito triste, que o esforço de todo um povo durante centenas de anos ( proveniente do Brasil e materializado nestas jóias da coroa) seja menosprezado por funcionários menores que não ousam arriscar nem quando os mais altos valores da pátria estão em jogo. Falta de classe e de amor à Pátria. Vendilhões!!!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115917390661082435?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115917390661082435/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115917390661082435&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115917390661082435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115917390661082435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/vergonha-do-sculo.html' title='A vergonha do século'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115876417593106199</id><published>2006-09-20T16:56:00.000+02:00</published><updated>2006-09-20T17:00:45.120+02:00</updated><title type='text'>Malandro do polícia</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Paris-Hilton-is-giving.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Paris-Hilton-is-giving.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só agora é que a malta da Neta soube que a GNR aí de Los Angeles te prendeu. Ainda por cima só por causa de uma margherita. Pobres infelizes que nao têm mais nada que fazer senao arreliar a nossa menina. Estamos já a tratar de recolher assinaturas juntamente com um peditório para te tirar dessa choldra pelintra. Beijinhos .&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115876417593106199?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115876417593106199/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115876417593106199&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115876417593106199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115876417593106199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/malandro-do-polcia.html' title='Malandro do polícia'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115874639299067537</id><published>2006-09-20T11:59:00.000+02:00</published><updated>2006-09-20T12:03:33.190+02:00</updated><title type='text'>Eu e Ela</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/seignac.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/seignac.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Cobertos de folhagem, na verdura,&lt;br /&gt;O teu braço ao redor do meu pescoço,&lt;br /&gt;O teu fato sem ter um só destroço,&lt;br /&gt;O meu braço apertando-te a cintura;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num mimoso jardim, ó pomba mansa,&lt;br /&gt;Sobre um banco de mármore assentados.&lt;br /&gt;Na sombra dos arbustos, que abraçados,&lt;br /&gt;Beijarão meigamente a tua trança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós havemos de estar ambos unidos,&lt;br /&gt;Sem gozos sensuais, sem más idéias,&lt;br /&gt;Esquecendo para sempre as nossas ceias,&lt;br /&gt;E a loucura dos vinhos atrevidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós teremos então sobre os joelhos&lt;br /&gt;Um livro que nos diga muitas cousas&lt;br /&gt;Dos mistérios que estão para além das lousas,&lt;br /&gt;Onde havemos de entrar antes de velhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outras vezes buscando distração,&lt;br /&gt;Leremos bons romances galhofeiros,&lt;br /&gt;Gozaremos assim dias inteiros,&lt;br /&gt;Formando unicamente um coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatos ou pagãos, vida à paxá,&lt;br /&gt;Nós leremos, aceita este meu voto,&lt;br /&gt;O Flos-Sanctorum místico e devoto&lt;br /&gt;E o laxo Cavalheiro de Flaublas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C. Verde&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115874639299067537?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115874639299067537/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115874639299067537&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115874639299067537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115874639299067537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/eu-e-ela.html' title='Eu e Ela'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115866558720377272</id><published>2006-09-19T13:33:00.000+02:00</published><updated>2006-09-19T13:35:34.143+02:00</updated><title type='text'>Who's the next ?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/loboferoz.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/loboferoz.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The pope has apologized for the outrage amongst Muslims sparked by his recent comments. But the episode proves once again that criticizing Islam is dangerous.&lt;br /&gt;Twenty years ago in the German city of Bremen, Dutch comedian Rudi Carrell's life depended on police protection. His offense? In a satirical program on German television, he let fly with a lewd joke about the then leader of the Iranian revolution Ayatollah Khomeini. Mass demonstrations in Iran -- orchestrated, no doubt, by the government -- were the result. The threats of violence led to an apology by Carrell, and he never again made a joke about any Muslim -- at least not on television.&lt;br /&gt;In February 1989, the Ayatollah then released a fatwa calling for the murder of Salman Rushdie for his novel "The Satanic Verses." The book, he and other Muslim leaders claimed, was a grave misrepresentation of Islam. Rushdie's Japanese translator lost his life as a result of the fatwa and Rushdie himself went into hiding, though the Iranian leadership distanced itself from the fatwa in 1998. There remain, however, a number of fanatical Muslims who yearn to see Rushdie dead.&lt;br /&gt;Feminist and Islam critic Ayaan Hirsi Ali, the former Dutch parliamentarian who recently left Holland, also lives under threat of murder. In addition to a number of interesting books about the oppression faced by women in the Muslim world, she also wrote the screenplay for the short film "Submission." In one scene, a verse from the Koran -- demanding that women bend to the will of their husbands -- is projected onto a woman's naked body. The film was provocative, and the filmmaker Theo van Gogh paid for it with his life. He was killed on the streets of Amsterdam by a Muslim fanatic.&lt;br /&gt;And then there's Flemming Rose, the Danish editor who a year ago published a series of Muhammad caricatures in his newspaper. Months after they originally appeared, the Muslim world erupted in protest against the drawings. He too must fear for his life.&lt;br /&gt;One thing should be kept in mind, however: The often violent protests that erupted in the Muslim world in the wake of the cartoon controversy have often been manipulated and fuelled by Islamists. The bile currently being flung at the pope is no different.&lt;br /&gt;But the attacks against the pope are especially grotesque. The severe criticism -- often coupled with threats of violence -- directed at the speech held last Tuesday by Benedict XVI is not just an attack on the head of the Catholic Church. The malicious twisting of the pope's words and the absurd allegations made by representatives of Islam represent a frontal attack on open religious and philosophical dialogue.&lt;br /&gt;That so many in the Muslim world joined the protests against the pope merely show just how influential Islamist extremist groups have become. The political goal of the Islamists is clear: any dispute between Christianity and Islam must obey the rules handed down by political Islamism.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://service.spiegel.de/backoffice/newsletter-service.do?product=spon-en-newsletter" target="_top"&gt;&lt;/a&gt;Bending to this demand would be a mistake -- indeed it would be tantamount to turning one's back on freedom of expression and opinion. What will come next? Perhaps a complaint that Allah feels insulted by the numerous European women who don bikinis during a summer trip to the beach. It could be anything really -- militant Islamists will always find something. But the response needs to be firm. Freedom of speech, after all, is a vital value and needs to be defended. Any attempt to make political speech hostage to some imagined will of God must be resisted.&lt;br /&gt;There are -- few -- critical voices that should be taken seriously when it comes to &lt;a href="http://service.spiegel.de/cache/international/0,1518,437636,00.html"&gt;the pope's comments.&lt;/a&gt; Shouldn't Benedict XVI have known that the quote he included in his speech -- a passage he himself described as "brusque" -- might be misunderstood? Couldn't he have made his meaning a bit clearer? Even if he had, it should be welcomed by all, including leftist atheists and agnostics, that we now have a pope who can pose challenging academic questions. In any case, a close reading of his speech reveals not a single insult directed at a single Muslim.&lt;br /&gt;And there's no reason to respond to every presumed insult. Consider an example from Denmark. Recently, a paper there published a number of rather tasteless Holocaust cartoons which had been shown in Tehran. The reaction of Copenhagen's rabbi was instructive when considered against the bloody response to the Muhammad cartoons -- outrage which ended up costing lives. When asked if he would call for protests, the rabbi merely said: "You know, I've seen worse."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115866558720377272?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115866558720377272/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115866558720377272&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115866558720377272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115866558720377272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/whos-next.html' title='Who&apos;s the next ?'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115866377529328850</id><published>2006-09-19T13:02:00.000+02:00</published><updated>2006-09-19T13:37:48.173+02:00</updated><title type='text'>femme fatale</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/femmefatale3.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/femmefatale3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estávamos em Setembro e ela posava nua para uma horda de estudantes ainda imberbes, mas já com tiques de artista. Veterana, nao se deixava impressionar por olhares furtivos nem sequer por passes mágicos, fossem eles de simpatia, charme ou simplesmente românticos. Em casa, aguardava-a a sua filha Teresa, com quem iria sair logo que aquela dezena de olhos captassem a volumetria do seu corpo já maduro mas ainda firme e voluptuoso. Era, em parte, devido às "exigências" de sua filha que ainda ali se dirigia para complementar o magro salário auferido como segurança numa firma de transportes de valores. Cem euros por uma sessao de uma hora . Era tanto quanto aquilo que ganhava numa semana de trabalho na sua firma e afinal de contas era um trabalho limpo. Nao fora uma ou outra proposta mais desonesta feito por um ou outro assistente da cadeira e poderia dizer-se que nunca tivera problemas de maior naquela escola. A última das "exigências" da filha impeliu-a a voltar a posar . Precisava daquele dinheiro para comprar umas botas italianas. Agora que começava a debutar, com os seus dezasseis anos, as suas jeans imploravam por umas botas de cano alto de marca. E, Olga, sua mae, nao conseguia deixar de lhes dar razao.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115866377529328850?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115866377529328850/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115866377529328850&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115866377529328850'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115866377529328850'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/femme-fatale_19.html' title='femme fatale'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115865324458107471</id><published>2006-09-19T10:07:00.000+02:00</published><updated>2006-09-19T10:12:19.573+02:00</updated><title type='text'>Damiao de Góis</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/munch.karl-johan.small.0.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/munch.karl-johan.small.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Simão Rodrigues de Azevedo é homem colérico.&lt;br /&gt;É nesse estado que se abeira da janela de guilhotina numa quente noite de Julho. Em Pádua, 1535. A rua estreita e tortuosa termina no dobrar da esquina da casa onde vive. Abre a janela, sem cuidados especiais e debruça-se.&lt;br /&gt;Distingue à esquerda, um pouco longe, os picos da basílica de Santo António. A noite é de claro luar, afável, bonançosa. Mas nem isso lhe abranda o estado de fúria em que se encontra há cerca de uma hora. Embora jovem, (tem 25 anos), recentemente ordenado sacerdote, o seu temperamento despótico e fanático congestiona-lhe as faces. Não olha para trás. O motivo do seu furor está ali. Dormindo.&lt;br /&gt;"La dotta", como é conhecida a cidade de Pádua, está em completo silêncio. O padre Simão Rodrigues, acalma, pouco a pouco. Tem já organizada, mentalmente, a vingança. Aproxima-se do outro leito, vazio e, sem despir a sotaina, estende-se, disposto a adormecer. Ainda ouve, durante minutos, a respiração levemente ruidosa do companheiro de quarto.&lt;br /&gt;Um pouco mais velho do que Simão Rodrigues (tem 33 anos) o homem adormecido mantem os traços com que Albert Dürer, o famoso pintor alemão, o terá retratado, alguns anos antes. O rosto largo e cheio, a barba loura, os lábios carnudos, bem desenhados, o nariz forte, os olhos que serão azuis e serenos, o corpo jovem, alto, atlético, agora solto e calmo no sono repousado, pertence a um fidalgo português há tempos frequentador da Universidade de Pádua, (provavelmente do curso de Direito ou de Latim) que, a par com a de Bolonha, é das mais doutas e célebres de toda a Europa da época.&lt;br /&gt;Nem parece, pelo seu dormir, que, há menos de uma hora, altercou com Simão Rodrigues. A ele pouco incomodou a discussão, tão habituado vem de conversas do género com alguns dos homens cultos europeus. Por toda a parte, os espíritos mais atentos discutem a questão religiosa depois de Lutero ter espalhado as suas dúvidas, ter sido excomungado e entrar em conflito com as altas autoridades da Igreja.&lt;br /&gt;Para Simão Rodrigues, Lutero é a encarnação do diabo. Mas o jovem adormecido não comunga de tal condenação. Pior do que isso: ele conhece Lutero e Melanchton e frequentou a casa de ambos. Conhece também Erasmo, o humanista que, embora não renegue o catolicismo, é motivo de desconfiança para a Igreja, pela sua tolerância, pela defesa pertinaz do diálogo como forma de entendimento e concórdia.&lt;br /&gt;Simão Rodrigues sabe de tudo isto. Não concebe que o companheiro de quarto aceite e mesmo defenda erros de Lutero como o da recusa do voto de castidade, a negação da confissão auricular, a questão da certeza da graça, a autoridade do Papa, a condenação das indulgências e tudo o mais que esteve na origem da Reforma.&lt;br /&gt;Para o jesuíta Simão Rodrigues aquele homem é um hereje, um luterano convicto. Reconhecer-lhe-á, todavia, mais tarde, sabe-se lá se hipocritamente, que é um homem inteligente, culto, rico, bem relacionado. Mas o fanatismo do padre supera tudo.&lt;br /&gt;Ali, em Pádua, não tem poderes para o denunciar e muito menos para o condenar. Ainda por cima, (coisa que não lhe cabe na compreensão), aquele herético é tido em muita consideração por homens como os cardeais Mardruchio, Bembo e Sadoleto, humanistas católicos que Simão Rodrigues não ousa questionar, tal a sua subalternidade.&lt;br /&gt;Antes de adormecer, o jesuíta ter-se-á reconfortado com o desígnio assumido: um dia virá em que o companheiro de sono daquela noite estival, será responsabilizado pela sua heresia e ele, Simão Rodrigues, será o seu primeiro e mais contumaz acusador.&lt;br /&gt;Vinte e seis anos depois, a vingança consuma-se. E Damião de Góis - é ele que dorme a seu lado - senti-la-á na carne e no espírito, tão dramaticamente que isso o levará à morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O COSMOPOLITA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O pequeno João chama com frequência para junto de si, a colaborar nas brincadeiras infantis, o pequeno Damião. O futuro rei, terceiro de nome, não imagina ainda que destino está reservado ao seu pajem. Durante a idade adulta, todavia, o rei terá demonstrações de amizade e reconhecimento para com o futuro historiador, companheiro de infância nos paços do Castelo de Lisboa. Ambos nascem em 1502, Damião em Fevereiro, João em Junho, este na capital, o outro em Alenquer. Filho do almoxarife Rui Dias de Góis e de Isabel de Limi, descendente de Nicolau de Limi, fidalgo flamengo que se estabelecera em Portugal, Damião, aos nove anos, entra para a corte como pajem do rei ou seja, de D. Manuel I, o Venturoso. Que morre em 1521.&lt;br /&gt;O seu jovem camarada é agora D. João III.&lt;br /&gt;Nos paços reais onde também está como guarda-roupa, seu irmão Frutuoso de Góis, Damião é testemunha juvenil do período áureo de D. Manuel e da história portuguesa. Convive com os mais renomados fidalgos, homens de armas e marinheiros. Assiste ao nascimento, (dez anos mais novo), do que virá a ser o Cardeal-Inquisidor e rei, D. Henrique. Ouve e vê nos bastidores a preparação da fabulosa embaixada ao Papa Leão X, a Roma. Moço de câmara, está entre os que velam a agonia de D. Manuel I. Conhece, por certo, Gil Vicente e todos os poetas admitidos na corte, entre eles um, chamado Pedro Andrade Caminha, o feroz inimigo de Camões.&lt;br /&gt;Talvez não saiba, mas alguns ecos lhe terão soado, que Afonso de Albuquerque conquista Goa em 1510 e morre em 1515; que, pela Europa muito se fala de um frade agostinho rebelado contra Roma, de nome Martinho Lutero e da sua excomunhão em 1520; que outro grande vulto da época, Erasmo de Roterdão publica o Elogio da loucura; que Carlos V entra em Espanha; que Inácio de Loiola, ainda fidalgo-guerreiro, é ferido no cerco de Pamplona.&lt;br /&gt;Mas D. João III conhece-lhe as qualidades e deposita nele a maior confiança.&lt;br /&gt;Em 1523, o monarca manda-o para a Flandres como escrivão da Feitoria Portuguesa de Antuérpia, instituição que negoceia as mercadorias vindas do Oriente.&lt;br /&gt;Damião está num dos maiores centros cosmopolitas da Europa, onde, quem seja capaz, facilmente enriquece, material e culturalmente. O que Damião de Góis não enjeita, como homem ávido de saber, como homem atento aos problemas do seu tempo e como homem apreciador dos grandes prazeres da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O "TERRÍVEL" CASO DAS SALMOURAS&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aos seis dias do mês de Maio de 1572, em Lisboa, nos Estaus, na Casa de Despacho da Santa Inquisição está João Carvalho. É provedor das obras do rei e fidalgo da sua casa. Espera que o chamem para depor no processo de Damião de Góis.&lt;br /&gt;Porque, desde 4 de Abril do ano anterior, que o amigo de infância de D. João III está preso no palácio dos Estaus (destruído pelo terramoto de 1755 e sobre cujas ruínas se construirá o actual Teatro D. Maria II).&lt;br /&gt;Os inquisidores ouvem as testemunhas de acusação. João Carvalho, em tempos vizinho de Damião de Góis, é uma delas. Sabe coisas que, em sua opinião, o comprometem. Por exemplo, o ímpio caso das salmouras da Flandres. Que fora assim: na parte dos paços em que ambos habitam fica, por baixo dos aposentos, uma capela. Uma tribuna, sobranceira ao recinto, pertence a Damião. Ali, nem ele nem familiares ou criados seus alguma vez tinham assistido a missas, até porque o espaço servia de depósito de cevada e outros despejos da casa do antigo escrivão da Feitoria. Frequentemente, caem esses despojos, incluindo ratos, na capela. Mais grave: há em casa de Damião uma despensa onde ele guarda toucinhos, carne de porco salgada e salmouras vindas da Flandres. Ora tais alimentos escorrem gorduras que passam o soalho e vão cair precisamente em cima de um crucifixo enorme da capela. Julgou-se, a princípio, que fosse urina. Sabido o facto, foi Damião avisado, mas não se emendara.&lt;br /&gt;João Carvalho, beato, supersticioso e servil há muito que não suporta o historiador. Este é um grande senhor, com vida faustosa e bem visto na corte, ao passo que ele é um modesto fidalgo. O seu depoimento não se limita ao caso dos toucinhos que vem apenas confirmar os outros factos.&lt;br /&gt;Conversava, por vezes, com Damião de Góis e sabia da sua admiração por Lutero e Melanchton por ele próprio lho ter dito, salientando a modéstia e a pobreza em que viviam. Também afirmara o seu grande respeito por um tal Erasmo de Roterdão e ele, João Carvalho, ficara escandalizado com as opiniões de Damião sobre o Purgatório e as ordens de frades. Nunca tinha visto o cronista na missa da capela dos Paços. Iria ele, por vezes, segundo lhe disseram, assistir à cerimónia a São Bento ou a Chelas. Mas os próprios criados de Damião diziam, a quem os quisesse ouvir, que o seu amo "não era homem muito misseiro". Parecia-lhe, igualmente, que o cronista gostava muito de comer e beber bem. Sobretudo quando recebia os estrangeiros que o visitavam. Então, dava banquetes ruidosos em que todos cantavam canções em línguas estranhas. Nessas cantorias, provavelmente, herejes, a voz de Damião de Góis, sobressaía por ser a mais melodiosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; HÓSPEDE DE ERASMO&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O século XVI é uma época em que a descoberta do mundo, então, aberto a todos, releva dos demais acontecimentos. Viaja-se pela Europa, Américas, India e África, contactam-se novos povos, países, hábitos e religiões.&lt;br /&gt;Damião de Góis está entre esses insaciáveis viajantes.&lt;br /&gt;Sediado em Antuérpia, cidade para onde deve ter partido por sugestão sua a D. João III, dada a sua ascendência flamenga, daí inicia os périplos europeus de mais de vinte anos e aí alicerça a sua fortuna pessoal. É agora um cidadão do mundo, fidalgo opulento, generoso, dadivoso, com boa mesa, amigo e admirado por alguns dos maiores vultos da intelectualidade sua contemporânea. Porque, dotado de grande inteligência e curiosidade espiritual, homem de trato cativante, facilmente faz amizades ou simples conhecimentos.&lt;br /&gt;Logo em 1523 visita Friburgo para conhecer Erasmo que lhe vai posteriormente demonstrar amizade e reconhecimento. Além das qualidades próprias, Damião de Góis representa D. João III, rei de um pequeno país que se tornara famoso e poderoso pelas suas recentes descobertas.&lt;br /&gt;E é na função de enviado régio que o futuro cronista de D. Manuel I faz deslocações à Polónia, Dantzig, Lituânia, Cracóvia, Dinamarca, Alemanha para negociar o casamento do infante português D. Luis com Edviges, filha do rei da Polónia.&lt;br /&gt;Na última viagem a este país vai a Witemberg, a cidade da Reforma onde se encontra com Lutero e Melanchton. Ouve a pregação do primeiro na igreja local. Dirá, no processo, pouco ter entendido, além das citações latinas, visto não saber alemão. Mas é convidado pelos dois reformistas para jantar em suas casas, por várias vezes e com eles debater questões de ordem religiosa.&lt;br /&gt;De regresso a Antuérpia, fixa-se em Lovaina. Em 1533, D. João III chama-o a Lisboa e oferece-lhe o lugar de tesoureiro da Casa da India. Recusa-o e pede ao rei que o deixe ir em peregrinação a Santiago de Compostela e lhe permita que continue os seus estudos, principalmente de latim, língua em que virá a escrever os seus primeiros livros. O latim era a língua comum a todos os intelectuais da época, daí a possibilidade das obras serem lidas e conhecidas muito mais rapidamente.&lt;br /&gt;Neste regresso, Damião de Góis fica durante quatro meses como hóspede de Erasmo em Friburgo. As longas conversas com o filósofo humanista - que lhe verbera as relações que mantém com luteranos - jamais serão esquecidas, apesar de não lhe ter sido seguido o conselho. Por fim, em 1535, inscreve-se na Universidade de Pádua, onde conhece, para mal dos seus pecados, o padre Simão Rodrigues de Azevedo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ZAGA ZABO&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Damião de Góis escreve sobre os etíopes e o seu cristianismo. Na corte de D. João III está o bispo abexim Zaga Zabo. Entre os povos pagãos de África, um, o etíope, pratica a religião cristã, afastada, porém, da ordem católica. Respeitam muito ainda o Antigo Testamento, adoptam velhos ritos, inserem regras do judaísmo e do islamismo. Zaga Zabo, humilde e submisso, após viagem difícil, chega à corte, trazendo um desejo de paz e concórdia e pretendendo colocar o seu cristianismo sob a benevolência do Papa. Mas ninguém lhe dá importância, logo se vê metido em intrigas palacianas e desconsiderações. Pode lá um cristianismo em que o clero é casado, os crentes se descalçam para aceder às igrejas, praticam a circuncisão, guardam o Sábado, jejuam até ao pôr do sol, ser aceite na comunidade papal?! Zaga Zabo acha que bem melhor era que se unissem em Deus e em Cristo, arménios, etíopes e todos os que nos rituais não seguem ainda a disciplina católica - todos são abençoados pela água do baptismo. Zaga Zabo lamenta-se até às lágrimas por o não deixarem comungar e o ameaçarem de excomunhão.&lt;br /&gt;Damião de Góis, no mais completo espírito erasmiano de tolerância, toma a sua defesa e pede ao Papa que receba o bispo de pele negra, o trate com generosidade e lhe permita a aproximação desejada a Roma.&lt;br /&gt;O cardeal-infante D. Henrique que, até certa altura, o cumula de honrarias, não vai gostar nada deste livro damiano e proíbe que circule. D. Henrique é, também, o Inquisidor-Geral do reino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O REGRESSO&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vindo de Pádua, Damião de Góis em 1539, casa em Lovaina, com Joana van Hargen, filha de um conselheiro flamengo do Imperador Carlos V, o que acrescenta a sua fortuna de homem de negócios que sempre foi, a par das actividades diplomáticas e culturais.&lt;br /&gt;Em 1542, a cidade de Lovaina é invadida pelas tropas francesas de Francisco I. Damião de Góis está, de mão armada, entre os que combatem os sitiantes, não sem que, constantemente, pretenda encontrar formas de entendimento com os atacantes. Mas é feito prisioneiro. Por interferência de D. João III e do imperador é libertado, mediante o pagamento de um avultado resgate. Carlos V confere-lhe o direito a brasão e armas que o rei português confirma. Este momento da sua vida é motivo para grandes elogios por parte de poetas e filósofos flamengos.&lt;br /&gt;Passaram vinte e dois anos desde a sua saída de Portugal. Exerceu os mais altos cargos em nome do seu país, é estimado e admirado em várias cortes europeias, louvam-no cardeais, escritores, teólogos, políticos, reformistas e humanistas, constituiu uma família feliz com Joana de quem já tem filhos…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AS TRÊS DENÚNCIAS DO JESUITA&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Em Setembro desse mesmo ano, estando em Évora, Simão Rodrigues, então provincial da Companhia de Jesus em Portugal, dirige-se, de imediato, à Inquisição da cidade. Vai para delatar Damião de Góis, há pouco regressado ao país. E diz que vivendo ambos em Pádua, ouviu o futuro autor da Crónica de D. Manuel dizer coisas que, quanto a ele, declarante, eram heréticas, como o louvar as doutrinas de Lutero e ter em grande consideração tal pessoa. É de opinião que Damião de Góis neste seu regresso pode "fazer muito dano acerca das coisas da nossa Santa fé católica, porque é homem avisado e sabe, além do latim, alguma coisa de Teologia e sabe a fala francesa e a italiana e a flamenga e a alemã pois andou muito tempo entre eles". Disse ainda que Damião era grande amigo de Simão Grineus, um hereje da maior reputação entre os luteranos e também que falara com Lutero e fora discipulo de Erasmo. Ele e um tal frei Roque, convertido ao protestantismo, sempre o ridicularizavam quando ele, declarante, defendia a Igreja Católica. Perguntado se alguém ouvira tais conversas afirmou que não se lembrava.&lt;br /&gt;Dois dias depois, Simão Rodrigues está de novo na Inquisição para acrescentar ter-se recordado de uma discussão, durante a qual o frade e Damião de Góis defendiam que a quebra do voto de castidade, por parte dos frades, não os impedia continuarem religiosos. Não tem dúvidas: eram ambos, o frade e Damião, luteranos e procuraram induzi-lo a converter-se a tal seita. E volta a não se recordar de mais nada, prometendo que, mal se lembre, logo virá contar aos inquisidores.&lt;br /&gt;Durante cinco anos não tiveram andamento as denúncias. Simão Rodrigues de Azevedo não é homem para desistir, porém.&lt;br /&gt;Em Setembro de 1550, desta vez em Lisboa, ei-lo na Inquisição. Confirma tudo o que declarara em Évora e acrescenta ter-se lembrado de, em certo dia defeso da Igreja, os dois acusados tentaram-no para que comesse queijos frescos e carne, a que se recusou, mas viu que ambos o faziam. Lembrava-se também de ter discutido com Damião de Góis a certeza da graça e que ele, ao contrário do que afirma S. Paulo, dissera que todos os homens podiam estar certos de que viviam sempre na graça de Deus.&lt;br /&gt;Cerca de vinte e seis anos vão passar sobre estas denúncias. Só em Abril de 1571, Damião de Góis é preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O HISTORIADOR&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Estranho caso! Apesar da alta posição de Simão Rodrigues, "testemunha legalíssima e sem nada que se lhe possa apontar", os Inquisidores não dão andamento à acusação durante mais de duas décadas. Porquê? Pode supor-se: D. João III é amigo íntimo de Damião, o Cardeal D. Henrique, idem, as acusações não têm testemunhas. Mas, sobretudo, porque Damião de Góis não é um fidalgote qualquer. O seu prestígio, por toda a Europa, mesmo entre luteranos e católicos de nomeada, impede se ouse levar adiante uma queixa que, não admiraria, iria terminar em auto-de-fé.&lt;br /&gt;As altas autoridades da Nação, como ainda há menos de trinta anos se chamava aos detentores do poder, também em quinhentos não querem desafiar as nações amigas.&lt;br /&gt;O assunto morre.&lt;br /&gt;Damião de Góis prossegue a sua vida de grande senhor em Portugal e os anos seguintes vão afirmá-lo como um dos maiores historiadores portugueses. Mas o intenso labor a que se dedica nesse intervalo de vinte e seis anos, custar-lhe-á caro.&lt;br /&gt;No entanto, Simão Rodrigues obtém uma pequena vitória. D. João III convidara, logo em 1545, Damião de Góis para mestre e preceptor do infante D. João, futuro pai de D. Sebastião. Simão sabe-o. Mais uma razão para o denunciar em Évora. Os jesuítas querem assenhorear-se da educação do príncipe. Damião é afastado do cargo.&lt;br /&gt;D. João III convida-o, novamente. Desta feita, em 1548, para guarda-mor da Torre do Tombo.&lt;br /&gt;É nesta altura que o "luterano" se muda para Lisboa. Oportunidade para na capital, donde gere também os seus négocios de comerciante com as principais cidades europeias, escandalizar certas pessoas. De facto, o historiador não resguarda a vida ostentosa e desafogada que leva, a tal ponto que vai à missa com um lacaio, pajens e um escravo que lhe carrega uma cadeira.&lt;br /&gt;No cargo de guarda-mor, Damião de Góis aperfeiçoa, em contacto com os documentos, o seu ofício de historiógrafo. Não espanta, pois, que, em 1558, um ano após a morte de D. João III, o Cardeal D. Henrique, então regente do reino, o incumba de escrever a Crónica de D. Manuel. Opção inteiramente certa a do Inquisidor-Geral. Quem melhor do que Damião poderia elaborar a crónica de um rei em cuja corte vivera e a cuja morte assistira?&lt;br /&gt;Trabalha duramente na redacção do texto. De tal modo que, alguns amigos estrangeiros, seus conhecidos, dirão ter ele envelhecido, enormemente, nesse período.&lt;br /&gt;Em 1566, saem em português a 1ª e a 2ª parte da Crónica de D. Manuel. E, no ano seguinte, as duas partes restantes e a Crónica do Principe D. João.&lt;br /&gt;Mal adivinha Damião de Góis que essa publicação lhe trará o regresso das denúncias do padre Simão Rodrigues.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OUTRA VEZ A CARNE&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;Luís de Castro, fidalgo da casa do Cardeal D. Henrique e seu tesoureiro, vem ao processo testemunhar ter ouvido Damião de Góis afirmar que houve muitos Papas que foram tiranos e que daí viera muito mal à Igreja, que muitos dos maiores eclesiásticos eram hipócritas e tiranos, mais do que os próprios leigos. Damião também lhe dissera que os padres da Companhia de Jesus não guardavam a pobreza instituida pelo fundador. E outras pequenas coisas mais.&lt;br /&gt;Luís de Castro é genro de Damião de Góis e pleiteia na altura, com o filho do historiador, por causa das partilhas dos bens de Joana van Hargen, entretanto falecida.&lt;br /&gt;D. Briolanja, andando prenha, em certo dia foi jantar a casa de Damião de Góis e, devido ao seu estado, lhe veio o desejo de comer carne e ele, Damião, pôs na mesa entrecosto de porco e linguiça. Espantou-se ela, assim o confessa no processo, que o historiador e a mulher também comessem pois era dia proibido pela Igreja de se comer carne. E ele lhe disse: "o que vai para dentro não causa nojo, só o que vem para fora".&lt;br /&gt;D. Briolanja é sobrinha de Damião de Góis.&lt;br /&gt;Outras testemunhas, entre elas o poeta Pedro Andrade Caminha, deporão. A maior parte acusa-o de ninharias e não ousa levá-las muito a fundo, antes pelo contrário, asseguram que, no mais, "nunca lhe viram fazer ou dizer coisa de mau cristão".&lt;br /&gt;Mas Damião de Góis jaz na prisão desde Abril de 1571. Sem saber de que o acusam. Tem 69 anos, sente-se muito velho e alquebrado, tão cheio de feridas e sarna "por todo o corpo que me falta pouco para me julgarem leproso e quase não tenho já forças para me suster sobre as pernas". Está no silêncio, na incomunicabilidade: "peço-lhes que me mandem emprestar um livro em latim para ler, qual lhes parecer, porque estou apodrecendo de ociosidade e com ler se me passam muitos pensamentos".&lt;br /&gt;Até que o chamam para as primeiras perguntas.&lt;br /&gt;Damião de Góis não é um herói, não tem vocação de mártir.&lt;br /&gt;Durante meses vai desfiar a sua vida perante os inquisidores, jurando pelos Santos Evangelhos dizer a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SIMÃO RODRIGUES VENCE&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Assim que a 1ª e a 2ª partes da Crónica de D. Manuel vieram a público Damião de Góis foi fulminado. Homem do Renascimento, rigoroso na análise, embora habituado ao convívio hipócrita com os grandes, o historiador escolheu o caminho da verdade e da justiça. Não bajulou ninguém, não fez elogios por cálculo, não se amedrontou ao escrever os factos (alguns consideram Damião de Góis o primeiro repórter da nossa historiografia). Foi avaro a encomiar o Cardeal D. Henrique - e como este gostava de ser incensado! Atreveu-se a criticar a poderosa Casa de Bragança não dando relevo aos seus membros, ousou voltar à tolerância para com os cristãos etíopes. O que lhe interessava era a verdade, doesse a quem doesse. Mesmo que fosse a sua verdade. E se, quanto a estilo e emoção, fica muito longe de Fernão Lopes, a postura moral é idêntica e daí a sua importância.&lt;br /&gt;Os Braganças caem-lhe em cima, os clérigos, o Cardeal. Nas edições seguintes truncam-lhe a Crónica, censurando-a, alterando-a, adulterando-a.&lt;br /&gt;Damião de Góis perdeu o estado de graça em que até aí vivera na corte. Há muitos anos que está em Portugal. De certa maneira, esquecido lá fora. Os seus amigos foram morrendo ou mudando. O ninho de vespas pode morder--lhe. É um personagem sem risco: agora, vão atacá-lo.&lt;br /&gt;Tudo leva a crer que é a mão daquele que o protegera a que se levanta para o acusar. De quê? As "ofensas" da sua Crónica não o implicavam com a Inquisição. A teia adensa-se: Braganças, os familiares, o Cardeal despeitado trarão para aliados os jesuítas. Quem se lembraria das acusações de Simão Rodrigues de 1545 e 1550? Só D. Henrique - escreveria qualquer autor policial de mediana craveira.&lt;br /&gt;Luís de Castro, agastado com o sogro, terá sido, a mando do Cardeal (recordemos: era seu tesoureiro) o desencadeador da prisão de Damião de Góis e do processo contra ele. Do qual constam, à cabeça, os traslados das denúncias de Simão Rodrigues&lt;br /&gt;Processo que o Inquisidor-Geral, desta vez, ordena que vá em frente.&lt;br /&gt;Já se disse: Damião de Góis está velho, cansado e doente. Pede, insistentemente, aos inquisidores que acelerem as audições, dele e das testemunhas. Narra a sua vida no estrangeiro, os conhecimentos que travou, com Lutero, com Melanchton, com Erasmo. Acrescenta sempre que sempre criticara os dois primeiros. Terá dito algumas frases que foram mal compreendidas. Nunca se desviou da fé católica, nunca fez ou disse nada contra ela.&lt;br /&gt;Mas tudo isso são pecados da sua juventude. Pede que lhos relevem, como tal. Apresenta testemunhas que o abonam como fervoroso católico, que revelam as muitas dádivas piedosas que fez a igrejas e capelas, lembra os serviços que prestou a Portugal e ao rei D. João III.&lt;br /&gt;Os inquisidores lêem-lhe a sentença: é condenado a cárcere penitencial perpétuo. Aceitam-lhe a abjuração:&lt;br /&gt;"Damião de Goes, cristão-velho, morador nesta cidade de Lisboa, perante vós, Reverendos Senhores Inquisidores, contra a herética pravidade e apostasia, juro nestes Santos Evangelhos, em que tenho minhas mãos, que, de minha própria e livre vontade, anatematizo e aparto de mim toda a espécie de heresia e apostasia que for ou se levantar contra a santa fé católica e Sé Apostólica, especialmente estas em que caí, que tenho confessado ante Vossas Mercês, que aqui agora, em minha sentença, me foram lidas, as quais aqui hei por repetidas e declaradas. E juro de sempre ter e guardar a santa fé católica que tem e ensina a Santa Madre Igreja de Roma e que serei sempre obediente ao nosso mui Santo Padre Papa Gregório décimo terceiro, ora presidente na Igreja de Deus, e a seus sucessores. E confesso que todos os que contra esta fé católica vierem são dignos de condenação."&lt;br /&gt;Livra-se Damião de Góis de arder na fogueira. Mas a sentença é reveladora: mesmo o cárcere perpétuo é pena forte, o que talvez prove que os inquisidores lhe aceitaram a abjuração, embora convencidos de que era (ou fora) partidário do luteranismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUEM MATOU?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Mandam-no a cumprir a pena para o Mosteiro da Batalha.&lt;br /&gt;Aliviam-lha, porém, é o que parece, porque, a 30 de Janeiro de 1574 encontram-no caído sobre a lareira de sua casa, em Alenquer, morto, parcialmente calcinado. (Outros dirão que a morte se deu, dessa maneira, mas numa albergaria, ao transportarem-no para o mosteiro de Alcobaça).&lt;br /&gt;Quando, em 1941, se fez a trasladação dos seus restos mortais para a Igreja de S. Pedro, em Alenquer, Mário de Sampaio Ribeiro, estudioso musical (Damião de Góis foi compositor), viu-lhe o crânio. Notava-se uma violenta pancada arredondada, improvável que fosse provocada por qualquer aresta, ao cair sobre a lareira.&lt;br /&gt;Alguém o assassinara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115865324458107471?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115865324458107471/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115865324458107471&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115865324458107471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115865324458107471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/damiao-de-gis.html' title='Damiao de Góis'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115764250611736376</id><published>2006-09-07T17:21:00.000+02:00</published><updated>2006-09-07T17:28:14.703+02:00</updated><title type='text'>femme fatale</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/femmefatale1.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/femmefatale1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já era tempo de regressarmos ao seu convívio. As mulheres fatais desde sempre pertenceram ao imaginário delirante do blog pulo do lobo. A sua presença suaviza-nos as têmporas e solta-nos a língua sibilina. Prometo que as tratei amiúde ao nosso regato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115764250611736376?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115764250611736376/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115764250611736376&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115764250611736376'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115764250611736376'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/femme-fatale.html' title='femme fatale'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115763939992828865</id><published>2006-09-07T16:29:00.000+02:00</published><updated>2006-09-07T16:36:25.696+02:00</updated><title type='text'>Maria</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/ff8MariaSharapova_HiRes01_2.jpg.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/ff8MariaSharapova_HiRes01_2.jpg.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A malta cá da Neta está toda a torcer por ti. Se ganhares vamos convidar-te para conheceres o pulo do lobo ... à tardinha !!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Força Maria&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115763939992828865?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115763939992828865/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115763939992828865&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115763939992828865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115763939992828865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/maria.html' title='Maria'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115763904381238210</id><published>2006-09-07T16:24:00.000+02:00</published><updated>2006-09-07T16:27:37.420+02:00</updated><title type='text'>A Carta</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/pvcaminha.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/pvcaminha.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posto que o Capitão-mor desta vossa frota, e assim os outros capitães escrevam a Vossa Alteza a nova do achamento desta vossa terra nova, que ora nesta navegação se achou, não deixarei também de dar disso minha conta a Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que -- para o bem contar e falar -- o saiba pior que todos fazer.Tome Vossa Alteza, porém, minha ignorância por boa vontade, e creia bem por certo que, para aformosear nem afear, não porei aqui mais do que aquilo que vi e me pareceu.Da marinhagem e singraduras do caminho não darei aqui conta a Vossa Alteza, porque o não saberei fazer, e os pilotos devem ter esse cuidado. Portanto, Senhor, do que hei de falar começo e digo:A partida de Belém, como Vossa Alteza sabe, foi segunda-feira, 9 de março. Sábado, 14 do dito mês, entre as oito e nove horas, nos achamos entre as Canárias, mais perto da Grã- Canária, e ali andamos todo aquele dia em calma, à vista delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez horas, pouco mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, ou melhor, da ilha de S. Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto.Na noite seguinte, segunda-feira, ao amanhecer, se perdeu da frota Vasco de Ataíde com sua nau, sem haver tempo forte nem contrário para que tal acontecesse. Fez o capitão suas diligências para o achar, a uma e outra parte, mas não apareceu mais!E assim seguimos nosso caminho, por este mar, de longo, até que, terça-feira das Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, estando da dita Ilha obra de 660 ou 670 léguas, segundo os pilotos diziam, topamos alguns sinais de terra, os quais eram muita quantidade de ervas compridas, a que os mareantes chamam botelho, assim como outras a que dão o nome de rabo-de-asno. E quarta-feira seguinte, pela manhã, topamos aves a que chamam fura-buxos.Neste dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! Primeiramente dum grande monte, mui alto e redondo; e doutras serras mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos: ao monte alto o capitão pôs nome - o Monte Pascoal e à terra - a Terra da Vera Cruz.Mandou lançar o prumo. Acharam vinte e cinco braças; e ao sol posto, obra de seis léguas da terra, surgimos âncoras, em dezenove braças -- ancoragem limpa. Ali permanecemos toda aquela noite. E à quinta-feira, pela manhã, fizemos vela e seguimosem direitos à terra, indo os navios pequenos diante, por dezessete, dezesseis, quinze, catorze, treze, doze, dez e nove braças, até meia légua da terra, onde todos lançamos âncoras em frente à boca de um rio. E chegaríamos a esta ancoragem às dezhoras pouco mais ou menos.Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro.Então lançamos fora os batéis e esquifes, e vieram logo todos os capitães das naus a esta nau do Capitão-mor, onde falaram entre si.E o Capitão-mor mandou em terra no batel a Nicolau Coelho para ver aquele rio. E tanto que ele começou de ir para lá, acudiram pela praia homens, quando aos dois, quando aos três, de maneira que, ao chegar o batel à boca do rio, já ali havia dezoito ou vinte homens.Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijos sobre o batel; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram.Ali não pôde deles haver fala, nem entendimento de proveito, por o mar quebrar na costa. Somente deu-lhes um barretevermelho e uma carapuça de linho que levava na cabeça e um sombreiro preto. Um deles deu-lhe um sombreiro de penas de ave, compridas, com uma copazinha de penas vermelhas e pardas como de papagaio; e outro deu-lhe um ramalgrande de continhas brancas, miúdas, que querem parecer de aljaveira, as quais peças creio que o Capitão manda a Vossa Alteza, e com isto se volveu às naus por ser tarde e não poder haver deles mais fala, por causa do mar.Na noite seguinte, ventou tanto sueste com chuvaceiros que fez caçar as naus, e especialmente a capitânia. E sexta pela manhã, às oito horas, pouco mais ou menos, por conselho dos pilotos, mandou o Capitão levantar âncoras e fazer vela; e fomos ao longo da costa, com os batéis e esquifes amarrados à popa na direção do norte, para ver se achávamos alguma abrigada e bom pouso, onde nos demorássemos, para tomar água e lenha. Não que nos minguasse, mas por aqui nos acertarmos.Quando fizemos vela, estariam já na praia assentados perto do rio obra de sessenta ou setenta homens que se haviam juntado ali poucos e poucos. Fomos de longo, e mandou o Capitão aos navios pequenos que seguissem mais chegados à terra e, se achassem pouso seguro para as naus, que amainassem.E, velejando nós pela costa, obra de dez léguas do sítio donde tínhamos levantado ferro, acharam os ditos navios pequenos um recife com um porto dentro, muito bom e muito seguro, com uma mui larga entrada. E meteram-se dentro e amainaram. As naus arribaram sobre eles; e um pouco antes do sol posto amainaram também, obra de uma légua do recife, e ancoraram em onze braças.E estando Afonso Lopes, nosso piloto, em um daqueles navios pequenos, por mandado do Capitão, por ser homem vivo e destro para isso, meteu-se logo no esquife a sondar o porto dentro; e tomou dois daqueles homens da terra, mancebos e de bons corpos, que estavam numa almadia. Um deles trazia um arco e seis ou sete setas; e na praia andavam muitos com seus arcos e setas; mas de nada lhes serviram. Trouxe-os logo, já de noite, ao Capitão, em cuja nau foram recebidos com muito prazer e festa.A feição deles é serem pardos, maneira de avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem-feitos. Andam nus, sem nenhuma cobertura. Nem estimam de cobrir ou de mostrar suas vergonhas; e nisso têm tanta inocência como em mostrar o rosto. Ambos traziam os beiços de baixo furados e metidos neles seus ossos brancos e verdadeiros, de comprimentoduma mão travessa, da grossura dum fuso de algodão, agudos na ponta como um furador. Metem-nos pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é feita como roque de xadrez, ali encaixado de tal sorte que não os molesta, nem os estorva no falar, no comer ou no beber.Os cabelos seus são corredios. E andavam tosquiados, de tosquia alta, mais que de sobrepente, de boa grandura e rapados até por cima das orelhas. E um deles trazia por baixo da solapa, de fonte a fonte para detrás, uma espécie de cabeleira de penas de ave amarelas, que seria do comprimento de um coto, mui basta e mui cerrada, que lhe cobria o toutiçoe as orelhas. E andava pegada aos cabelos, pena e pena, com uma confeição branda como cera (mas não o era), de maneira que a cabeleira ficava mui redonda e mui basta, e mui igual, e não fazia míngua mais lavagem para a levantar.O Capitão, quando eles vieram, estava sentado em uma cadeira, bem vestido, com um colar de ouro mui grande ao pescoço, e aos pés uma alcatifa por estrado. Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia, e nós outros que aqui na nau com ele vamos, sentados no chão, pela alcatifa. Acenderam-se tochas. Entraram. Mas não fizeramsinal de cortesia, nem de falar ao Capitão nem a ninguém. Porém um deles pôs olho no colar do Capitão, e começou de acenar com a mão para a terra e depois para o colar, como que nos dizendo que ali havia ouro. Também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal como se lá também houvesse prata.Mostraram-lhes um papagaio pardo que o Capitão traz consigo; tomaram-no logo na mão e acenaram para a terra, como quem diz que os havia ali. Mostraram-lhes um carneiro: não fizeram caso. Mostraram-lhes uma galinha, quase tiveram medo dela: não lhe queriam pôr a mão; e depois a tomaram como que espantados.Deram-lhes ali de comer: pão e peixe cozido, confeitos, fartéis, mel e figos passados. Não quiseram comer quase nada daquilo; e, se alguma coisa provaram, logo a lançaram fora.Trouxeram-lhes vinho numa taça; mal lhe puseram a boca; não gostaram nada, nem quiseram mais. Trouxeram-lhes a água em uma albarrada. Não beberam. Mal a tomaram na boca, que lavaram, e logo a lançaram fora.Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo.Isto tomávamos nós assim por assim o desejarmos. Mas se ele queria dizer que levaria as contas e mais o colar, isto não o queríamos nós entender, porque não lho havíamos de dar. E depois tornou as contas a quem lhas dera.Então estiraram-se de costas na alcatifa, a dormir, sem buscarem maneira de cobrirem suas vergonhas, as quais não eram fanadas; e as cabeleiras delas estavam bem rapadas e feitas. O Capitão lhes mandou pôr por baixo das cabeças seus coxins; e o da cabeleira esforçava-se por não a quebrar. E lançaram-lhes um manto por cima; e eles consentiram, quedaram-se e dormiram.Ao sábado pela manhã mandou o Capitão fazer vela, e fomos demandar a entrada, a qual era mui larga e alta de seis a sete braças. Entraram todas as naus dentro; e ancoraram em cinco ou seis braças - ancoragem dentro tão grande, tão formosa e tão segura, que podem abrigar-se nela mais de duzentos navios e naus. E tanto que as naus quedaram ancoradas, todos os capitães vieram a esta nau do Capitão-mor. E daqui mandou o Capitão a Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias que fossem em terra e levassem aqueles dois homens e os deixassem ir com seu arco e setas, e isto depois que fez dar a cada um sua camisa nova, sua carapuça vermelha e um rosário de contas brancas de osso, que eles levaram nos braços, seus cascavéis e suas campainhas. E mandou com eles, para lá ficar, um mancebo degredado, criado de D. João Telo, a que chamam Afonso Ribeiro, para lá andar com eles e saber de seu viver e maneiras. E a mim mandou que fosse com Nicolau Coelho.Fomos assim de frecha direitos à praia. Ali acudiram logo obra de duzentos homens, todos nus, e com arcos e setas nas mãos. Aqueles que nós levávamos acenaram-lhes que se afastassem e pousassem os arcos; e eles os pousaram, mas não se afastaram muito. E mal pousaram os arcos, logo saíram os que nós levávamos, e o mancebo degredado com eles. E saídos não pararam mais; nem esperavam um pelo outro, mas antes corriam a quem mais corria. E passaram um rio que por ali corre, de água doce, de muita água que lhes dava pela braga; e outros muitos com eles. E foram assim correndo, além do rio, entre umas moitas de palmas onde estavam outros. Ali pararam. Entretanto foi-se o degredado com um homem que, logo ao sair do batel, o agasalhou e o levou até lá. Mas logo tornaram a nós; e com ele vieram os outros que nós leváramos, os quais vinham já nus e sem carapuças.Então se começaram de chegar muitos. Entravam pela beira do mar para os batéis, até que mais não podiam; traziam cabaços de água, e tomavam alguns barris que nós levávamos: enchiam-nos de água e traziam-nos aos batéis. Não que eles de todos chegassem à borda do batel. Mas junto a ele, lançavam os barris que nós tomávamos; e pediam que lhes dessem alguma coisa. Levava Nicolau Coelho cascavéis e manilhas. E a uns dava um cascavel, a outros uma manilha, de maneira que com aquele engodo quase nos queriam dar a mão. Davam-nos daqueles arcos e setas por sombreiros e carapuças de linho oupor qualquer coisa que homem lhes queria dar.Dali se partiram os outros dois mancebos, que os não vimos mais.Muitos deles ou quase a maior parte dos que andavam ali traziam aqueles bicos de osso nos beiços. E alguns, que andavam sem eles, tinham os beiços furados e nos buracos uns espelhos de pau, que pareciam espelhos de borracha; outros traziam três daqueles bicos, a saber, um no meio e os dois nos cabos. Aí andavam outros, quartejados de cores, a saber, metade deles da sua própria cor, e metade de tintura preta, a modos deazulada; e outros quartejados de escaques. Ali andavam entre eles três ou quatro moças, bem moças e bem gentis, com cabelos muito pretos, compridos pelas espáduas, esuas vergonhas tão altas, tão cerradinhas e tão limpas das cabeleiras que, de as muito bem olharmos, não tínhamos nenhuma vergonha.Ali por então não houve mais fala ou entendimento com eles, por a barbaria deles ser tamanha, que se não entendia nem ouvia ninguém.Acenamos-lhes que se fossem; assim o fizeram e passaram-se além do rio. Saíram três ou quatro homens nossos dos batéis, e encheram não sei quantos barris de água que nós levávamos e tornamo-nos às naus. Mas quando assim vínhamos, acenaram-nos que tornássemos. Tornamos e eles mandaram o degredado e não quiseram que ficasse lá com eles. Este levava uma bacia pequena e duas ou três carapuças vermelhas para lá as dar ao senhor, se o lá houvesse. Não cuidaram de lhe tomar nada, antes o mandaram com tudo. Mas então Bartolomeu Dias o fez outra vez tornar, ordenando que lhes desse aquilo. E ele tornou e o deu , à vista de nós, àquele que da primeira vez agasalhara. Logo voltou e nós trouxemo-lo.Esse que o agasalhou era já de idade, e andava por louçainha todo cheio de penas, pegadas pelo corpo, que parecia asseteado como S. Sebastião. Outros traziam carapuças de penas amarelas; outros, de vermelhas; e outros de verdes. E uma daquelas moças era toda tingida, de baixo a cima daquela tintura; e certo era tão bem-feita e tão redonda, e sua vergonha (que ela não tinha) tão graciosa, que a muitas mulheres da nossa terra, vendo-lhe tais feições, fizera vergonha, por não terem a sua como ela. Nenhum deles era fanado, mas, todos assim como nós. E com isto nos tornamos e eles foram-se.À tarde saiu o Capitão-mor em seu batel com todos nós outros e com os outros capitães das naus em seus batéis a folgar pela baía, em frente da praia. Mas ninguém saiu em terra, porque o Capitão o não quis, sem embargo de ninguém nela estar. Somente saiu -- ele com todos nós -- em um ilhéu grande, que na baía está e que na baixa-mar fica mui vazio. Porém é por toda a parte cercado de água, de sorte que ninguém lá pode ir, a não ser de barco ou a nado. Ali folgou ele e todos nós outros, bem uma hora e meia. E alguns marinheiros, que ali andavam com um chinchorro, pescaram peixe miúdo, não muito. Então volvemo-nos às naus, já bem de noite.Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. Mandou a todos os capitães que se aprestassem nos batéis e fossem com ele. E assim foi feito. Mandou naquele ilhéu armar um esperavel, e dentro dele um altar mui bem corregido. E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre frei Henrique,em voz entoada, e oficiada com aquela mesma voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção.Ali era com o Capitão a bandeira de Cristo, com que saiu de Belém, a qual esteve sempre levantada, da parte do Evangelho.Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos, o que foi muito a propósito e fez muita devoção.Enquanto estivemos à missa e à pregação, seria na praia outra tanta gente, pouco mais ou menos como a de ontem, com seus arcos e setas, a qual andava folgando. E olhando-nos, sentaram-se. E, depois de acabada a missa, assentados nós à pregação, levantaram-se muitos deles, tangeram corno ou buzina, e começaram a saltar e dançar um pedaço. Ealguns deles se metiam em almadias -- duas ou três que aí tinham -- as quais não são feitas como as que eu já vi; somente são três traves, atadas entre si. E ali se metiam quatro ou cinco, ou esses que queriam não se afastando quase nada da terra, senão enquanto podiam tomar pé.Acabada a pregação, voltou o Capitão, com todos nós, para os batéis, com nossa bandeira alta. Embarcamos e fomos todos em direção à terra para passarmos ao longo por onde eles estavam, indo, na dianteira, por ordem do Capitão, Bartolomeu Dias em seu esquife, com um pau de uma almadia que lhes o mar levara, para lho dar; e nós todos, obra de tiro de pedra, atrás dele.Como viram o esquife de Bartolomeu Dias, chegaram-se logo todos à água, metendo-se nela até onde mais podiam. Acenaram-lhes que pousassem os arcos; e muitos deles os iam logo pôr em terra; e outros não.Andava aí um que falava muito aos outros que se afastassem, mas não que a mim me parecesse que lhe tinham acatamento ou medo. Este que os assim andava afastando trazia seu arco e setas, e andava tinto de tintura vermelha pelos peitos, espáduas, quadris, coxas e pernas até baixo, mas os vazios com a barriga e estômago eram de sua própria cor. E a tintura era assim vermelha que a água a não comia nem desfazia, antes, quando saía da água, parecia mais vermelha.Saiu um homem do esquife de Bartolomeu Dias e andava entre eles, sem implicarem nada com ele para fazer-lhe mal. Antes lhe davam cabaças de água, e acenavam aos do esquife que saíssem em terra.Com isto se volveu Bartolomeu Dias ao Capitão; e viemo-nos às naus, a comer, tangendo gaitas e trombetas, sem lhes dar mais opressão. E eles tornaram-se a assentar na praia e assim por então ficaram.Neste ilhéu, onde fomos ouvir missa e pregação, a água espraia muito, deixando muita areia e muito cascalho a descoberto. Enquanto aí estávamos, foram alguns buscar marisco e apenas acharam alguns camarões grossos e curtos, entre os quaisvinha um tão grande e tão grosso, como em nenhum tempo vi tamanho. Também acharam cascas de berbigões e amêijoas, mas não toparam com nenhuma peça inteira.E tanto que comemos, vieram logo todos os capitães a esta nau, por ordem do Capitão-mor, com os quais ele se apartou, e eu na companhia. E perguntou a todos se nos parecia bem mandar a nova do achamento desta terra a Vossa Alteza pelo navio dos mantimentos, para a melhor a mandar descobrir e saber dela mais do que nós agora podíamos saber, por irmos de nossa viagem.E entre muitas falas que no caso se fizeram, foi por todos ou a maior parte dito que seria muito bem. E nisto concluíram. E tanto que a conclusão foi tomada, perguntou mais se lhes parecia bem tomar aqui por força um par destes homens para os mandar a Vossa Alteza, deixando aqui por eles outros dois destes degredados.Sobre isto acordaram que não era necessário tomar por força homens, porque era geral costume dos que assim levavam por força para alguma parte dizerem que há ali de tudo quanto lhes perguntam; e que melhor e muito melhor informação da terra dariam doishomens destes degredados que aqui deixassem, do que eles dariam se os levassem, por ser gente que ninguém entende. Nem eles tão cedo aprenderiam a falar para o saberem tão bem dizer que muito melhor estoutros o não digam, quando Vossa Alteza cá mandar.E que, portanto, não cuidassem de aqui tomar ninguém por força nem de fazer escândalo, para de todo mais os amansar e apacificar, senão somente deixar aqui os dois degredados, quando daqui partíssemos.E assim, por melhor a todos parecer, ficou determinado.Acabado isto, disse o Capitão que fôssemos nos batéis em terra e ver-se-ia bem como era o rio, e também para folgarmos.Fomos todos nos batéis em terra, armados e a bandeira conosco. Eles andavam ali na praia, à boca do rio, para onde nós íamos; e, antes que chegássemos, pelo ensino que dantes tinham, puseram todos os arcos, e acenavam que saíssemos. Mas, tanto que os batéis puseram as proas em terra, passaram-se logo todos além do rio, o qual não é mais largo que um jogo de mancal. E mal desembarcamos, alguns dos nossos passaram logo o rio, e meteram-se entre eles. Alguns aguardavam; outros afastavam-se. Era, porém, a coisa de maneira que todos andavam misturados. Eles ofereciam desses arcos com suassetas por sombreiros e carapuças de linho ou por qualquer coisa que lhes davam.Passaram além tantos dos nossos, e andavam assim misturados com eles, que eles se esquivavam e afastavam-se. E deles alguns iam-se para cima onde outros estavam.Então o Capitão fez que dois homens o tomassem ao colo, passou o rio, e fez tornar a todos.A gente que ali estava não seria mais que a costumada. E tanto que o Capitão fez tornar a todos, vieram a ele alguns daqueles, não porque o conhecessem por Senhor, pois me parece que não entendem, nem tomavam disso conhecimento, mas porque a gente nossa passava já para aquém do rio.Ali falavam e traziam muitos arcos e continhas daquelas já ditas, e resgatavam-nas por qualquer coisa, em tal maneira que os nossos trouxeram dali para as naus muitos arcos e setas e contas.Então tornou-se o Capitão aquém do rio, e logo acudiram muitos à beira dele.Ali veríeis galantes, pintados de preto e vermelho, e quartejados, assim nos corpos, como nas pernas, que, certo, pareciam bem assim.Também andavam, entre eles, quatro ou cinco mulheres moças, nuas como eles, que não pareciam mal. Entre elas andava uma com uma coxa, do joelho até o quadril, e a nádega, toda tinta daquela tintura preta; e o resto, tudo da sua própria cor. Outra trazia ambos os joelhos, com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas e com tanta inocência descobertas, que nisso não havia nenhuma vergonha.Também andava aí outra mulher moça com um menino ou menina ao colo, atado com um pano (não sei de quê) aos peitos, de modo que apenas as perninhas lhe apareciam. Mas as pernas da mãe e o resto não traziam pano algum.Depois andou o Capitão para cima ao longo do rio, que corre sempre chegado à praia. Ali esperou um velho, que trazia na mão uma pá de almadia. Falava, enquanto o Capitão esteve com ele, perante nós todos, sem nunca ninguém o entender, nem ele a nósquantas coisas que lhe demandávamos acerca de ouro, que nós desejávamos saber se na terra havia.Trazia este velho o beiço tão furado, que lhe caberia pelo furo um grande dedo polegar, e metida nele uma pedra verde, ruim, que cerrava por fora esse buraco. O Capitão lha fez tirar. E ele não sei que diabo falava e ia com ela direito ao Capitão, para lha meter na boca. Estivemos sobre isso rindo um pouco; e então enfadou-se o Capitão e deixou-o. E um dos nossos deu-lhe pela pedra um sombreiro velho, não por ela valer alguma coisa,mas por amostra. Depois houve-a o Capitão, segundo creio, para, com as outras coisas, a mandar a Vossa Alteza.Andamos por aí vendo a ribeira, a qual é de muita água e muito boa. Ao longo dela há muitas palmas, não muito altas, em que há muito bons palmitos. Colhemos e comemos deles muitos.Então tornou-se o Capitão para baixo para a boca do rio, onde havíamos desembarcado.Além do rio, andavam muitos deles dançando e folgando, uns diante dos outros, sem se tomarem pelas mãos. E faziam-no bem. Passou-se então além do rio Diogo Dias, almoxarife que foi de Sacavém, que é homem gracioso e de prazer; e levou consigo um gaiteiro nosso com sua gaita. E meteu-se com eles a dançar, tomando-os pelas mãos; e elesfolgavam e riam, e andavam com ele muito bem ao som da gaita. Depois de dançarem, fez-lhes ali, andando no chão, muitas voltas ligeiras, e salto real, de que eles se espantavam e riam e folgavam muito. E conquanto com aquilo muito os segurou e afagou, tomavam logo uma esquiveza como de animais monteses, e foram-se para cima.E então o Capitão passou o rio com todos nós outros, e fomos pela praia de longo, indo os batéis, assim, rente da terra. Fomos até uma lagoa grande de água doce, que está junto com a praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cimae sai a água por muitos lugares.E depois de passarmos o rio, foram uns sete ou oito deles andar entre os marinheiros que se recolhiam aos batéis. E levaram dali um tubarão, que Bartolomeu Dias matou, lhes levou e lançou na praia.Bastará dizer-vos que até aqui, como quer que eles um pouco se amansassem, logo duma mão para outra se esquivavam, como pardais, do cevadoiro. Homem não lhes ousa falar de rijo para não se esquivarem mais; e tudo se passa como eles querem, para os bem amansar.O Capitão ao velho, com quem falou, deu uma carapuça vermelha. E com toda a fala que entre ambos se passou e com a carapuça que lhe deu, tanto que se apartou e começou de passar o rio, foi-se logo recatando e não quis mais tornar de lá para aquém.Os outros dois, que o Capitão teve nas naus, a que deu o que já disse, nunca mais aqui apareceram - do que tiro ser gente bestial, de pouco saber e por isso tão esquiva. Porém e com tudo isso andam muito bem curados e muito limpos. E naquilo me parece ainda mais que são como aves ou alimárias monteses, às quais faz o ar melhor pena e melhor cabelo que às mansas, porque os corpos seus são tão limpos, tão gordos e tão formosos, que nãopode mais ser.Isto me faz presumir que não têm casas nem moradas a que se acolham, e o ar, a que se criam, os faz tais. Nem nós ainda até agora vimos nenhuma casa ou maneira delas.Mandou o Capitão aquele degredado Afonso Ribeiro, que se fosse outra vez com eles. Ele foi e andou lá um bom pedaço, mas à tarde tornou-se, que o fizeram eles vir e não o quiseram lá consentir. E deram-lhe arcos e setas; e não lhe tomaram nenhuma coisa do seu. Antes - disse ele - que um lhe tomara umas continhas amarelas, que levava, e fugia com elas, e ele se queixou e os outros foram logo após, e lhas tomaram e tornaram-lhas a dar; e então mandaram-no vir. Disse que não vira lá entre eles senão umas choupaninhas de rama verde e de fetos muito grandes, como de Entre Douro e Minho.E assim nos tornamos às naus, já quase noite, a dormir.À segunda-feira, depois de comer, saímos todos em terra a tomar água. Ali vieram então muitos, mas não tantos como as outras vezes. Já muito poucos traziam arcos. Estiveram assim um pouco afastados de nós; e depois pouco a pouco misturaram-se conosco. Abraçavam-nos e folgavam. E alguns deles se esquivavam logo. Ali davam alguns arcos por folhas de papel e por alguma carapucinha velha ou por qualquer coisa. Em tal maneira isto se passou, que bem vinte ou trinta pessoas das nossas se foram com eles, onde outros muitos estavam com moças e mulheres. E trouxeram de lá muitos arcos e barretes de penas de aves, deles verdes e deles amarelos, dos quais, creio, o Capitão há de mandar amostra a Vossa Alteza.E, segundo diziam esses que lá foram, folgavam com eles. Neste dia os vimos mais de perto e mais à nossa vontade, por andarmos quase todos misturados. Ali, alguns andavam daquelas tinturas quartejados; outros de metades; outros de tanta feição, como em panos de armar, e todos com os beiços furados, e muitos com os ossos neles, e outros sem ossos.Alguns traziam uns ouriços verdes, de árvores, que, na cor, queriam parecer de castanheiros, embora mais pequenos. E eram cheios duns grãos vermelhos pequenos, que, esmagando-os entre os dedos, faziam tintura muito vermelha, de que elesandavam tintos. E quanto mais se molhavam, tanto mais vermelhos ficavam.Todos andam rapados até cima das orelhas; e assim as sobrancelhas e pestanas.Trazem todos as testas, de fonte a fonte, tintas da tintura preta, que parece uma fita preta, da largura de dois dedos.E o Capitão mandou aquele degredado Afonso Ribeiro e a outros dois degredados, que fossem lá andar entre eles; e assim a Diogo Dias, por ser homem ledo, com que eles folgavam. Aos degredados mandou que ficassem lá esta noite.Foram-se lá todos, e andaram entre eles. E, segundo eles diziam, foram bem uma légua e meia a uma povoação, em que haveria nove ou dez casas, as quais eram tão compridas, cada uma, como esta nau capitânia. Eram de madeira, e das ilhargas de tábuas, e cobertas de palha, de razoada altura; todas duma só peça, sem nenhum repartimento, tinham dentro muitos esteios; e, de esteio a esteio, uma rede atada pelos cabos, alta, em que dormiam. Debaixo, para se aquentarem, faziam seus fogos. E tinha cada casa duas portas pequenas, uma num cabo, e outra no outro.Diziam que em cada casa se recolhiam trinta ou quarenta pessoas, e que assim os achavam; e que lhes davam de comer daquela vianda, que eles tinham, a saber, muito inhame e outras sementes, que na terra há e eles comem. Mas, quando se fez tardefizeram-nos logo tornar a todos e não quiseram que lá ficasse nenhum. Ainda, segundo diziam, queriam vir com eles.Resgataram lá por cascavéis e por outras coisinhas de pouco valor, que levavam, papagaios vermelhos, muito grandes e formosos, e dois verdes pequeninos e carapuças de penas verdes, e um pano de penas de muitas cores, maneira de tecido assaz formoso, segundo Vossa Alteza todas estas coisas verá, porque o Capitão vo-las há de mandar, segundo ele disse.E com isto vieram; e nós tornámo-nos às naus.À terça-feira, depois de comer, fomos em terra dar guarda de lenha e lavar roupa.Estavam na praia, quando chegamos, obra de sessenta ou setenta sem arcos e sem nada. Tanto que chegamos, vieram logo para nós, sem se esquivarem. Depois acudiram muitos, que seriam bem duzentos, todos sem arcos; e misturaram-se todos tanto conosco que alguns nos ajudavam a acarretar lenha e a meter nos batéis. E lutavam com os nossos e tomavam muito prazer.Enquanto cortávamos a lenha, faziam dois carpinteiros uma grande Cruz, dum pau, que ontem para isso se cortou.Muitos deles vinham ali estar com os carpinteiros. E creio que o faziam mais por verem a ferramenta de ferro com que a faziam, do que por verem a Cruz, porque eles não tem coisa que de ferro seja, e cortam sua madeira e paus com pedras feitas como cunhas, metidas em um pau entre duas talas, mui bem atadas e por tal maneira que andam fortes, segundo diziam os homens, que ontem a suas casas foram, porque lhas viram lá.Era já a conversação deles conosco tanta, que quase nos estorvavam no que havíamos de fazer.O Capitão mandou a dois degredados e a Diogo Dias que fossem lá à aldeia (e aoutras, se houvessem novas delas) e que, em toda a maneira, não viessem dormir às naus, ainda que eles os mandassem. E assim se foram.Enquanto andávamos nessa mata a cortar lenha, atravessavam alguns papagaios por essas árvores, deles verdes e outros pardos, grandes e pequenos, de maneira que me parece que haverá muitos nesta terra. Porém eu não veria mais que até nove ou dez. Outras aves então não vimos, somente algumas pombas-seixas, e pareceram-me bastante maioresque as de Portugal. Alguns diziam que viram rolas; eu não as vi. Mas, segundo os arvoredos são mui muitos e grandes, e de infindas maneiras, não duvido que por esse sertão haja muitas aves!Cerca da noite nos volvemos para as naus com nossa lenha.Eu creio, Senhor, que ainda não dei conta aqui a Vossa Alteza da feição de seus arcos e setas. Os arcos são pretos e compridos, as setas também compridas e os ferros delas de canas aparadas, segundo Vossa Alteza verá por alguns que - eu creio -- o Capitão a Ela há de enviar.À quarta-feira não fomos em terra, porque o Capitão andou todo o dia no navio dos mantimentos a despejá-lo e fazer levar às naus isso que cada uma podia levar. Eles acudiram à praia; muitos, segundo das naus vimos. No dizer de Sancho de Tovar, que lá foi, seriam obra de trezentos.Diogo Dias e Afonso Ribeiro, o degredado, aos quais o Capitão ontem mandou que em toda maneira lá dormissem, volveram-se, já de noite, por eles não quererem que lá ficassem. Trouxeram papagaios verdes e outras aves pretas, quase como pegas, a não ser que tinham o bico branco e os rabos curtos.Quando Sancho de Tovar se recolheu à nau, queriam vir com ele alguns, mas ele não quis senão dois mancebos dispostos e homens de prol. Mandou-os essa noite mui bem pensar e curar. Comeram toda a vianda que lhes deram; e mandou fazer-lhes cama de lençóis, segundo ele disse. Dormiram e folgaram aquela noite.E assim não houve mais este dia que para escrever seja.À quinta-feira, derradeiro de abril, comemos logo, quase pela manhã, e fomos em terra por mais lenha e água. E, em querendo o Capitão sair desta nau, chegou Sancho de Tovar com seus dois hóspedes. E por ele ainda não ter comido, puseram-lhe toalhas. Trouxeram-lhe vianda e comeu. Aos hóspedes, sentaram cada um em sua cadeira. E de tudo o que lhes deram comeram mui bem, especialmente lacão cozido, frio, e arroz.Não lhes deram vinho, por Sancho de Tovar dizer que o não bebiam bem.Acabado o comer, metemo-nos todos no batel e eles conosco. Deu um grumete a um deles uma armadura grande de porco montês, bem revolta. Tanto que a tomou, meteu-a logo no beiço, e, porque se lhe não queria segurar, deram-lhe uma pequena de cera vermelha. E ele ajeitou-lhe seu adereço detrás para ficar segura, e meteu-a no beiço, assim revolta paracima. E vinha tão contente com ela, como se tivesse uma grande jóia. E tanto que saímos em terra, foi-se logo com ela, e não apareceu mais aí.Andariam na praia, quando saímos, oito ou dez deles; e de aí a pouco começaram a vir mais. E parece-me que viriam, este dia, à praia quatrocentos ou quatrocentos e cinqüenta.Traziam alguns deles arcos e setas, que todos trocaram por carapuças ou por qualquer coisa que lhes davam. Comiam conosco do que lhes dávamos. Bebiam alguns deles vinho; outros o não podiam beber. Mas parece-me, que se lho avezarem, o beberão de boa vontade.Andavam todos tão dispostos, tão bem-feitos e galantes com suas tinturas, que pareciam bem. Acarretavam dessa lenha, quanta podiam, com mui boa vontade, e levavam-na aos batéis.Andavam já mais mansos e seguros entre nós, do que nós andávamos entre eles.Foi o Capitão com alguns de nós um pedaço por este arvoredo até uma ribeira grande e de muita água que, a nosso parecer, era esta mesma, que vem ter à praia, e em que nós tomamos água.Ali ficamos um pedaço, bebendo e folgando, ao longo dela, entre esse arvoredo, que é tanto, tamanho, tão basto e de tantas prumagens, que homens as não podem contar. Há entre ele muitas palmas, de que colhemos muitos e bons palmitos.Quando saímos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos direitos à Cruz, que estava encostada a uma árvore, junto com o rio, para se erguer amanhã, que é sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. A esses dez ou doze que aí estavam, acenaram-lhe que fizessem assim, e foram logo todos beijá-la.Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença.E portanto, se os degredados, que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa intenção de Vossa Alteza, se hão de fazer cristãos e crer em nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque, certo, esta gente é boa e de boa simplicidade. E imprimir-se-á ligeiramente neles qualquer cunho, que lhes quiserem dar. E pois Nosso Senhor, que lhes deu bons corpos e bonsrostos, como a bons homens, por aqui nos trouxe, creio que não foi sem causa.Portanto Vossa Alteza, que tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da sua salvação. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim.Eles não lavram, nem criam. Não há aqui boi, nem vaca, nem cabra, nem ovelha, nem galinha, nem qualquer outra alimária, que costumada seja ao viver dos homens. Nem comem senão desse inhame, que aqui há muito, e dessa semente e frutos, que a terra e as árvores de si lançam. E com isto andam tais e tão rijos e tão nédios, que o não somos nós tanto, com quanto trigo e legumes comemos.Neste dia, enquanto ali andaram, dançaram e bailaram sempre com os nossos, ao som dum tamboril dos nossos, em maneira que são muito mais nossos amigos que nós seus.Se lhes homem acenava se queriam vir às naus, faziam-se logo prestes para isso,em tal maneira que, se a gente todos quisera convidar, todos vieram. Porém não trouxemos esta noite às naus, senão quatro ou cinco, a saber: o Capitão-mor, dois; e Simão de Miranda, um, que trazia já por pajem; e Aires Gomes, outro, também por pajem.Um dos que o Capitão trouxe era um dos hóspedes, que lhe trouxeram da primeira vez, quando aqui chegamos, o qual veio hoje aqui, vestido na sua camisa, e com ele um seu irmão; e foram esta noite mui bem agasalhados, assim de vianda, como de cama, de colchões e lençóis, para os mais amansar.E hoje, que é sexta-feira, primeiro dia de maio, pela manhã, saímos em terra, com nossa bandeira; e fomos desembarcar acima do rio contra o sul, onde nos pareceu que seria melhor chantar a Cruz, para melhor ser vista. Ali assinalou o Capitão o lugar, onde fizessem a cova para a chantar.Enquanto a ficaram fazendo, ele com todos nós outros fomos pela Cruz abaixodo rio, onde ela estava. Dali a trouxemos com esses religiosos e sacerdotes diante cantando, em maneira de procissão.Eram já aí alguns deles, obra de setenta ou oitenta; e, quando nos viram assim vir, alguns se foram meter debaixo dela, para nos ajudar. Passamos o rio, ao longo da praia e fomo-la pôr onde havia de ficar, que será do rio obra de dois tiros de besta. Andando-se ali nisto, vieram bem cento e cinqüenta ou mais.Chantada a Cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiramente lhe pregaram, armaram altar ao pé dela. Ali disse missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram conosco a ela obra de cinqüenta ou sessenta deles, assentados todos de joelhos, assim como nós.E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram conosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado; e então tornaram-se a assentar como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim todos, como nós estávamos com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção.Estiveram assim conosco até acabada a comunhão, depois da qual comungaram esses religiosos e sacerdotes e o Capitão com alguns de nós outros.Alguns deles, por o sol ser grande, quando estávamos comungando, levantaram-se, e outros estiveram e ficaram. Um deles, homem de cinqüenta ou cinqüenta e cinco anos, continuou ali com aqueles que ficaram. Esse, estando nós assim, ajuntava estes, que ali ficaram, e ainda chamava outros. E andando assim entre eles falando, lhes acenou com o dedo para o altar e depois apontou o dedo para o Céu, como se lhes dissessealguma coisa de bem; e nós assim o tomamos.Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima e ficou em alva; e assim se subiu junto com altar, em uma cadeira. Ali nos pregou do Evangelho e dos Apóstolos, cujo dia hoje é, tratando, ao fim da pregação, deste vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, o que nos aumentou a devoção.Esses, que à pregação sempre estiveram, quedaram-se como nós olhando para ele. E aquele, que digo, chamava alguns que viessem para ali. Alguns vinham e outros iam-se. E, acabada a pregação, como Nicolau Coelho trouxesse muitas cruzes de estanho comcrucifixos, que lhe ficaram ainda da outra vinda, houveram por bem que se lançasse a cada um a sua ao pescoço. Pelo que o padre frei Henrique se assentou ao pé da Cruz e ali, a um por um, lançava a sua atada em um fio ao pescoço, fazendo-lha primeiro beijar e alevantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançaram-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinqüenta.Isto acabado - era já bem uma hora depois do meio-dia - viemos às naus a comer, trazendo o Capitão consigo aquele mesmo que fez aos outros aquela mostrança para o altar e para o Céu e um seu irmão com ele. Fez-lhe muita honra e deu-lhe uma camisa mourisca e ao outro uma camisa destoutras.E, segundo que a mim e a todos pareceu, esta gente não lhes falece outra coisa para ser toda cristã, senão entender-nos, porque assim tomavam aquilo que nos viam fazer, como nós mesmos, por onde nos pareceu a todos que nenhuma idolatria, nem adoração têm. E bem creio que, se Vossa Alteza aqui mandar quem entre eles mais devagar ande, quetodos serão tornados ao desejo de Vossa Alteza. E por isso, se alguém vier, não deixe logo de vir clérigo para os batizar, porque já então terão mais conhecimento de nossa fé, pelos dois degredados, que aqui entre eles ficam, os quais, ambos, hoje também comungaram.Entre todos estes que hoje vieram, não veio mais que uma mulher moça, a qual esteve sempre à missa e a quem deram um pano com que se cobrisse. Puseram-lho a redor de si. Porém, ao assentar, não fazia grande memória de o estender bem, para se cobrir. Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal, que a de Adão não seria maior, quanto a vergonha.Ora veja Vossa Alteza se quem em tal inocência vive se converterá ou não, ensinando-lhes o que pertence à sua salvação.Acabado isto, fomos assim perante eles beijar a Cruz, despedimo-nos e viemos comer.Creio, Senhor, que com estes dois degredados ficam mais dois grumetes, que esta noite se saíram desta nau no esquife, fugidos para terra. Não vieram mais. E cremos que ficarão aqui, porque de manhã, prazendo a Deus, fazemos daqui nossa partida.Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas brancas; e a terra por cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é toda praia parma, muito chã e muito formosa.Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados como os de Entre Douro e Minho, porque neste tempo de agora osachávamos como os de lá.Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.Porém o melhor fruto, que nela se pode fazer, me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.E que aí não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute, bastaria. Quando mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa santa fé.E nesta maneira, Senhor, dou aqui a Vossa Alteza do que nesta vossa terra vi. E, se algum pouco me alonguei, Ela me perdoe, que o desejo que tinha, de Vos tudo dizer, mo fez assim pôr pelo miúdo.E pois que, Senhor, é certo que, assim neste cargo que levo, como em outra qualquer coisa que de vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro - o que dáEla receberei em muita mercê.Beijo as mãos de Vossa Alteza.Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia de maio de 1500.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pero Vaz de Caminha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115763904381238210?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115763904381238210/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115763904381238210&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115763904381238210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115763904381238210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/carta.html' title='A Carta'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115763900404550713</id><published>2006-09-07T16:23:00.000+02:00</published><updated>2006-09-07T16:26:38.506+02:00</updated><title type='text'>C' est vrai</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/beautiful2.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/beautiful2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;La belle de jour ...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115763900404550713?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115763900404550713/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115763900404550713&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115763900404550713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115763900404550713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/c-est-vrai.html' title='C&apos; est vrai'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115744802076389222</id><published>2006-09-05T11:20:00.000+02:00</published><updated>2006-09-05T11:32:15.426+02:00</updated><title type='text'>A corte portuguesa no Brasil</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/daumier.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/daumier.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Europa está devastada pelo furacão Napoleão que mexeu em todos os tronos europeus e, no fim de 1807, está chegando a Portugal.É  madrugada de 27/11/1807 e a corte, desesperada, se atropela com pressa e desordem no cais de Belém para embarcar, filhas sem pais, mulheres sem marido, pessoas da alta nobreza acham-se  a bordo sem roupa e com pouco ou nenhum dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dom João, e Dom Pedro Carlos, infante de Espanha, tomam a galeota Príncipe Real, Dona Carlota, as infantas e o infante Dom Miguel, embarcam na fragata Rainha de Portugal; Dom Pedro, príncipe do Brasil, espera a avó, a rainha, Dona Maria 1a, a Louca, que aos urros entremeados de lamúrias e exclamações de Ai Jesus !, Ai Jesus !, se recusa a embarcar pois quer ficar com o povo e resistir e, ambos, embarcam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trazem metade do tesouro português, algo em torno de 80 milhões de cruzados, a outra metade já fora quase toda gasta para comprar a neutralidade com a França de Napoleão, sequiosa dos tronos europeus, e o que resta em Lisboa, cerca de 10 milhões de cruzados, não dava para mover o reino e pagar as dívidas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A esquadra composta de 8 naus, 3 fragatas, 2 brigues, 1 escuna de guerra, 1 charrua de mantimentos e mais 20 navios mercantes da marinha portuguesa foi pequena para acomodar as 15.000 pessoas que fogem.A frota chegou a ser avistada por Junot quando chegou a Lisboa e, daí, vem o dito ficou a ver navios. Muitos nobres que não quiseram fugir, ainda abalados com o Massacre dos Távoras na época do Marquês de Pombal, aderem ao inimigo e se apressam a lhe fazer rapapés convidando-o para recepções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal, já vinha desde a época pós descobrimentos, a perder sua importância econômica e política no contexto mundial, que fora imensa, pois a tenacidade, competência técnica, empresarial e logística que demonstrara, fizera o comércio tornar-se mundial e os lucros e a riqueza foram formidáveis para o país. Dois factos causam um enorme prejuízo às finanças do reino: a Restauração dos Braganças, após o domínio espanhol de 1580 a 1640, custou muito caro, pois o auxilio inglês significou o casamento da filha de D. João 4o com o rei Carlos 2o da Inglaterra em 1661 e, para isso, houve o dote de 2 milhões de cruzados e a entrega da região de Tanger e Bombaim. A alegada expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654, que fora o ponto mais rico do mundo colonial português com sua exportação de açúcar atingindo 700 mil arrobas, fez com que, entre 1661 (Tratado de paz de Haia) e 1730, Portugal tivesse que pagar à Holanda, 4 milhões de cruzados de indemnização, além de entregar o Ceilão e as ilhas Molucas para a Holanda.Por conta dessa desastrada política de entrega de patrimônio e perda de renda, em 1800 Portugal já está sem força pois acabara o dinheiro que vinha do Brasil, cujo apogeu foi entre 1750 e 1760, quando se estima que veio uma fortuna, de 2,5 milhões de toneladas de ouro e 1,5 milhões de quilates de diamantes, que ajudou a reconstruir Lisboa destruída pelo terremoto ao tempo de D. José 1o e do Marquês de Pombal cuja energia, dinamismo e autoridade tiraram Portugal da letargia em que estava desde a época pós descobrimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portugal era um país em processo de alienação como metrópole autônoma pois começou dando ao inglês condições de igualdade com o português, avançou a ponto de sacrificar nossa indústria em prol da britânica e acabou por concordar em eliminar a lavoura brasileira para favorecer a agricultura das colônias inglesas das Antilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corte desembarca a 7/3/1808, todos imundos, fedidos, com pulgas e piolhos, no Rio de Janeiro cuja população total era de 60.000 almas, das quais 40.000 escravos negros. A chegada à baía é assim descrita por um viajante da época: "Não existe viajante algum que, tendo visto o Rio, não fale com admiração do magnífico espetáculo proporcionado pela baía da cidade. Esta baía é ainda mais vasta que a baía de Constantinopla, pois tem 5 léguas de extensão por ¾ de milha de largura, é defendida por rochas graníticas de efeito grandioso e poderia acolher todas as frotas do mundo sem amontoamento.Quando se entra na baía, após o sofrimento da longa travessia, fica-se comovido com o esplendor do panorama:Porém, que decepção se sente, oh meu Deus, quando se sai do ancoradouro ? ! Os perfumes que vem da baía são infectos!! "A explicação é simples, a água das casas era transportada pelos escravos de várias fontes em barris semelhantes aos que, no fim da tarde, carregavam os detritos pois as casas não tem fossa séptica já que o lençol freático, por causa do solo pantanoso, está muito próximo da superfície e todos os detritos domésticos são postos em barris que os escravos põem sobre a cabeça e vem, em procissão, para o mar onde os jogam, dá para imaginar o mau cheiro com o terrível calor do lugar, esses negros são como o símbolo da cidade. E o ponto onde jogam é próximo ao palácio e quem estiver na janela, não pode deixar de ver os horrorosos barris que vão e vem na água da baía ao cair da tarde e cujo odor se faz sentir até o fundo dos quartos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Hotel Pharoux, que hospeda os estrangeiros, fica inabitável conforme a direção do vento. Mais tarde, uma viajante francesa diz que as margens da baía não passam de um vaso sanitário infecto e as praias que pareciam tão belas do navio, eram o receptáculo das imundícies de toda a cidade !!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cidade andava extasiada com as notícias de que estava próximo o dia em que o rei, em pessoa, estaria na exuberante capital tropical, e o vice-rei e capitão geral do Brasil, Dom Marcos de Noronha e Brito, apoiado pelos grandes da terra, preparava a recepção e a instalação da corte, dando exemplo ao despejar-se, a si próprio, do palacete em que vivia para cedê-lo aos ilustres migrantes sem tecto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só do reino são 15.000 pessoas, da Inglaterra e França fortes comerciantes, da Itália vários artistas, da Áustria sábios naturalistas e da costa da África pretos de várias compleições. Na realidade, não resta opção para os moradores, pois uma das primeiras leis baixadas pelo regente, Dom João, foi impedir que os fluminenses tivessem mais que uma propriedade, ordem extensiva às lojas e armazém, determinando que a segunda propriedade fosse entregue aos migrantes necessitados vindos da mãe pátria. Esta lei esteve em vigor até 1818.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para se entender essa arbitrariedade há que se conhecer o poder do rei numa Monarquia Absolutista onde o Estado era apenas um aspecto da glória do rei e não havia separação nítida entre suas acções, desejos e vontades, tanto no Estado como em sua vida particular, pois o rei é o senhor de tudo e reinava no país como dono da casa e em casa como dono do país. A corte do antigo regime é entendida como uma imensa casa do rei e essa posse chega a tudo, tanto é que a separação dos fundos econômicos da Casa de Bragança e os fundos do Estado só serão separados com a criação de um Erário Público no 1o Reinado, com D. Pedro 1o Imperador (1822-1831).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A corte endividada e atônita com a novidade dos trópicos encontrou na colônia um tecido social que é assim qualificado "Já existia na colônia uma aristocracia de poder econômico e privilégio social composta de senhores de engenho, criadores de gado e fazendeiros produtores de víveres e mercadorias, os quais agrupados em clãs impenetráveis controlavam as áreas situadas em torno das principais cidades litorâneas sendo que a aristocracia nordestina era simpática a Portugal e a do sul era resistente ao poder real, (Alan Manchester)" .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D. João 6°, (13/5/1767-10/3/1827), 27° Rei de Portugal, Duque de Bragança, Barcelos e Guimarães, Marquês de Viçosa, Conde de Arraiolos, é baixo, gordo, bonachão, comilão, sossegado, carola e só foi rei porque os dois irmãos mais velhos morreram e a mãe ficou louca !!! porém, apesar de uma aparente fraqueza, representa a visão do futuro e da adaptabilidade à nova ordem, pós revolução francesa, é ele a querer vir para o novo mundo, é ele a querer ficar, e a fazer o Brasil, Colônia e Vice Reino de 1500 a 1808, virar Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1808-1822), é ele em Janeiro de 1808 a abrir os portos brasileiros num acto que é considerado o início da emancipação econômica do Brasil, é ele em Abril de 1808 a dar o Alvará de Liberdade Industrial que permite a abertura da tecelagem, da manufactura de metais e alimentos. Porém a alegria dura pouco e os ingleses forçam-no a taxar a mercadoria brasileira em 16%, enquanto que a inglesa tem apenas taxa de 15%, o que faz fracassar a indústria brasileira, é ele que em 1808 funda o Banco do Brasil para regular a moeda, porém o desmando é de tal ordem, se emite tanto dinheiro que o lastro de ouro é superado, o dinheiro perde o valor e a respeitabilidade e o Banco fecha as portas em 1828 insolvente, é ele a quem o Brasil deve o grande esplendor econômico do café no Império pois entrega com as próprias mãos aos vassalos, mais chegados à corte, as mudas de café que manda trazer da Africa. É ele, finalmente, a ter a perspicácia de fazer o filho ficar, cá no Brasil, quando urge voltar a Portugal para acalmar os ânimos dos reinóis indignados com a ausência do rei, é ele, injustiçado pela história oficial que não lhe dá a unanimidade ao julgar como sua, a decisão de vir para o Brasil como estrategista competente que era é ele, sem dúvida, a grande figura da Casa de Bragança e a quem o Brasil deve sua existência como Nação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlota Joaquina, (25/4/1777-7/1/1830), filha de Carlos 4° de Espanha e de Maria Luisa, a fogosa rainha que brigou com a Duquesa de Alba por ciúmes de Goia o grande pintor dos reis de Espanha, era bisneta de Luís XV, tetraneta de Luís XIV, ambos reis de França, era baixa, feia, disforme, com barba e bigode, e sonhava com a grandeza da Espanha e detestava o Brasil não vendo a hora de voltar para a Europa, não houve na corte no exílio, quem mais se deu a intrigas, e das mais ambiciosas, inclusive para submeter o reino aos domínios espanhóis.D. João e Carlota Joaquina, tiveram 9 filhos, entre eles: 1 Imperador, 1 Rei e 2 Rainhas:Maria Teresa, princesa da Beira; Antonio, morto jovem; Maria Isabel, mulher de Fernando 7° (1784-1833) rei de Espanha; Pedro, 1° Imperador do Brasil, e rei de Portugal como Pedro IV; Maria Francisca, mulher de Carlos 5° (1788-1855) rei de Espanha; Isabel Maria, regente de Portugal (1826-1828); Miguel, que pelo casamento com a filha de D. Pedro 1°, sua sobrinha, torna-se rei de Portugal; Maria, morta solteira e Ana, duquesa de Loulé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A apologia do poder enfatizava as propriedades inatas do soberano com seu caráter paternal para com seu povo e sua procedência divina e sua capacidade divina de conceder graças. Porém a nobreza migrada, composta da mais alta nobreza de sangue e espada como os Caparicas, Lavradios, Pombais, Belas, Redondos e a nobreza de toga, mais recente e influente nos cargos da administração do reino, como os Anadia, Vagos, Angeja, Belmonte ou Cadaval, empenhou-se como pode para alargar as distâncias que as separavam das elites nativas criando uma tensão sócio cultural que marca a estada da corte no Brasil.Os anos de 1817 e 1818 foram os mais faustosos da permanência da corte no Brasil. Em particular o período entre a chegada da princesa Leopoldina, filha do imperador da Austria-Hungria, a 5/11/1817, para o casamento com D. Pedro, Duque de Bragança e Príncipe do Brasil e o aniversário e coroação e aclamação de D. João, a 13/5/1818, como monarca de uma tradicional Casa Real européia, foram inúmeras festas com desfiles e arcos triunfais pelas ruas da cidade que deslumbraram, pelo luxo, fausto e riqueza, a população da cidade.Os sentimentos de vassalagem dos fluminenses se exprimem pelos muitos e gordos donativos feitos para sustentar o dia a dia da corte que era de manutenção caríssima e contínua pois, só em aves para a alimentação gastava-se 75 contos de réis por mês, e, praticamente, o rei não tinha nenhuma outra renda além da concessão das mercês, franqueadas aos vassalos, como já era praxe em Portugal desde D. João 5o, 24o rei de Portugal, (1706-1750), e que era o principal capital econômico de que dispunha a monarquia. Em 1800 conseguia-se em Portugal, o Foro de Fidalgo por 25.000 cruzados e o Hábito de Cristo por 5.000 cruzados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Portugal foi diferente das demais nobrezas territoriais européias por não fundar o seu estado, e o seu poder, exclusiva ou maioritariamente, nos senhorios da terra, lá havia uma categoria de nobre genuinamente lusitano, o fidalgo mercador. A partir do Marquês de Pombal, no século XVIII, se consolida em Portugal a importância da burguesia na sociedade portuguesa que participa da máquina administrativa e luta pelo ideal da nobilitação ficando cada vez mais rica, enquanto que a nobreza decaía e se endividava cada vez mais.D. João com a Rainha, Dona Maria 1a, se instalam na Quinta da Boa Vista que recebe em doação de Elias Antonio Lopes, a quem confidenciou maravilhado Eis aqui huma varanda Real, Eu não tinha em Portugal cousa assim. Porém, a casa não convence como residência real a John Luccock que a considera: acanhada e pretensiosa, mal construída e pessimamente mobiliada. Carlota Joaquina fica na antiga sede do vice-reino, no centro da cidade, que era absolutamente desprezível como habitação real, com 63,98 m. por 23,76 m. de área porém é: um casarão sem nenhum mérito arquitetônico.A Quinta avaliada em 400 cruzados rendeu a Elias a Comenda da Ordem de Cristo e o titulo de Cavaleiro da Casa Real, Elias ao morrer, em 1815, deixou uma fortuna de 235.908$701 e, ainda mais, 110 escravos avaliados em 9 contos de réis.Manuel José da Costa Filgueiras Gayo informa no Nobiliário de famílias de Portugal, que o foro de Cavaleiro ou Escudeiro era sinal de nobreza de sangue, principalmente, quando esse título já era usado antes da reforma de D. Sebastião em 1572 reforma, esta, que simplificou, e facilitou, as exigências para qualificar os novos titulares já inseridos na nova dinâmica social que começa a imperar entre a nobreza de Portugal a partir do século XVII.Temos outros ricos fluminenses, que tinham preponderância sobre os outros sectores econômicos existentes na colônia, como os comerciantes reinóis e a aristocracia agrária nativa, e foram esses comerciantes de grosso trato fluminenses, que ajudaram a manter o passadio da corte e foram agraciados com Comendas e Títulos: Manoel Caetano Pinto cuja fortuna, em 1839, era de 280 contos de réis. José Inácio Vaz Vieira, Antonio Gomes Barroso, Antonio José Ferreira, genro de Manoel Caetano Pinto, com fortuna de 300 contos de réis, e vários outros, entre eles o mais influente, Brás Carneiro Leão, o maior dos negociantes de grosso trato do Rio de Janeiro que, já em 1802, fora agraciado com a Ordem de Cristo e era Cavaleiro da Casa Real e tinha carta de brasão para si e seus 6 filhos. Louis de Freycinet, comentando a vida social do Rio informa que ficou atônito com as mulheres da família de Carneiro Leão as quais usam jóias de tal magnificência que apenas os diamantes são avaliados em 6 milhões de francos.Os ricos fluminenses levantavam-se às 9 horas, desjejum às 10, trabalhavam até às 3, fazem em seguida uma longa sesta e, às 20, tomavam um chá com a família. Quando eram convidados para a casa de amigos iam às 19 e voltavam às 23. Quando tinha baile voltavam às 2 ou 3 horas da madrugada.O almoço/jantar começava com uma sopa de carne com legumes, seguida de frango com arroz e molho picante, entre cada prato uma colherada de farinha de mandioca como se fosse o pão e, para refrescar o paladar, usavam laranjas e saladas. Como sobremesa tinham o arroz doce, queijo de minas, holandês ou inglês, frutas variadas e, para beber, porto ou madeira e o café. Somente os homens usam a faca, mulheres e crianças se servem com os dedos e as escravas comem ao mesmo tempo, em pontos diversos da sala sendo que, por vezes, suas senhoras lhes dão um bocado com as próprias mãos. Os estrangeiros sentiam repugnância pelo prato de carne seca de Minas com feijão preto e farinha de mandioca, tudo isso cozido e amassado com os dedos que são lambidos no final.A mulher vivia confinada, privada de liberdade, num contínuo isolamento, sempre fechada em casa e mesmo entre a nobreza vigorava a norma da província, de que a mulher só três vezes saía de casa, para ser batizada, para casar, para ser enterrada. As mulheres costumavam sentar-se em esteiras, de pernas cruzadas à maneira oriental, junto às janelas rodeadas de escravas para servi-las. O ócio e a falta de exercícios rapidamente deformavam o corpo das adolescentes que, aos 13 anos assumiam o papel de matronas e, aos 18 já atingiam a plena maturidade física. A beleza feminina da época ia da moça do tipo quebradiço, quase doentio, à mulher gorda, mole, caseira, maternal, de coxas e nádegas largas, com pezinhos deformados por sapatos apertados demais, de seda nas cores branca, azul, celeste, rosa, que duram 2 dias pois as calçadas são péssimas, só em 1818 chega a moda dos sapatos envernizados de couro que são caríssimos. A cintura de vespa era apertada pelo espartilho. Os cabelos eram longos e com todos os formatos arquitetônicos possíveis e com nomes pitorescos: tapa missa e trepa moleque. Usavam chales de seda, lã, pelo de camelo, renda, tricô, musselina bordada de ouro ou prata.Os homens, sempre de barba e/ou bigode, se vestiam como ingleses e tinham como característica o fardamento das diversas ordens, com guarda roupa composto de calças, calções, camisas, casacos, sobrecasacas, chambre de seda, lenços e gravatas, meias de seda, chapéus, jaquetas e xales de lã, tudo sempre muito colorido.A vida social é muito chata e as distrações pouco freqüentes pois quase não há reuniões sociais. Os jantares, bailes ou reuniões em casa particular, são coisas quase inexistentes. O 1o teatro foi construído pelo governo e inaugurado a 12/10/1813, com o nome de Teatro São João, continha 1.020 poltronas e 112 camarotes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CONCLUSÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A configuração social da corte joanina no Brasil, é composta por muitos naturais do país que foram honrados com as Insígnias das Ordens estabelecidas e receberam Títulos e Brasões de Armas, dados como prêmio de relevantes serviços prestados ao rei. A Nação colheu o fruto, de tão benéfica providência real, exterminando as ilusões democráticas e dirigindo, e submetendo, todas as classes sociais na dourada cadeia da subordinação ao rei, sempre tendo em vista a pirâmide monárquica e, mantendo sob controle os indivíduos em seus ofícios e no devido respeito à autoridade Real e, esta semente, irá frutificar com tremenda intensidade no Império que se instala após a volta de D. João a Portugal, quando ocorre um furor de nobilitação que espanta, até hoje, pela quantidade de títulos concedidos e cujos titulares darão o suporte político financeiro ao regime Imperial até o fim. A viúva de Carneiro Leão, Francisca Maciel da Costa, é feita Baronesa de São Salvador dos Campos de Goitacazes, em 1823, e é a 1a brasileira/o a receber mercê de título nobiliárquico do Imperador. Seu filho, Fernando Carneiro Leão, será Barão de Vila Nova de São José, em 1825, e uma de suas filhas, casa-se com o filho do 1o Conde de Linhares, Rodrigo de Souza Coutinho, que é o exemplo típico da nova nobreza portuguesa pois representa a nobilitação de mercadores de grosso trato sem nenhuma ascendência de linhagem de sangue.A Baronesa de São Salvador dos Campos de Goitacazes dá inicio à nobreza brasileira que nos 67 anos de Império se constituiu de 1.211 títulos assim discriminados:Duques: 3, Marqueses: 47, Condes: 51, Viscondes: 235, Barões: 875&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes títulos foram dados, prioritariamente, aos fazendeiros e, depois, aos ocupantes de cargos públicos, aos comerciantes, aos negociantes e, por fim, aos intelectuais e aos capitalistas.Os homens da colônia não tinham uma sociedade de corte por estarem longe do rei e, quando ficam frente a frente com o rei e sua corte, ficam arrebatados, pois tudo se ofuscava ante o inédito da situação, ainda mais aos olhos dos potentados fluminenses, atraídos pelo brilho da corte que se insere em seu cotidiano, e eles se submetem às adversidades da vida palaciana pois os ricos do Rio de Janeiro querem tornar-se nobres, ter um título, freqüentar o trono, por ser este o primeiro, e mais forte, valor da sociedade pré capitalista, e colocam as suas bolsas à disposição do rei que as usa com sofreguidão.A estada de D. João 6o no Rio, permitiu a reorganização política-jurídica do país e se estabeleceram os contatos, mais ou menos amistosos, mais ou menos conflitantes, entre as 2 facções, a nobreza migrada e as elites da terra constituída por negociantes de grosso trato, sendo que, os reinóis primavam por alargar e enfatizar as distâncias honoríficas insuperáveis, pois era o que restara para essa gente saqueada, perseguida, exilada, humilhada, na indigência financeira que, ao desembarcar, não tinha nada além da honra e da etiqueta como os únicos elementos que lhes conferiam identidade como grupo e podiam qualificá-los no teatro da corte, e aos da terra nada mais restava que ostentar o poderio econômico que, pensavam, poderia lhes comprar a distinção junto ao rei. Nesse encontro, nada tranqüilo, nessa fusão conflituosa de interesses, orquestrada, sabiamente pelo rei, se definiram os contornos da nascente classe dirigente brasileira, que promoveu a construção do Estado Imperial durante o século XIX e, em algumas particularidades, permanecem como elementos construtivos da relação política social no Estado Brasileiro, até hoje.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115744802076389222?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115744802076389222/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115744802076389222&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115744802076389222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115744802076389222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/corte-portuguesa-no-brasil.html' title='A corte portuguesa no Brasil'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115738157418727303</id><published>2006-09-04T16:52:00.000+02:00</published><updated>2006-09-04T17:07:24.940+02:00</updated><title type='text'>La mélancolie ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/muncholdman.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/muncholdman.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Je suis le ténébreux - le veuf, - l'inconsolé,&lt;br /&gt;Le prince d'Aquitaine à la tour abolie;&lt;br /&gt;Ma seule étoile est morte, - et mon luth constellé&lt;br /&gt;Porte le soleil noir de la Mélancolie.&lt;br /&gt;Dans la nuit du tombeau, toi qui m'as consolé,&lt;br /&gt;Rends-moi le Pausilippe et la mer d'Italie,&lt;br /&gt;La fleur qui plaisait tant à mon coeur désolé,&lt;br /&gt;Et la treille où le pampre à la rose s'allie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suis-je Amour ou Phébus?... Lusignan ou Biron?&lt;br /&gt;Mon front est rouge encor du baiser de la reine;&lt;br /&gt;J'ai rêvé dans la grotte où nage la sirène...&lt;br /&gt;Et j'ai deux fois vainqueur traversé l'Achéron:&lt;br /&gt;Modulant tour à tour sur la lyre d'Orphée&lt;br /&gt;Les soupirs de la sainte et les cris de la fée.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115738157418727303?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115738157418727303/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115738157418727303&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115738157418727303'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115738157418727303'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/la-mlancolie.html' title='La mélancolie ...'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115738027451033810</id><published>2006-09-04T16:31:00.000+02:00</published><updated>2006-09-04T16:46:49.900+02:00</updated><title type='text'>L</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/picassoarlequin.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/picassoarlequin.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há dois dias e duas noites o meu pai, bem, deixou de abrir os olhos e fechá-los e piscar só um com um sorriso assim estranho como se estivesse a partilhar comigo uma coisa qualquer engraçada que não precisava de palavras, por exemplo se passava uma mulher muito gorda lá fora ou se o vento vinha e entortava os guarda-chuvas dos homens de fato e gravata, e deixou de fumar e de calçar e descalçar as botas grossas e deixou também de se levantar da cama e ir pôr-se de pé parado junto à janela a olhar com olhos claros, nunca percebi se azuis se verdes, a estrada, os automóveis, as pessoas, o lixo que voa, bem, deixou de fazer muitas coisas, quase tudo pra dizer a verdade, passou a ficar só deitado no quarto dele, virado para o tecto mas de pálpebras cerradas, um pai magro e nu sobre a colcha já um bocado para o velhota, a fazer só assim um silêncio e um cheiro a intestinos e suor ou não bem isto mas não muito diferente disto. Fiquei, claro, meio sem saber como reagir a esta mudança, mas na minha confusão lá consegui decidir que passados dois dias e duas noites às nove da manhã sairia, acontecesse o que acontecesse sairia. São nove da manhã, por isso saio. Tenho um relógio que marca bem as horas, foi o meu pai que me deu, não sei como é que o arranjou, um dia apareceu e trazia aquilo. Andou com ele no pulso durante dois anos, depois fartou-se e deu-mo. É um relógio digital, com números rectos. O zero é um rectângulo de pé, o nove um quadrado com uma perna só. Foi feito em Taiwan.A nossa casa, minha e do meu pai, é uma casa pequena, em ruínas mas com um telhado apesar de tudo, e uma cor muito característica que não conheço de outros lugares. Não exactamente uma cor mas mais um tom, um castanho-acinzentado com manchas de humidade e sujo. Está assim no meio de nada, num terreno vago que quando chove fica lama, onde estacionam os piores automóveis das pessoas que trabalham nos prédios, os automóveis melhores e maiores entram nos prédios. É uma casa assim que só tem prédios altos à volta e uma estrada tipo via-rápida que passa relativamente perto. Tudo, os prédios, a estrada, um centro comercial até, tudo é relativamente perto da casa, mas não mesmo em cima dela, porque à volta dela de facto há só o tal terreno vago que não é propriamente nada, daí eu dizer que é uma casa assim no meio de nada.Sigo pela berma da estrada para a avenida grande dos prédios altos. Queria ver se encontrava alguma coisa de comer ou de beber mas só vejo folhas de revista com fotografias de pessoas famosas. Não estou assim tão desesperado. Tenho a impressão de ter no estômago uma broca que se torce e vai torcendo, mas quando me mexo, quando ando, é melhor, como se o lento movimento da broca na barriga fosse contrariado pelo meu movimento geral. Quando ando preocupo-me em mexer-me todo. Não só as pernas e um braço balançando de cada vez, não, não gosto disso, isso é feio, não, sempre que ando, é tão raro, aproveito cada centímetro e mexo-me completamente. Um tipo de andar que começa na bacia e se espalha, para cima e para baixo, como uma espécie de dança ou quase, não sei bem qual será o efeito disto ao longe, como é que alguém que passa do outro lado da rua me vê, haverá um efeito estético de dança ou nem tanto, nem tanto? Mas o importante é que isto me ajuda de alguma forma, é uma forma de me deslocar mas também de desanuviar, de fazer exercício, embora isso não me interesse assim por aí além, e uma forma de não ter de pensar no meu corpo. Isso é que é o mais importante. Agora paro. No alto de um poste uma confusão de coisas eléctricas. Cabos e reviravoltas várias, com um ar de sinal de alguma coisa. Atrás, no alto, o céu muito azul e aquilo assim tão verdadeiro, cheio de brilhos e complicações de máquina, complicações humanas, objectos misturados uns com os outros sem lógica aparente, objectos que não sei como se chamam mas podiam chamar-se turbinas, polos, fios, quadros, como uma coisa que vale por si, como um sinal. Olho para aquilo durante catorze minutos, cronometro no meu relógio, e depois continuo. Dói-me a barriga. A ver se assim andando fico um bocado melhor.Passam automóveis de cores quase sempre as mesmas, branco, preto, ou azul-escuro, e vermelho, e fazem barulho mas é um barulho que não me prejudica de qualquer maneira pois já estou super habituado a ele, super habituado, acho que ficava mal disposto e com dores de cabeça era se ele desaparecesse, um barulho que é como uma espécie de silêncio ruidoso, uma coisa lá muito ao fundo que faz vrrrum sem parar, continuamente, sem parar. E os prédios têm gente que sai e entra neles, e são altos até ao céu, e há umas imagens neles, por exemplo outros prédios ou céu com nuvens ou brilhos como sóis pequeninos. No passeio as pessoas olham-me quando estão longe, mas depois desviam os olhos e quando se aproximam fingem que nem me vêem, fingem que eu nem estou ali, mas o modo como olham para o chão ou para o outro lado não deixa dúvidas sobre a sua mentira. Eu tento com força olhá-las, mas não dá. Tento olhá-las só por jogo, porque de resto não me serve de nada. Aliás, devo dizer que não sei o que vou fazer ou o que devo fazer. Em parte foi por isso que esperei em casa dois dias e duas noites antes de sair. O meu pai é que saía de casa e ia arranjar coisas para nós comermos ou então coisas que dessem pra trocar ou até dinheiro, o que era bastante inusitado, até quase completamente impossível, aconteceu talvez uma vez, se tantas. Uma ou duas, não mais, seguramente. Mas, portanto, não sei como é que ele fazia. Se calhar andava por aí só à espera de um momento certo, de sorte, não sei.Tenho uma camisa branca e um casaco roxo tipo daqueles com ombros grandes, exagerados. A camisa já está, claro, meio para o suja, com umas manchas assim de terra ou lá o que é, e o casaco fica-me enorme e tem duas nódoas nas costas, já tinha quando o meu pai mo trouxe, mas fora isso é um conjunto engraçado e que não é por nada mas até me fica bastante bem. Nas calças é que tenho um problema. As bainhas estão descosidas e então às vezes piso-as e desequilibro-me um pouco.Isto para dizer que me espalhei ao comprido na rua. E qual não é a minha surpresa quando ao levantar-me vejo a Marlena. A Marlena é uma mulher bonita, um bocadinho gorda e com poucos dentes já, mas bonita, com um cabelo pintado de loiro e umas saias sempre curtas e justas. Conheço-a porque um dia, quando fiz vinte anos, o meu pai apareceu com ela lá em casa e disse para irmos os dois para o quarto dele. Na cama onde agora ele está deitado a fazer assim um silêncio e um cheiro esquisito ela ensinou-me a tirar a roupa toda e a pô-la outra vez. Quando estou sozinho nunca tiro a roupa toda, porque fico com frio. Nem no verão tiro. “Londres, o que é que fazes aqui?” pergunta-me. Ela chama-me assim, Londres. “Bem, estava a andar e... bem... bem...”“Malhaste,” diz ela, e sorri um sorriso desdentado com os olhos muito abertos de repente, e as sobrancelhas um só risco desenhando-lhe um arco na testa, e isso como que me embaraça um coche. “Sim... hã.”“O teu pai, que tal é que está? Já não o vejo há...”“Está deitado.”“Muito bem. Não tens dinheiro por acaso? Não queres vir comigo, passear um bocado, dar uma volta, hã?”“Não tenho dinheiro,” digo. “Não tenho dinheiro, mas agradaria... agradir-me... agradar-me-ia... sim, agradar-me-ia muito dar uma volta consigo, Marlena.”“Ah, afinal não posso, esqueci-me que tenho de ir ali ao centro comercial, desculpa.”“Não, não faz mal, Marlena. Adeus.”Fico a olhá-la enquanto ela se vai afastando, as pernas fortes mas com tornozelos fininhos, finíssimos, o rabo gordo dentro da saia bem apertada, e depois ganho coragem e viro-me outra vez para o meu caminho. Ao vê-la assim caminhar ao longe a minha cara tornou-se subitamente mais mole e mais comprida, sinto as bochechas meio lassas por dentro, como que sobrando, carne solta, e isso, isto, seja lá o que for, espalha-se de seguida pelos braços, chega aos ombros e atira-se daí a descer e quando chega às mãos fá-las pesadas, com um peso de sangue, cheias de sangue, cheias de vontade de sangue vermelho por baixo da pele e das unhas, e ao mesmo tempo há uma espécie de demoradíssima explosão no meu peito, oh! no buraco do meu peito, e o meu corpo inteiro é um corpo quebrado, desmultiplicado, qualquer coisa assim.Entre prédios e casas baixas, ando não sei quantos quilómetros durante uma hora e três minutos, cronometro no meu relógio. O três é um E virado para a esquerda. As fachadas estão com aquela luz boa de quando o dia está a terminar mas isso muda para sombra e escuro e olho para cima e há nuvens escuras a avançar. Nuvens grandes e muito escuras, muito juntas umas das outras tapando a cor azul. Um velho de barba mal feita olha-me, à porta de um prédio alto coberto de andaimes. Olha-me mesmo quando me aproximo, ao contrário dos outros todos. Quando passo mesmo junto a ele, no passeio, grita-me “Ei! Ei! Não és o filho do Lopes?”“Hã?...” Algumas pessoas chamam Lopes ao meu pai. “...Sim, sim, de facto.”“Como?” pergunta o velho.“Sim, sou filho.”“Ah! bem me parecia, bem me queria parecer!.... Sabes que eu sou um grande amigo do teu pai. Um grande amigo. Quer dizer, juntamo-nos às vezes pra jogar cartas ali no parque, lá pra cima, estás a ver?...”“Sim.”“Pois é, e ele um dia mostrou-me uma fotografia tua. Sabias disso? Sim, sim... Uma fotografia tipo photomatom, sabes? Daquelas tipo photomatom, sabes? Tu já não és desse tempo, se calhar não sabes, hã? Mas estás igualzinho, é incrível, igualzinho ao diabo da fotografia. Essas fotografias, sabes umas que há? tipo photomatom, é assim que se diz: photomatom, essas fotografias normalmente estragam completamente as caras das pessoas, ou pelo menos, não sei, transformam-nas, as pessoas ali quase nunca parecem o que são na realidade, compreendes? mas tu não, posso dizer isso de ti, caramba, tu não, tu, olha, estás igualzinho, estás tal e qual. Então, vê lá, o teu pai mostrou-me essa fotografia, uma tipo photomatom, não sei se sabes quais são, se calhar não, que agora elas quase que deixaram de existir, já há novas técnicas e tal, mas, portanto, estava a dizer, o teu pai mostrou-me essa tua fotografia há... ora, deixa cá ver... há... portanto, hoje é quarta-feira... costumamos encontrar-nos às segundas... mas na última não... na outra também não... olha, há mais de quinze dias... seguramente há mais de quinze dias... talvez mais... e, estás a ver? ainda te reconheci, hã?”“Pois é,” digo.“Reconheci ou não reconheci?”“Pois foi.”“Reconheci ou não reconheci? Hã?”“Sim.”“Pois foi,” diz o velho, e cala-se olhando para a minha cara. Na direcção da minha cara mas através dela, parece. Durante um momento ninguém fala. É um bocado embaraçoso estar assim na rua com aquele velho a olhar-me a cara sem falar.“Uma coincidência...” digo.Ele como que acorda, “E o teu pai, que tal é que está?”“Está... deitado.”“Óptimo, óptimo,” diz, ainda meio ausente, como que separado das palavras, como se através de mim tivesse visto algo terrível ou importante, e vira-se para dentro do prédio. Olho-o a afastar-se e a fechar atrás dele a porta de vidro negro. Penso: não sabia que o meu pai tinha uma fotografia minha, e: gostava de me ver numa fotografia tipo photomatom.Mais à frente, estou a atravessar uma grande praça deserta, o que é um enorme azar, quando desata a chover chuva mesmo batida, enrolada, puxadinha, chuva, chuva. Vejo um quiosque com um telhadito que talvez ajude se eu me encostar bem, mas não corro. Um homem tem um certo orgulho. Não. Sigo no meu andar típico, sem pensar, um movimento estético que parte da bacia pra baixo e pra cima, etc. Não sei como me julgará alguém que me olhe ao longe, mas é este o meu modo de locomoção e não há mais a dizer sobre isto. Agora abrigado da chuva, sob o tal telhadito, olhando a praça muito branca por causa da água que cai e também por ser assim grande e deserta ao mesmo tempo, tudo ao mesmo tempo, sofro sentimentos contraditórios. Estou contente por ter escapado à chuva malvada mas também imagino a Marlena e penso em estar com ela pra ela me ensinar de novo a tirar a roupa toda e a pô-la outra vez e então tenho desejos de sair em pêlo pela praça fora, a andar calmamente, do meu jeito, para sofrer as consequências debaixo da chuva que, bem, digamos que não pára e faz pás, pás, pás no chão de pedra, nas casas, nas coisas todas que há, chuva dura e pesada, enroladinha, chuva, chuva, repito.Mas, por outro lado, é óbvio que não vou fazer isso.Dói-me a broca que é como se no meu estômago se torcesse e fosse torcendo e portanto ponho-me a andar para ver se alivio essa espécie de imagem. Penso em coisas que não têm nada a ver. E vou caminhando rente aos prédios, debaixo das varandas, das palas das entradas, dos toldos das lojas para enganar a chuva. Achava que gostava muito de chuva, mas isso era quando estava dentro de casa e tinha a janela, o vidro da janela, a separar-me da água propriamente dita. Gostava de ver os risquinhos quase invisíveis que às vezes só se percebem se fecharmos os olhos à japonês, só com um nico assim aberto, a ver, ou então contra cores escuras, coisas escuras, gostava de vê-los inclinarem-se e desinclinarem-se com o vento e gostava das pessoas de guarda-chuvas, gosto super imenso de guarda-chuvas, não sei porquê, acho-os felizes e loucos-cómicos, então quando vem uma rabanada de ar e se entortam todos para o lado do avesso nem se fala, isso é mesmo, como é que se diz? de rir a perder, rir até cair, de morrer a rir. O meu pai é que quando confrontado com uma coisa dessas, do género dessas, guarda-chuvas tortos ou cães olhando para os dois lados antes de atravessar a estrada ou mulheres gordas de andar pimpão, piscava um olho e sorria assim um tudo-nada inclinado e olhava-me como quem diz “olha, já viste aquilo?” mas sem dizer palavra.Silêncio.De repente faz-se noite e eu estou parado, o estômago todo torcido a arder, no último toldo antes do terreno vago. Olho para o céu da cor preta e vejo uma luz caindo. Uma estrela cadente? um avião? Não dou importância à coisa em si mesma, por assim dizer, mas antes ao que ela pode, por assim dizer, representar, enquanto concretização, conclusão, fechamento, daquilo que, fosse o que fosse, tinha sido aberto, lançado, etc, pelo facto do imbróglio eléctrico no cimo do poste contra o céu azul para o qual olhei durante catorze minutos cronometrados me ter surgido como uma qualquer espécie de sinal, por assim dizer. Um sinal, penso, e ponho-me a correr, agora sim, mexendo-me já não daquele modo solto e, mais que solto, incrivelmente livre, mas correndo, certinho, como deve ser, como os atletas de alta competição, com a cabeça um pouco para baixo e o tronco atirando-me inteiro para a frente, cada vez mais para a frente, sim, corro o mais que posso, as pernas parece que vazias por dentro, sprintando entre a chuva, corro e corro e não há nada pra comer, penso, desisto de comer, penso, e não paro até passar a porta de casa.No quarto o meu pai nu, com uma tonalidade já meio diferente, já não tão característica, manchas de humidade e um sujo que vem de dentro, deitado na cama sobre a colcha. O cheiro não é muito bom. Ainda mais original e difícil de explicar do que de manhã.Ponho-me a mexer nas tralhas dele, caídas a um canto, roupas, objectos, bocados de objectos, um panamá impecável. Num bolso encontro: a photomatom. Olho a fotografia e primeiro não gosto, depois sim. Meto-a na janela, encostada ao vidro, a olhar para fora, para a chuva que cai na noite. Do lado de cá é só um rectângulo branco que tem escrito L. Depois empurro o meu pai um coche mais para o lado na cama e deito-me com ele. Olho para o tecto e ouço os sons da rua e da minha cabeça e dos bichos que comem as madeiras e mais sei lá o quê e, dentro daquele cheiro ultra-denso que nunca foi, mas nunca nunca, o cheiro do meu pai, adormeço. Amanhã faço exactamente o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. Lucas Pires&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115738027451033810?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115738027451033810/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115738027451033810&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115738027451033810'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115738027451033810'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/09/l.html' title='L'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115625998407938539</id><published>2006-08-22T17:19:00.000+02:00</published><updated>2006-08-22T17:21:59.496+02:00</updated><title type='text'>A ideia da comadre Mónica</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/lobosalta.1.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/lobosalta.1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Logo nos fins de setembro, quando tinham cahido as primeiras gotas de chuva, o Canellas tratou de encetar a sua vindima. Não era cedo já, a fallar serio. Havia duas semanas que o Garrocho começára, e que muitos lavradores tinham aberto os seus lagares. A novidade promettia. O verão ia temperado, no inverno não chovera de mais, e d'esta moderação de clima provinha a riqueza dos cachos e a vigorosa maturação dos fructos. Feitas as contas o Canellas devia seis moedas ao todo. O da Vanga emprestára-lhe tres libras para comprar o jumento na feira da Vidigueira; devia quatro meias corôas ao boticario, da doença da mulher; devia ao medico; devia uns fiados na loja; oito mil réis, das casitas. Se fosse feliz na colheita da uva, pagava tudo e ainda guardava a sua tarefasita de vinho. Deus ia ajudando um homem, dizia elle para a mulher, e quando o pequeno fosse crescido melhor passariam. Assim, uma bella manhã, o Canellas com a mulher e o filho, deitaram caminho das vinhas, mais o burro. Pela estrada iam encontrando os ranchos de vindimadores; os rapazes trigueiros e musculosos da freguezia, ceifões e polainas, os chapéos, de grosseiro feltro, derrubados para diante; grupos de raparigas de sangue vivo, grandes olhos ardentes de meridionaes, os cestos ao quadril; velhos trabalhadores corcovados, de barrete, alforge ao hombro, atraz dos seus jumentos vagarosos, felpudos e pacificos; pesados carros de duas rodas calçadas em chapas de ferro, luzentes do attrito no saibro das estradas e pejados de enormes cestões de verga, para o carrego das uvas. A cada volta do caminho convergiam veredas por onde os magotes derivavam, dando - boa fortuna! - aos que se dirigiam para outro sitio. O campo naquelle tempo começava a perder o viço. Entre vinhedos de um verde carregado, emmaranhado e pittorescamente confuso, alastravam-se a perder de vista os ferragiaes amarellos, seccos de raizes do trigo ceifado, onde as ovelhas mansissimas, sonoras de chocalhos, pasciam destroços, as hervagens finas dos barrancos, os fenos fibrosos dos corregos e as gramineas deixadas nos vallados. A região sem grandes depressões atrevidas, sem cordilheiras de arestas a prumo, oferecia á contemplação um aspecto sereno de ondulações graduaes, moldadas quasi na mesma curva regularissima; toda a zona abrangida num olhar, soffria o cultivo sollicito e amigo da aldeia próxima, branca agglomeração de casinholas de taipa, sem estructura regular, desenhada no fundo cinzento, metallico e um pouco triste, das grandes oliveiras de troncos fendidos. A léste, no esfumado anil da massa de ar, linhas quebradas de valles distantes esboçavam-se risonhamente na luz da manhã. Nos limites da freguezia, no termo, a herdade assignalava-se com azinheiras gigantes e sombrias, grandes braços pelludos de musgo, contorcidos como numa desesperação sem remedio, contra o risonho céo transparente, bordado pelo algodão das nuvens em farrapinhos tenues, como um capricho de criança. O Canellas dirigiu-se á sua vinha, que ficava distante.  - Olha se nós recolhemos este anno um pótinho de vinho!... Vendido, dava bem para um porco de quatro arrobas.  - O vinho ha-de estar barato, disse a Luiza, a esposa.  - E eu hei-de ter uns sapatos, gritou o garoto, saltando com os seus rijos pés immundos, na poeira da vereda. O burro, de orelha pendente, o passo reflectido, o olhar tristonho e lyrico, ia caminhando, todo coberto de moscardos. À frente de todos, o cão Bedelho, corria e ladrava ás perdizes. O ar aquecia, o sol rebentava no céo a cascata da sua luz crua e candente, em quanto nos silvados e nas faias do proximo ribeiro, os garotos dos melros, na frescura humida das folhas espalmadas, faziam troça da companhia.  A vindima durou-lhes quatro dias, e a novidade fundira-lhes bem. Foi um tempo alegre, o que passaram. Em quanto a Luiza toda arregaçada, de chapeirão nos olhos, colhia os fructos mais o filho, cantando, o Canellas com uma vara de marmeleiro dirigia o burro carregado com dois cestões cheios, da vinha para a aldeia, e com outros dois vazios, da aldeia para a vinha. Quando acabaram o trafêgo, houve jantar de carne, para que foi convidada a vizinha Monica, madrinha do rapaz. E á noite na banca da casa de fóra, jogaram-se as cartas, a Padre-Nossos.  - Quando fôr tempo, disse a Luiza á comadre, ha-de provar um copinho do nosso. A Monica arrebitou a penca, um riso guloso.  - Agora para o inverno, que é para aquecer. E vieram as confidencias, os orgulhos do bom governo de casa, a feliz plenitude de não deverem nada a ninguem - senão obrigações. Tinham pago ao medico, tinham pago á botica, ao da Vanga, os oito mil réis das casas... E ainda, na despensa, ao canto, fervia a talhita de mosto, objecto das mais caras esperanças e base de uma abundancia de chouriços em casa pobre, no inverno que ia entrar.  A Monica, sêcca figura de viuva pobre, seios chatos e estereis, um grande lenço de chita preta no pescoço, as contas de louça desfiadas a Glorias e a Salve-Rairrhas durante a monotonia dos serões, roía-se de inveja, um riso amarello de comilona e desamparada. E formulando bons desejos que não sentia, ia pedindo a Deus désse aos compadres tanta fortuna como desejava para si propria. O casal agradecia. O Canellas, a espaços, esfregando as grossas mãos de cavador, observava:  - Estemos pagos e sastifeitos! Cinco senhoras!   - Estemos pagos e sastifeitos! E em côro, todos formulavam planos de futura prosperidade: a compra de uma courella á Barrada, a acquisição de uma adega e a postura de bacello, nas terras da Pichaleira. A Luiza tinha precisão de um capote de panno para ir á missa; indagava da comadre qual era o preço, queria do bom!  - O meu, dizia a Monica, custou-me quatro sobranos. Ainda foi no tempo do meu homem, que Deus tenha. Que hoje!... Quero um trapo de uma saia e tenho de o ganhar.  Desde aquella festança, a Monica cresceu de desvellos para o afilhado, vinha todas as manhãs saber como tinha passado a comadre, e como estava o pote do vinho.  - Nada para sustancia como dois dedos de sumo. Logo pela manhãzinha, que regalo!...  E armavam grandes palestras a respeito do tempo, das lavouras, dos casamentos e dos escandalos. A filha do Cardoso estava maluca pelo Francisco da Balsa. Contavam-se cousas bonitas. O mundo ia por agua abaixo. E por transições subtis, alludiam ao pote da despensa. Um domingo provaram. Era todo vermelho, transparente e fluido, de um aroma delicado de roupeiro e moscatel. Boa gota, comadre! Sim senhores. Boa gota! dizia a Monica, beberricando. E com um estalo de lingua: é de rachar pedras, caramba! De tarde sentiram a cabeça pesada e foram-se deitar muito vermelhas. No outro dia, outra. Cada vez sabia melhor. O rapazito estava na escola, a tratos com o Monteverde. Á noite, depois da cêa, o Canellas ia logo para a cama, cançado de cavar desde a romper do sol nas fazendas dos senhores proprietarios da terra, e não dava pela falta. Ellas, as duas, em se apanhando sós, era aos quartilhos. E dilatadas em narrativas eroticas de frades, de estudantes e mulheres infieis á honra conjugal, passavam as tardes juntas e os serões, com grandes risadas, uma profusão de gestos e de palavras, certa licença de epithetos, reparavel.  Finalmente pelo Natal, o Canellas foi emechar o seu vinho, segundo o uso. Destapou o potito: que diabo!... Estava quasi meio. Chamou a Luiza todo desconsolado.  - Ó mulher, não sabes? Temos o pote em meio. Quem tirou d'aqui o vinho?  A Luiza debruçou-se, muito admirada.  - Santo nome de Deus! exclamou. E com um accento choroso: ora vejam a nossa desgraça!...  - Tu bebestel-o, mulher! affirmou o Canellas. Ella encarou-o duramente, sem resposta. O Canellas aprumou-se colerico.  - Tu vendeste-o, mulher! A Luiza voltou-lhe as costas, desdenhosa. Á tardinha, depois d'uma scena violenta, o Canellas sahiu. A mulher foi a casa da comadre contar tudo, pedir conselho. A Monica depôz a meia, tirou os oculos gravemente.  - Ai, não tenha receio. Esta noite, arranja-se.  - Mas como, comadre, como? Se elle sabe de tudo, ai espinhela! Foi para casa cheia de medo. O Canellas voltou á noite para cear, taciturno, abatido, sem dar palavra. Bateu no pequeno mal achou pretexto, atirou o chapéo com mau modo. Ao entrar no quarto da cama, resmungava:  - Estas bebedas, senhores!... Não dormiu toda a noite, a pensar no seu vinho e a amaldiçoar a hora em que casára. Mas não vira nunca a Luiza alegre, não tinha motivos de suspeita. Havia bons annos que não guardava vinho. O pote, de barro, estava talvez sêcco, era poroso, tinha seis gatos no bojo, podia ser que absorvesse, ou deixasse sahir o mosto. Mas tanto!... Deram dez, deram onze, deu meia noite, e elle ás voltas na cama. De repente sentiu correr no telhado. Poz o ouvido á escuta. Ouviu rir. Uma voz gritou: Canellas! Canellas! Riam, aos pulos, nas telhas. Canellas! Santo nome de Jesus! Era o diabo! Chamou a Luiza: ó mulher! Não ouves? São as bruxas. Não ouves? Canellas! Canellas! Começou a rezar o Credo, enganava-se no meio, começava outra vez, não sabia concluir. Diziam:  - Vamos ao vinho! E a correria continuava. Vamos ao vinho! O pobre estava em suores, varada de medo.  No outro dia, mal luziu o buraco, saltou fóra da cama, vestiu-se ás apalpadellas, poz a manta ao hombro, agarrou nos alforges, desprendeu o burro e partiu para o trabalho. Tinha a cabeça em agua, não se lhe tiravam da mente os gritos e as risadas. Canellas! Canellas! Então, as bruxas andavam com elle? Vamos ao vinho! Vamos ao vinho! E sentil-as-hia correr no telhado todas as noites, aos berros e ás gargalhadas, distribuindo os seus pobres almudes pela comunidade, e ainda em cima, escarnecendo-o. Durante o dia viram-no mettido comsigo, acabrunhado, carrancudo, dando enxadadas na terra desesperadamente, a suar como um cavallo.  Ao cahir da noite entrou em casa; a Luiza estava ao canto da chaminé, diante do lume de azinho, o chale pela cabeça, aspecto adoentado e beato, o rozario entre os dois dedos. Demais, gravida de cinco mezes...  - Ora santas noites!  - Santas noites!  Reparou na postura da mulher, tão finadinha como um carapau.  - Que é isso? Estás doente?  - Deixa-me, ando morrendo, mesmo morrendo. Todo o santissimo dia com febre, calefrios, dôres. Ai!... e nas cruzes.  - Mas o que é? - Ella disse choramingando:  - Não vivo muito, não! O Canellas commoveu-se: estás doida! E solicitamente, achegando-se:  - E a respeito de vontadinha de comer, ha?  - Nem nada, marido. Ainda hoje me não entrou migalha nesta boquinha de Deus. Tudo me sabe mal.  - Mas não appeteces nada? chá e fatias; mata-se o gallo.  - Ai, não! Só appetecia uma cousa. Mas não, é melhor não.  - Dize o que é, anda. Se fôr caro, compra-se: ora!...  Ella ficou calada, rezando automaticamente.  - Então, que dizes? Que appeteces? Vamos.  - Olha, o que eu comia agora, eram uns peixinhos da ribeira das Sormarias. Tenho mesmo vontade, mesmo de dentro. O Canellas foi logo albardar o burro, agarrou num cesto e pôz-se a caminho, sem querer ouvir mais.  - Não tenha algum desmancho! ia elle dizendo. Apenas lhe não sentiu os passos, a Luiza correu a chamar a comadre. Entraram ambas na despensa. Tinham mettido o resto do vinho num odre; uma agarrou por um lado, outra por outro, e arrastaram o couro turgido até á porta. Era noite fechada e ninguem passava na rua. Das chaminés evolava-se o fumo dos lares, ouvia-se rir nas habitações das familias, e um cão latia no campo, sem echo, em quanto, acalentadas no berço, as crianças choravam. D'alli a pouco as duas viram chegar o Coxo, taberneiro, pesada figura de velhaco, apopletico, gorro sebento, um riso desdentado de patife, ironias bestiaes, navalha.  - Venha o bago! disse a Monica. O Coxo quiz roubar-lhe um beijo. A Luiza occultára-se atraz da porta.  - Podia ter vindo mais cedo, disse a velha. Estendia as mãos ao preço do odre, dizendo:  - São tres almudes tinto; a quartilho, tres mil e seiscentos. Sete meias corôas e mais um tostão. Barato como pouco. O Coxo deu o dinheiro, pegou no odre, e foi-se depois de ter cingido amorosamente a estafermo.  - Agora, tornou a Monica, venha a minha commissão e aqui tem o dinheiro.  A Luiza deu-lhe seis tostões.  - Vamos á ribeira, disse ainda a velha. Embrulharam-se nos chales, fecharam a porta; á socapa sahiram para o campo, e apenas na estrada, deitaram a correr. Era quem mais podia, por aquellas ladeiras acima, em direitura á ribeira.  - Ai que arrebento! dizia a viuva, arquejante, a espaços. Afinal chegaram ao sitio. Pararam, em conferencia.  - Tu vais para o outeirinho de lá. Eu fìco, mesmo defronte, agachada na rocha. Assim foi. Não viam nada á roda. O céo pesava de grossas nuvens caliginosas e tragicas. Esbarravam com as azinheiras seculares, cahiam sobre carrascaes e tojeiros. Nas trevas, as ramas torcidas pelo nordeste tinham gestos aggressivos, de réprobas. Por todo o campo, quando passava a rajada, sentiam-se risos abafados, segredos de feiticeiras, a sombra mexia-se, ondulava, tinha transmutações sinistras. O Canellas no entanto, estava mettido á agua, com o cesto no braço, puxando a linha da isca. Inda não conseguira apanhar peixe; o medo agoniava-o. Se as bruxas soubessem que estava alli!... De repente, cahiu uma pedra na ribeira, e esboroamentos de terra foram descendo, como deslocados por um pé em falso.  - Mau! E o anzol não prendia. Diabo!...  Pareceu-lhe que diziam segredinhos nas barranceiras, acima da sua cabeça. Andava gente em cima, viu um vulto acocorar-se.  - Ó camarada! gritou elle, em tremuras. Tudo calado. Puxou a linha; nada! De repente, uma voz moribunda chamou:  - Berrabaz!   Outra respondeu:  - Satanaz! O Canellas não sabia de que terra era! O que faria á sua vida? Alli acabava naquella noite. Benzeu-se. Iam dar cabo d'elle, espetar-lhe agulhas nos rins, metter-lhe á força um sapo nos dentes... Tornou a voz:  - Vamos afogar o que está na ribeira?  - Não, que a mulher está rezando o rozario á Virgem.  - Olhem se a Luiza não tem ficado rezando ao lume, hein? Santa mulher! Como elle estava agradecido ás suas orações!...  - Berrabaz!  - Satanaz. - Um cão uivava funebremente, no casal do Pelles. O Canellas batia os dentes, deixára cahir o cesto. O vento dava risadas de escarneo, dançavam as azinheiras e o céo fazia ouvidos de mercador. A voz insistiu:  - Vamos afogar o que está na ribeira?  - Não, que a mulher está rezando á Virgem. D'alli a nada:  - Berrabaz! - Satanaz!  - Vamos a beber-lhe o vinho? - O Canellas pulou: - com mil raios?  - Vamos.  - Vamos a partir-lhe o pote?  - Vamos.  O desgraçado ergueu as mãos desesperado e murmurou chorosamente:  - Ai a minha desgraça! Ai o meu rico vinho tinto!  Alta noite, a Luiza enrolada sempre no seu chale, rezando sempre as suas contas ao canto do lar, viu romper pela casa dentro o Canellas esbaforido, sem peixes, sem anzoes, sem sapatos, sem chapéo, sem manta, alagado em suor, trémulo de medo e morto de cansaço. Contou tudo á Luiza:  - E vai, ouvi dizer: vamos beber-lhe o vinho? Vamos. Partimos-lhe o pote? Partimos. Tu sentiste alguma cousa, mulher? A Luiza persignava-se, com os olhos em alvo.   - Eu nada, disse ella. Não senti nada: uma cousa assim!...  Foram vêr á despensa. Tinham bebido o vinho, e o pote estava em pedaços. Entraram a chorar. Veio a comadre.   - Que é lá isso de prantos nesta casa? disse ella, afflicta. Contaram-lhe.  - Pois eu lhes juro, que as bruxas nunca mais os perseguem. Sei as orações de as afugentar.  De facto, nunca mais tornaram, nem bruxas, nem boas vindimas, nem potes de vinho.  Tal foi a idéa da comadre Mónica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F. D'Almeida&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115625998407938539?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115625998407938539/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115625998407938539&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115625998407938539'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115625998407938539'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/08/ideia-da-comadre-mnica.html' title='A ideia da comadre Mónica'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115623972086810005</id><published>2006-08-22T11:42:00.000+02:00</published><updated>2006-08-22T11:47:02.833+02:00</updated><title type='text'>"Comam a relva"</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/benfica.0.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/benfica.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só a vitória serve. Temos que relembrar a Europa do futebol que estivemos nos quartos de final da Champions League no ano passado e que tem que contar connosco este ano. Ainda por cima , pela primeira vez, poderao estar 3 equipas lusas na C. League. Força Benfica !&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115623972086810005?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115623972086810005/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115623972086810005&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115623972086810005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115623972086810005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/08/comam-relva.html' title='&quot;Comam a relva&quot;'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115623919082512777</id><published>2006-08-22T11:33:00.000+02:00</published><updated>2006-08-22T11:40:08.383+02:00</updated><title type='text'>Stars Are Blind</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/pris.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/pris.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inté canta e tudo a mecinha . Ainda nao perdemos a esperança de a ouvir cantar cá nas festas de Vale do Poço. A Romana já cá veio. O estrado é de madeira , assim com uns espaços entre as ripas, sabem como é ? E eu é que vou vender os bilhetes : plateia , geral , afastados e os mais caros debaixo do palco ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115623919082512777?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115623919082512777/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115623919082512777&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115623919082512777'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115623919082512777'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/08/stars-are-blind.html' title='Stars Are Blind'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115590628515206237</id><published>2006-08-18T15:04:00.000+02:00</published><updated>2006-08-18T15:09:48.390+02:00</updated><title type='text'>Os amantes aprovados</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/magrit11.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/magrit11.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma história simples. No ano de mil novecentos e trinta e tal, vivia na vilazinha de ..., no litoral, uma viúva respeitável, gorda, de olhar brando e bandós a picarem de cinzento. Tinha tido onze filhos, dos quais nove sobreviviam, e toda a aventura da sua vida fora a de, como mulher dum magistrado pobre, ter percorrido o país no decurso duma carreira anónima e sem fé. Triste, talvez não. O marido fora um tipo folgazão, sociável em extremo e que fizera grandes amigos, dos quais muitos também sobreviviam. A sua morte, acontecida em pleno vigor físico e quando esperava a promoção a juiz de segunda classe, provocara uma crispação de pânico nos nervos dos colegas e de toda uma pandilha fervorosa dos vícios de província, que são a má-língua, a política e o interesse - essas fístulas crónicas dos homens de quarenta. Os órfãos, de princípio socorridos com uma generosidade exaltada demais para permanecer fiel, foram aos poucos deixados sob a mão de Deus Padre, para que se criassem. Sabia-se que a mãe era senhora séria e de bons princípios, e isto sossegava - vamos saber porquê! - as consciências. Tinha ela na terra uma casa, pouco mais que um sobrado de pescadores, e para lá se arrumou com as crianças. Duas, protegidas por padrinhos, teriam estudos pagos e donativos de vestuário; os outros cresceram um pouco à sorte, no hábito dessa tragédia ensossa, pasmada, fria, da burguesia pelintra. Podia-se dizer que existiram entre a escola e o emprego na burocracia, sem conhecerem a cor do dinheiro. Entalados numa engrenagem de dívidas, promessas, esmolas, de caridade sopesada até à última gota na balança dos que em cada dádiva ou tutela parecem endossar a batata podre dum conceito inútil, da moralidade mais rapada e sem brilho, adquiriram todos uma sobreposição de personalidade que os fazia muito idênticos. Assim, todos sabiam dissimular e nunca manifestavam a tempo qualquer sentimento; reagiam por aprendizagem, não por instinto, e na sua alma tudo estava pregado e postiço como a lua no teatro do próprio Shakespeare. Com o tempo e a colocação do mais velho como prefeito dum colégio, mudaram-se para uma sobreloja, deixando o bairro excêntrico em cujas valetas os detritos de peixe atraíam grandes moscas verdes. Viviam pior que nunca, mas tinham conseguido o que se chama "ganhar pé". Possuíam um relativo crédito e, comprovada a sua penúria, os seus antecedentes duma honesta monotonia e o facto abonatório de que tinham vivido bem, a sociedade apaziguara-se um tanto e concedera-lhes certos direitos. Por exemplo, as raparigas traziam golas de velha pele sarnenta, sem que o mundo se risse, porque, nelas, os atributos da classe, o luxo, eram por assim dizer uma aquisição histórica. Admitiam-nas na intimidade superficial das pessoas finas, homenageando-as com a confiança de lhes pedirem favores como os de passarem bilhetes de rifa ou recortarem florinhas de papel para o Dia do Capacete. Enfim, podia-se afirmar que tudo corria bem, se algo de muito estranho e de imprevisto não abalasse a comovida paz dos benfeitores que são a multidão em geral quando se sente despreocupada. Constou que a viúva tinha um amante. Tínhamos dito que era ela mulher gorda, grisalha, de olhar brando, mas não seria bem assim. Era de facto um tanto pesada, com um andar cambaleante de quem sempre calçou chinelos de pasta ou de corda ou de seleiro; não vestia mais do que batas de algodão preto e parecia bastante mal, mesmo aos domingos, sobretudo aos domingos, quando, na missa das nove, se ajoelhava na sua almofadinha de setineta vermelha, ao lado do "altar das Dores". Tinha um rosto inexpressivo do muito que a fadiga se sobrepusera às emoções, e não parecia gostar de rir nem de chorar, nem sequer de observar os outros nessas ocupações. De resto, possuía ainda belos olhos, e a sua frieza de maneiras dava-lhe uma graça um tanto hostil que infundia ternura, depois de ter provocado receio. Era frequente vê-la atravessar a ruazinha de velho macadame, para vir arrastar pelo braço um ou outro filho que se filiava na trupe de garotio para, no átrio do cinema, esmolarem a quantia bastante à entrada. Fugiam-lhe para, no poleiro da geral que era como uma assembleia de jurados apinhados em degraus rente às coxias, uivairem ameaças contra "o cínico" daqueles filmes do Tim Mac Coy de belos dentes que se rolava num fosso da pradaria em chamas. Ai a linguagem desses ladrões de gado, desses sheriffs, dessas "cavadoras de oiro" que sugeriam fome e água de lavar pratos! "Labora num grande erro" - diziam, explicando a intriga e a traição, enquanto, com um rumor de vento infiltrado por fendas de pedreiras, ardia um rastilho de dinamite. Os rapazes precipitavam-se, no intervalo, até à rua, engalfinhavam-se possessos de coragem, imitando tiros; e iam, na lojeca próxima, comprar um pão encortiçado, de domingo, com talhadas de marmelada, ou cartuchos de paciências ou pastilhas Naval que chupavam laboriosamente, mostrando-as na língua uns aos outros, para suscitar invejas. - Raça! - exclamava a proprietária, que vinha, por condescendência, ajudar na loja, porque a frequência era aos magotes, e ondas de garotos embatiam contra os mostradores onde melavam os "caramilos" junto das onças de tabaco. Era uma mulher oxigenada, vistosa, cheia de ambições mal encabadas no seu ofício de mestra de meninos. Detestava as crianças, as suas roupetas com cheiro de peixe e de surro, as suas chancas tachadas, as suas sacolas de serrapilheira com flores pintadas e que a chuva esborratava; aplicava nelas o ódio pelo mundo de chateza e de frio que conhecera desde a infância, quando, deportada do seu nabal onde o pai sorvia cotos de cigarro sentado nos montículos de pilado, se fizera letrada. Casara ali na vila com um tipo mesquinho que usava manguitos de cotim e pesava quilos de arroz com a proficiência dum Shylock. A filha, bonita como ela, criara-a para outra classe, outro meio, outra vida. Quantas lágrimas raivosas, esses vestidos de folhos, essas sombrinhas japonesas! Quantos favores equívocos, nauseados, em que acumulava tédio e impotência, para que ambas, na Assembleia, sorrissem um pouco duramente, como quem pressente ter-se enganado na porta e no lugar, e espera a todo o momento uma advertência, uma rectificação! - Raça! - dizia, quando estendia sobre o balcão, procurando não tocar as mãozinhas onde o ranho seco escamava, os confeitos ou os pães varridos de farinha, muito lambidos, cor de cinza. E, em particular, a sua aversão atingia os filhos da viúva. Desprezava-os porque os achava pobres, raquíticos, enfadonhos, sérios; porque tinham hábitos finos, viviam disciplinados como formigas, usavam com naturalidade os seus trapos polidos com benzina, e porque as crianças abastadas os tratavam com deferência. Alguma vez a sua Loló, magra e frenética criatura de olhos verdes, brincara nos jardins dos palacetes, usara as trotinetes dos pequenos burgueses, fora conduzida a casa pelos seus criados? Loló percorria as ruas perseguida por uma turba de catraios de fralda ao vento que se dispersavam quando ela parava para os reconhecer - o que não acontecia nunca. Mesmo assim, denunciava-os a eito, a mãe se incumbia de distribuir reguadas nos nós dos dedos, ferindo, esfolando, com um olhar mau, nublado, e que fazia gritar os menos estóicos antes que se aproximasse deles. Ah, aquela viúva fora por muito tempo um espinho enterrado no centro do peito, fora um pouco como uma sombra projectada sobre um écran onde a paisagem corre! Admirava-lhe as belas maneiras, o ar sóbrio, sem sorrisos, porém sem amargura; invejava-lhe a tranquilidade com que parecia existir entre os filhos, que cresciam feiotes e pelados como ratos dos bueiros. De súbito, apareciam todos grandes, as raparigas com a sua beauté du diable, os seus vestidos inesperadamente à moda, tentando destinos, vivendo; os rapazes tinham agora boas relações, faziam carreira, modestamente, sem importunar, seguros. Também a sua Loló, delgada e cheia de it, dançava um pouco o charleston e namorava um miliciano. Mas as outras crianças, sempre as mesmas, com o seu cheiro de marisco na pele, com os seus narizes lacrados de monco amarelo, com os seus gritos à Tarzan, a sua bola de trapo, essas não cresciam. Continuava a sacudir-lhes as orelhas com varadas, enquanto lhes encaixava as medidas de peso ou de lenha. E um sol tão branco arredondando-se sobre o mar! E o trepidar dos carros no Largo de S. Tiago, na Avenida, na Praça! Meu Deus, meu Deus! Havia uma lampadazinha sobre a mesa onde corrigia exercícios, à noite, e a luz amarela escorria nimbando a sua cabeça oxigenada. Os frequentadores do cinema viam-na, e, na impressão imediata dos cartazes onde se contorciam mulheres como chamas, comentavam: "Parece uma vamp... a Brigitte Helm... a Marlène..." E ela sentia na pele, à flor da sua pele branca, empoada e levemente flácida, que falavam dela, e como. Foi ela a primeira a compreender e a revelar que a viúva tinha um amante. Era um rapaz de vinte anos, muito estranho, magrinho, e que leccionava num colégio; chamava-se David, tinha vindo das Ilhas, sem recursos, para estudar. Era interno, portanto, e passara a pagar com explicações aos primeiros ciclos as suas propinas. A viúva conhecia-o como colega dos filhos mais velhos, há bastante tempo, vira-os nas mesmas manhãs de Verão saírem juntos para o banho, com a toalha enrolada presa pelo cinto do maillot. Nos dias de aniversário, David sempre mandava um postal ilustrado às meninas - sempre garotas ricas entre flores, em áleas de jardins, e cores muito brilhantes. Ele era tristonho, quase bronco quando desconfiava de alguém ou simplesmente não conseguia adaptar-se; mas, familiarizando-se, rasgada a sua casca de timidez feroz, de orgulho mais feroz ainda, era maravilhoso. Havia nele uma coragem de sinceridade que nem era maculada pela consciência de virtude que a razão nisso podia surpreender. Na sua aceitação de tudo o que acontece, de tudo o que triunfa, de tudo o que perde, de tudo quanto é inútil ou sem estética, de tudo quanto é belo para vexame da nossa própria alma, havia paz. Às vezes sorria, quando todos se agrupavam fazendo traduções do latim, repuxando uma beiça sinistra sobre o queixo. Sorria, com o livro aberto diante dele, como se seguisse uma imagem deveras cheia de interesse e de humor. - Em que pensa? - perguntava-lhe a viúva. Ela sorria também. - É tão tolo viver exactamente assim - dizia David. - Dividimos o tempo e emparedamo-nos dentro dele. Mas não há tempo, o tempo não existe, o tempo é apenas memória. Olhe as violetas nessa jarra... murcharam, mas não têm a recordação da sua frescura, portanto existem num tempo único - compreende? - Compreendo. - E ela já não sorriu. O rosto cansado estremeceu, crispou-se, e voltou a adquirir a sua fria brandura habitual. Sim, tinha compreendido. Durante muitos dias esgotou-se em imobilizar-se dentro dela própria, em rastejar em torno da sua alma, para que ela não pressentisse quanto a vigiava, vendo se dormia ou velava; durante muitos meses viveu metodicamente entre a sua pequena gente escura, questionadora, mesquinhamente ansiosa e que se atraiçoava de quarto para quarto, de prato para prato. Julgava-se sossegada e igual a outrora, surpreendia-se a rir jovialmente, porque tal libertação a exaltava e lhe dava uma espécie de febril felicidade. Depois, recaía de súbito; David obcecava-a até ao ódio, queria que ele partisse, inventava planos para o afastar, para deixar de o receber, para não o ver mais; achava-o sem importância, voltava a rir-se da sua cegueira, a acusar-se de insensatez, de malignidade, de vileza. Rezava muito, mas, na sua prece, no mais ardente voto, brotava-lhe do coração o nome dele, mergulhava numa prostração terna, exasperada e submissa por fim. Adoecia e renascia da doença como a serpente que se desprende da própria pele e se esgueira vigorosamente para fora do ninho bolorento. Assaltavam-na escrúpulos que se traduziam em manifestações de sacrifício; o seu amor pelos filhos parecia recrudescer, escravizava-se a eles, contente se dominava a própria impaciência e o juízo desfavorável que o carácter deles, as suas pegas, a sua nulidade, o seu egoísmo desamparado e impotente lhe provocavam. Matava-se lidando inútilmente, infeliz quando percorria a casa e via que todas as coisas estavam correctas nos seus lugares, que a poeira vogava no ar sem poisar; tudo era tranquilo e mesmo, sob a mesa da sala, os gatos dormiam indiferentes a travessuras no velho tapete inglês muito rapado nas bordas como um caminho trilhado de roda dum capinzal. Sentava-se um momento, com as mãos no regaço, como alguém que espera num banco de estação; a imobilidade doía-lhe, agitava-a uma saudade de lágrimas que não podia chorar, e tudo o que até ali vivera lhe parecia importuno na sua memória. Punha-se a pensar então em David, o sangue pulsava- -lhe devagarinho nas têmporas, ela sorria como uma rapariga. Pensava nele, encontrando sofrimento e alívio porque ele lhe aparecia de repente tão distante como alguém já morto, como alguém a quem, à força de dedicar sentimentos e projectos, nos aproximou da indiferença e da erosão da alma. A vida como que estancava, ficava-se distraída a olhar pela janela o céu frio de Primavera que tão bem lhe sugeria toda a vila desenhada numa luz apática, com sombras que cresciam rapidamente pelos muros, com campos e noras, flores miniaturais balançando-se imperceptìvelmente como cabecinhas senis; e os areais onde se compunham redes, escurecidos aqui e além pelos detritos do mar, com recortes de babugem que, devagar, se evaporava. O céu frio de Primavera sobre a vila! Sobre as gavinhas tenras cheias ainda de penugem cinzenta; sobre os talos novos de roseira que, partidos, vertiam seiva doce; sobre os campos, sobre os campos... Frios, dum verde inacabado, com terra fria, fechada, hostil ainda, por debaixo. Esse arrepio agudíssimo do fim de tarde de Primavera comunicava-se-lhe. E, trémula, retomando a custo o movimento, a vontade, voltava a apropriar-se de si mesma. Quando falaram as vozes, dizendo que David e ela eram amantes, isso apenas se explicaria pelo pressentimento de catástrofe a que são sensíveis as colectividades. Viam-se pouco, nunca se tocavam; mas havia decerto neles uma exaltação de paixão que o próprio silêncio, a própria ausência e aparência de serem estranhos, confidenciava. Os filhos passaram a abandonar mais a casa, a tratá-la com uma cerimónia constrangida. Alguns choravam um pouco pela nostalgia da simbólica mãe; de resto, fora sempre o símbolo de mãe que eles tinham amado, e não a ela. Não a ela. Outros faziam-se mais viris com essa realidade que no fundo da alma os vexava; e torturavam-na. - É verdade? É verdade? - diziam. - Sempre fomos bons filhos, a pobreza não nos fez corar nunca, bruníamos as nossas roupas ao serão para te poupar canseira, desprezámos as raparigas para não te abandonarmos. Destruíste tudo isso. Já não podemos ter confiança, porque tu nos cuspiste na cara. - Mãe, mãe! - diziam as moças, com trejeitos duma cólera ávida, repelente, destruidora, a cólera sem finalidade das mulheres, que é apenas pretexto duma afirmação, duma quase vingativa expansão do sexo. - É uma canalhice!... E o próprio David, que sentenciava com uma voz em que se entrevia mais o prazer da audácia que a intenção de a poupar a ela: - Não há acções canalhas, mas almas canalhas. A mesma acção vivida por almas diferentes não é a mesma acção. Ela suspirava, levava a mão ao rosto como se fosse defender uma pancada. Não compreendia; não compreendiam. E, quando David encostava a cabeça nos seus joelhos, o silêncio denso os envolvia, o silêncio amassado com todo o vociferar da rua onde brincavam crianças e se descompunham peixeiras, com todos os soluços de agonia dos que morriam na solidão terrível daqueles a quem o próprio pecado abandonou, ela encontrava felicidade. Um dia, constou que se tinham matado. Ela aparecera com duas balas no peito, no soalho do seu pequeno quarto onde se respirava essa miséria estéril dos que apenas duram, apenas dormem, apenas sonham, apenas mentem. Castiçais de vidro, sobre a cómoda, diante de imagens baratas de arraial de peregrinação, tinham velhos pingos de estearina cobertos de pó. David respirava ainda. O caso, muito abafado, passou depressa, pois o mundo gosta de resgatar a sua responsabilidade com o esquecimento. Sim, com o esquecimento que antecede sempre a redenção. Tudo passou depressa; portanto, poucos anos depois, a vizinhança só banalmente se referia à viúva, aos filhos que tinham partido ou porque casavam, ou porque os vitimara uma febre, um desastre, ou porque a província os devorara como pequenos burocratas. Só quem fielmente se lembrava de tudo era a loira mestra de meninos, que continuava a corrigir problemas na sua mesa iluminada pelo candeeirinho que o tempo entortara e cujo abat-jour ficara sujo e pingão como um saiote de bailarina de guignol. A luz amarela fazia resplandecer os seus cabelos, e ainda os frequentadores do cinema olhavam, com um interesse logo extinto, o recorte da sua cabeça na vidraça. Mas já não faziam comentários. - Raça! - murmurava a mulher, riscando ferozmente de vermelho os cadernos cheios de borrões cor de violeta e onde a tripa da tinta se desenhava. Loló engordara e já não tinha olhos verdes, já não usava sombrinhas japonesas; já não tinha pretendentes vestidos de flanela branca como Conrad Nagel, como o Barrymore; casara com não sei quem, desia aos tropeções a sua escada estreitinha, agarrando-se de lado ao corrimão, com uns velhos sapatos debruados de pelúcia e que ganhavam pulgas - oh, esses sapatos de lã que criavam pulgas alimentavam a comunicabilidade calaceira, morosa, feliz, com mais do que uma vizinha! -, ia escolher papos-secos na padaria, fazendo-lhes estalar a crosta entre os dedos, espremendo razões de protesto em todas as coisas que aconteciam. - Raça! - dizia ela também. A mãe, ainda oxigenada, corajosa ainda porque se pintava sobre as rugas, sobre as feições desfeitas, desprendera-se muito dela. Às vezes pensava na viúva, em David, no seu amor que sentia vivo, penetrado no próprio céu frio de Primavera, fluindo de todas as coisas, mesmo as mais ingratas e inexpressivas coisas do mundo. Tinham-se amado - eles. Naquela casa de sobreloja onde habitara a viúva, não podia ver ninguém correr um estore, abrir uma janela, atirar fora os restos dum cinzento, sem que julgasse que tudo estava a acontecer ainda. Que, no quarto, que recebia luz duma clarabóia do corredor, dois seres tão verdadeiros como só podem ser os que compreendem que a morte participa da vida e a completa, agonizavam, sem tragédia, sem veemência, porque a tragédia, a veemência, não é dos que cumprem, mas dos que apenas os imitam. Os cartazes expostos no passeio do cinema, as mulheres serpentinas de olhar vidrado ou fulgurante, as paixões estereotipadas dum mundo senil, esgotado, impaciente! E aquela criatura, sem juventude, que vestia batas de chita, que era talvez um tanto estúpida e sem importância, mas cuja fealdade, limitação, pobreza, mereciam uma aprovação através do amor! Assim sentia a mestra de meninos que continuava a distribuir aos domingos pacotinhos de pastilhas Naval, reclamando o dinheiro certo na palma da mão para a dispensarem dos trocos. Os garotos apinhavam-se, repeliam-se, esmagavam-se contra o balcão, ela dizia "raça!", entediada e, apesar de tudo, lírica, porque não abdicava dos seus cabelos loiros, da sua solenidade, e porque, enfim, em cada esteta falhado há um lírico que se procura. Esta é a história simples dos que chamamos os amantes aprovados. Esquecíamo-nos de dizer que David sobreviveu. Que lhe aconteceu depois, não sabemos. Ou antes, na última vez que fomos à cidade, encontrámos na rua um homem que se lhe assemelhava muito; os cabelos eram mais raros e usava óculos. De resto, caminhava muito depressa e não o pudemos observar muito. Parecia um desses eruditos pobres que vivem num saguão, dormem sobre uma arca e eles próprios cozinham um arroz esturrado numa máquina de petróleo. Era bem ele, com o seu olhar retraído, fino, persistente, mas não podemos jurar. O mundo está cheio de pessoas que se parecem e todas se continuam, sim, todas se continuam. De qualquer modo, o David que nós conhecemos há muito... Mas nada temos já a acrescentar a esta história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A. B. Luis&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115590628515206237?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115590628515206237/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115590628515206237&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115590628515206237'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115590628515206237'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/08/os-amantes-aprovados.html' title='Os amantes aprovados'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115502494723666884</id><published>2006-08-08T10:15:00.000+02:00</published><updated>2006-08-08T10:19:23.013+02:00</updated><title type='text'>Força Benfica</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/rcosta.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/rcosta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperemos que o sempre jovem Rui Costa conduza a equipa para um resultado que nos permita manter as justas aspiraçoes na Super Liga Europeia. E que o jogo sirva para definir a equipa base que será campea no final do ano . Viva o Benfica&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115502494723666884?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115502494723666884/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115502494723666884&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115502494723666884'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115502494723666884'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/08/fora-benfica.html' title='Força Benfica'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115444528801252595</id><published>2006-08-01T17:14:00.000+02:00</published><updated>2006-08-01T17:16:34.773+02:00</updated><title type='text'>O cabeça de boga</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/lobosconfusao.0.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/lobosconfusao.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No exame do segundo grau fiquei distinto; o Abílio ficou suficiente. Uma tristeza! Compareceu de calça comprida, colete branco, a "châtelaine" de D.Claudina fazendo de corrente de relógio. Como roía nas unhas, o relógio era  um descanso para encher o minuto de ignorância, atrapalhado com aquilo de "Qual foi o rei que mandou plantar o pinhal de Leiria?".  O Sr. Fontes, o professor das Cinco, que era membro do júri, bem cochichava de lá: "D.Dinis... D.Dinis!..." O Abílio, porém, doido por toiros, saíra-se com "D.Afonso Quarto, o Bravo" - e teve a raposa por um triz.  Cá fora, esperavam-nos meu pai e o dele ao lado do Sr. Professor. O mestre não me disse palavra; mas a ele não o largou:  - Este cabeça de boga que me vai estragar os resultados!  O pai do Abílio estava com vergonha do filho, com raiva ao filho, com raiva ao Sr. Professor, com pena de si, do Sr. Professor e do filho:  - Pedaço de mariola! (Olha como tens esse colarinho!) E fazer-me gastar um dinheirão para ver isto!  - Este cabeça de boga, pôr-me uma nódoa na pauta! - teimava o Sr. Professor.  O pai do Abílio agachara-se um pouco para lhe limpar as lágrimas, mas carregava no lenço e obrigava-o a assoar-se sem precisão nenhuma:  - Força!... O toleirão, que era o primeiro em decimais! (Ó pequeno, não chores, que o Sr. Professor manda na Escola, e em ti quem manda sou eu!)  Mas o Abílio chorava mordido e com os olhos raiados de sangue. Quando proclamaram os resultados, O Sr. Professor abrandou.  - "Abílio Cardoso de Aguiar, suficiente. Mateus Queimado Gomes de Meneses, óptimo".  Meu Pai deu um beijo no Abílio antes de me beijar a mim. O pai do Abílio apertou solenemente a mão de meu Pai:  - Ah!, Senhor Meneses! Que consolação, um filho assim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;V. Nemésio&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115444528801252595?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115444528801252595/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115444528801252595&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115444528801252595'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115444528801252595'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/08/o-cabea-de-boga.html' title='O cabeça de boga'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115442430889812082</id><published>2006-08-01T11:25:00.000+02:00</published><updated>2006-08-01T11:35:36.006+02:00</updated><title type='text'>O esposo da pobreza</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/amadeuviolino.0.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/amadeuviolino.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco de Assis, um dia,&lt;br /&gt;Assim que deixara a orgia&lt;br /&gt;No castelo,&lt;br /&gt;Entregou-se à Natureza&lt;br /&gt;A uma vida de aspereza&lt;br /&gt;Num canto doce e singelo.&lt;br /&gt;Abandonara a vaidade,&lt;br /&gt;Buscando a paz da humildade,&lt;br /&gt;A santa luz da harmonia;&lt;br /&gt;E nas horas de repouso,&lt;br /&gt;Francisco em estranho gozo&lt;br /&gt;A voz de Jesus ouvia:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;— “Filho meu, faze-te esposo&lt;br /&gt;Da pobreza desvalida,&lt;br /&gt;Emprega toda a tua vida&lt;br /&gt;Na doce faina do bem.&lt;br /&gt;Francisco, ouve, ninguém&lt;br /&gt;Vai aos Céus sem a bondade,&lt;br /&gt;Que é a grande felicidade&lt;br /&gt;De todos os corações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esquece as imperfeições!...&lt;br /&gt;Vai, conforta os desgraçados,&lt;br /&gt;Sedentos e esfomeados,&lt;br /&gt;Flagelados pela dor.&lt;br /&gt;Quem alivia e consola,&lt;br /&gt;Recebe também a esmola&lt;br /&gt;Das luzes do meu amor!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco chorava e ria,&lt;br /&gt;E em divinal alegria&lt;br /&gt;Via os lírios e os jasmins,&lt;br /&gt;Que não fiam, que não tecem,&lt;br /&gt;Com roupagens que parecem&lt;br /&gt;Vestidos de Serafins;&lt;br /&gt;As aves que não trabalham&lt;br /&gt;E no entanto se agasalham,&lt;br /&gt;Nos celeiros da fartura,&lt;br /&gt;Saltando de galho em galho&lt;br /&gt;Buscando a graça do orvalho,&lt;br /&gt;Bênção do Céu, doce e pura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Via a terra enverdecida&lt;br /&gt;Exaltando a força e a vida,&lt;br /&gt;A seiva misteriosa&lt;br /&gt;No seio dos vegetais,&lt;br /&gt;E a ânsia cariciosa&lt;br /&gt;Das almas dos animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sobretudo, inda via,&lt;br /&gt;A sacrossanta harmonia&lt;br /&gt;Do coração sofredor,&lt;br /&gt;Que não tendo amor nem luz,&lt;br /&gt;Tem tesouros de esplendor&lt;br /&gt;No terno amor de Jesus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Francisco de Assis, então,&lt;br /&gt;Submerso o coração&lt;br /&gt;Em sublimes alegrias,&lt;br /&gt;Entregou-se às harmonias&lt;br /&gt;Vibrantes da Natureza,&lt;br /&gt;Tornou-se o amparo da dor&lt;br /&gt;E guiado pelo amor&lt;br /&gt;Fez-se Esposo da Pobreza...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. Diniz&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115442430889812082?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115442430889812082/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115442430889812082&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115442430889812082'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115442430889812082'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/08/o-esposo-da-pobreza.html' title='O esposo da pobreza'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115373403971282900</id><published>2006-07-24T11:40:00.000+02:00</published><updated>2006-07-24T11:44:45.430+02:00</updated><title type='text'>Saudades</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/zappa.0.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/zappa.0.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Frank Zappa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Just as the year 1940 was coming to an end amidst the anxious tumult surrounding a rapidly-escalating world war, an unsuspecting Sicilian immigrant and his French-Sicilian wife welcomed the arrival of an organism that would grow to be one of the most gifted, innovative and irreverent musicans of the century. Frank Vincent Zappa, born in Baltimore to a Catholic family, spent his early years more inclined towards being a mad scientist than a musician (and this explains quite a bit, if you keep it in mind while listening to his records), occupying his time with the creation of various incendiary concoctions from toy caps, ping pong balls and other household materials. It is not surprising, therefore, that it was another mad scientist (or at least a guy with mad scientist's hair) who eventually ignited his enthusiasm for music -- this being the French avant-garde composer &lt;a href="http://www.nndb.com/people/756/000086498/"&gt;Edgard Varèse&lt;/a&gt;. By this time Frank and his family had moved to California, where he developed a parallel interest in the burgeoning doo-wop/R&amp;B movement and took up playing the drums (or, more accurately, 'a drum'). Both of these musical influences would continue to impact his creative output throughout his entire career.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;After moving to the desert town of Lancaster, Zappa formed his first band: an integrated R&amp;amp;B outfit called The Black-Outs. The still fundamentally racist social structure of the 50s excluded the band from performing at school functions, so they were forced to organize their own events -- much to the displeasure of local law enforcement. During this period his listening broadened to include international folk musics, sea shanties, modern jazz and a wide range of 20th century classical composers; before the end of high school Frank had given up the drums and switched to playing the guitar, while his stylistic concerns drifted somewhat from R&amp;B towards classical composition. After graduation, Frank briefly attended Antelope Valley Junior College, and it was here that his first recordings were made with the help of his brother Bobby and friend Don Van Vliet (later to be known as &lt;a href="http://www.nndb.com/people/568/000022502/"&gt;Captain Beefheart&lt;/a&gt;). He then spent a few months studying music theory at Chaffee Junior College before taking a job as a greeting card designer, supplementing his income with various music projects: these included a commission from former high school English teacher Don Cerveris to score the film Run Home Slow, occasional performances as a folk duo with future co-founder of &lt;a href="http://www.nndb.com/music/282/000038168/"&gt;The Association&lt;/a&gt; Terry Kirkman, gigs with his R&amp;amp;B quartet The Boogie Men, a new version of The Black-Outs, and the lounge act Joe Perrino and the Mellow Tones. A second film score, commisioned by actor Timothy Carey for his completely deranged film The World's Greatest Sinner, was undertaken in 1961.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In the early 60s Zappa took a job working for Paul Buff, an innovative recording engineer who had built his own five-track recording studio in Cucamonga. For a year the pair attempted to churn out hit records for various labels, before Zappa assumed ownership of the studio with some of the money earned from Run Home Slow; he subsequently changed it's name to "Studio Z" and immersed himself in multi-tracking as a full-time lifestyle. A low-budget film project (Captain Beefheart vs. the Grunt People, featuring Van Vliet) was also being organized at the time, but both film and studio were lost after a San Bernardino County vice squad detective commissioned Zappa to create a "pornographic" audio tape, and then arrested him for making it. After completing the required ten days of his six-month sentence in county lock-up, the disillusioned musician emerged to find his life in a shambles. It was only a few days later, however, that he was contacted by vocalist Ray Collins (who had been a regular participant in the Zappa/Buff sessions) and invited to assume guitar duties for The Soul Giants -- a bar band founded by drummer &lt;a href="http://www.nndb.com/people/332/000085077/"&gt;Jimmy Carl Black&lt;/a&gt; and bassist Roy Estrada after a chance meeting in a pawn shop. Although a covers act at the time, Zappa soon convinced most of the other musicans that, in order to get anywhere in the music business, they should start performing his original material; after a brief period spent as Captain Glasspack and his Magic Mufflers, the band changed their name to The Mothers on Mother's Day, 1965.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;The first year of The Mothers was not an easy one, and all of its members had become well-acquainted with poverty and hunger by the end of it. It wasn't until sometime club-owner and music promoter Herb Cohen assumed management duties that the fortunes of the band finally began to turn around. By October of '65 Cohen had provided them with a four-week stint at the hip LA club The Action, and soon after organized a residency at the even hipper Whiskey A-Go-Go; Cohen also arranged for MGM producer Tom Wilson to witness a Mothers performance, and by March 1966 Zappa had his first big-time record deal. Several months later, this arrangement resulted in a slice (or rather, two slices) of music history: Freak Out!, the world's first rock and roll double LP -- and definitely one of the most unusual. The record combined all of Zappa's musical interests, from doo-wop and R&amp;B to modern classical and avant garde, while the lyric content ranged between social commentary, (somewhat tongue-in-cheek) tales of hearbreak, and Dadaistic absurdity. MGM, however, refused to allow the album to be credited under a name as outrageous as "The Mothers" (think of the scandal!), so the group was forced to lengthen it to &lt;a href="http://www.nndb.com/music/296/000035191/"&gt;The Mothers of Invention&lt;/a&gt; in order for a release to be possible. Zappa and his bandmates set off on their first tour immediately afterwards, where they were introduced to the joys of lip-synching on teen dance shows. It was at the conclusion this tour that Frank began what would be his most (and only) enduring partnership, after meeting a secretary at the Whisky named Gail Sloatman; the two married the following year, and Gail's role in supporting Frank's music (and, eventually, managing his business concerns) remained an essential one throughout his career.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In November of '66 the Mothers recorded their second album, Absolutely Free, further expanding on the methods and themes established with Freak Out!. By the time of its release the following year, Zappa had relocated to New York, where Cohen had arranged a residency for the band at the Garrick Theater -- the music scene in LA having fallen into a terminal slump, due to a growing political reaction against venues that catered to the long-haired "freak" crowd. The shows at the Garrick entered the realm of legend, featuring as they did extensive audience participation, an ever-changing array of props, vegetables, and the public administration of enormous quantities of whipped cream via a stuffed giraffe's rectum. Zappa correspondingly took his recorded work a step further at this time, integrating tape manipulation and extensive editing techniques into the already frothy musical stew. Two albums showcasing this painstaking approach materialized in '68: the first being the scathing social critique We're Only In It For The Money, and the second being the elaborate sonic collage Lumpy Gravy. 1968 also saw the Mothers' audience expand overseas as a result of their first shows in Europe and the UK, including a notorious performance at London's Royal Albert Hall that featured an 8 piece band line-up accompanied by ten members of the London Philharmonic. Never one to rest, upon his return to New York Zappa initiated two more projects before moving back to California in May: a tribute/parody of his doo-wop roots called Cruising With Ruben And The Jets and the homemade film and accompanying album Uncle Meat (the album was released in 1969, but the film remained unfinished until 1987).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;After their contract with MGM expired in 1967, Zappa and Cohen set up their own label, aptly titled Bizarre Records. In addition to albums by the Mothers, the label also provided an outlet for offbeat performers such as &lt;a href="http://www.nndb.com/people/406/000022340/"&gt;Lenny Bruce&lt;/a&gt;, Wild Man Fischer, the &lt;a href="http://www.nndb.com/music/941/000036833/"&gt;GTOs&lt;/a&gt; and &lt;a href="http://www.nndb.com/people/801/000022735/"&gt;Alice Cooper&lt;/a&gt; (the latter two released through the Straight sub-label). On occasion, Frank also served as a producer for these other artist's records -- the most notable example being Trout Mask Replica, the third effort by Don Van Vliet's music cult &lt;a href="http://www.nndb.com/music/340/000035235/"&gt;Captain Beefheart and The Magic Band&lt;/a&gt; and arguably the most outlandish blues album in history. Despite their growing popularity (or, apparently, because of it), Zappa was becoming increasingly disenchanted with his own band -- having developed an adversarial, employer/employee relationship with the other musicians, many of whom took a dim view of his refusal to injest "recreational substances" -- and following a tour in the summer of 1969 he made the decision the disband the Mothers. Albums featuring live performances by the group (Weasels Ripped My Flesh, Burnt Weeny Sandwich, both 1970) continued to be released after its dissolution, however, and material from this line-up would continue to surface more than two decades later (such as Ahead of Their Time, a recording of a 1968 performance at The Royal Festival Hall in London that was made available in 1993).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;For his next project, Zappa assembled a group of accomplished players (including some Mothers veterans like &lt;a href="http://www.nndb.com/people/679/000044547/"&gt;Ian Underwood&lt;/a&gt; and Roy Estrada) to create the primarily instrumental, jazz-leaning collection Hot Rats (1969). Almost immediately afterwards, a similarly-oriented album titled King Kong was recorded for violinist &lt;a href="http://www.nndb.com/people/857/000051704/"&gt;Jean-Luc Ponty&lt;/a&gt;, featuring both Zappa's compositions and production. A brief "reunion" tour with the Mothers was then organized, but the fickle bandleader organized a new band under the same name not long afterwards, retaining only Underwood from the original line-up. It was this band -- fronted by the dual vocals of Howard Kaylan and Mark Volman (formerly of &lt;a href="http://www.nndb.com/music/014/000040891/"&gt;The Turtles&lt;/a&gt;) and also including British drummer &lt;a href="http://www.nndb.com/people/533/000091260/"&gt;Aynsley Dunbar&lt;/a&gt; -- that both performed the music and provided the principal actors for Zappa's second film/album project, 200 Motels (1971): a highly-stylized, comically nightmarish portrayal of life on the road, constructed around actual dialogue and behavior that Zappa had witnessed from his bandmates. The film also enlisted the acting skills of &lt;a href="http://www.nndb.com/people/071/000023002/"&gt;Ringo Starr&lt;/a&gt; (portraying a dwarf), &lt;a href="http://www.nndb.com/people/214/000022148/"&gt;Keith Moon&lt;/a&gt; (portraying a licentious nun) and Theodore Bikel (portraying the devil), with on-screen musical performances by the Royal Philharmonic integrated into the story. Frank continued to perform with this new line-up until the end of 1971, the shows featuring constantly-evolving, sexually-themed skits (primarily enacted by Kaylan and Volman) woven into his complex musical arrangements. This second incarnation of the Mothers was abruptly terminated at a show at the Rainbow Theatre in London on 10 December, mere days after the band had lost all its gear in a fire that had erupted during a performance in Montreaux: just as Frank was returning to the stage for an encore, a demented fan attacked him, pushing him into the orchestra pit ten feet below. He would spend the next several weeks in a London hospital, recovering from the numerous injuries brought about by the fall.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Despite being in a leg cast and confined to a wheelchair, Zappa resumed his musical activities as soon as was possible, once again exploring the largely-instumental fusion direction of Hot Rats with the aid of Dunbar, dynamic keyboardist &lt;a href="http://www.nndb.com/people/022/000044887/"&gt;George Duke&lt;/a&gt; and an extensive brass/wind section. The first result was the album Waka/Jawaka (1972), followed later in the year by The Grand Wazoo; various permutations of the band -- usually billed under the name The Grand Wazoo, although sometimes still referred to as The Mothers -- subsequently toured the material in the States and Europe, but Zappa found that he enjoyed the company of these more serious players less than the rowdy shenanigans of his previous bandmates. Frank then switched his focus back towards a more commercial, song-oriented approach with the albums Over-Nite Sensation (1973) and Apostrophe ('), which included some of the few songs in the Zappa catalogue that were ever given any airplay: "Montana", "Don't Eat The Yellow Snow" and "Cosmik Debris". Even with these more radio-friendly pieces, however, the musical complexity remained considerable, and all of the above songs include the compositional twists (often rendered by superhuman percussionist &lt;a href="http://www.nndb.com/people/746/000044614/"&gt;Ruth Underwood&lt;/a&gt;) that had become Zappa's trademark.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In 1975, the final two albums bearing the Mothers' name were released: One Size Fits All (whose content was a hybrid of the "Wazoo" and "Apostrophe" approaches) and Bongo Fury (a collaboration between Zappa and estranged friend Captain Beefheart). For the remainder of the decade, Frank divided his time between orchestral projects and a more rock-oriented band -- both of which allowed him to maintain his typical routine of perpetual rehearsal and touring. The next album, Zoot Allures (1976), displayed a shift in his recorded output, with his social satire pieces being given a heavier rock sound and his instrumental pieces alternating between complex ensemble arrangements and settings for his guitar solos. 1976 also saw the resolution of Frank's first lawsuit against a record label, his action against MGM resulting in an out-of-court settlement that gave him control of his master tapes; this activity was resumed once again only a year later, when he sued his new label Warner Brothers for breach of contract after they failed to pay him for the four albums he delivered (all at once) to fulfill his obligations. The albums did eventually surface as Zappa in New York (1978), Studio Tan (1978), Sleep Dirt (1979) and Orchestral Favorites (1979), but it would be nearly two decades before they were presented as in the multi-disc format (Läther, 1996) that he had intended for them.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;By the end of 1979 Zappa had established his own record label, and had himself become established as one of the most accomplished and demanding bandleaders in the music industry. The players he enlisted during the following decade were generally not previously-established names, but even a short tenure as a member of Zappa's band would earn a musician a considerable amount of professional credibility, and several graduates from the 80s line-ups emerged to launch significant careers in their own right -- drummer &lt;a href="http://www.nndb.com/people/356/000110026/"&gt;Terry Bozzio&lt;/a&gt;, and guitarists &lt;a href="http://www.nndb.com/people/855/000033756/"&gt;Adrian Belew&lt;/a&gt; and &lt;a href="http://www.nndb.com/people/231/000072015/"&gt;Steve Vai&lt;/a&gt; amongst them. Zappa's recorded output during this period became more prolific than ever, with most of the material now being culled from a vast tape archive containing nearly every one of his live performances. Between 1981 and 1983, nine new albums (several of them double-disc sets) were issued: Tinsel Town Rebellion (1981), three volumes of collected guitar solos titled Shut Up 'N Play Yer Guitar, Shut Up 'N Play Yer Guitar Some More and Return Of The Son Of Shut Up 'N Play Yer Guitar (all 1981), You Are What You Is (1981), Ship Arriving Too Late To Save A Drowning Witch (1982), The Man From Utopia (1982), Baby Snakes (also a concert film, 1983), and the first of his classical collections with the London Symphony Orchestra (LSO Volume 1, 1983). In the midst of this outpour arrived "Valley Girl", the most commercially successful song of his career (included on the Drowning Witch album). Featuring the voice of his daughter &lt;a href="http://www.nndb.com/people/420/000025345/"&gt;Moon Unit Zappa&lt;/a&gt; imitating the cant of a San Fernando Valley teenager, the song gave Zappa a rare appearance in the top 40, while the revenue earned by this unexpected hit subsequently made it possible for the composer to finance several of his less lucrative orchestral projects.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In 1984 Zappa released Thing-Fish, a demented and profane 3-album story that he had initially intended to turn into a full-scale stage musical. Although Zappa continued to put out numerous live documents and archival collections, the majority of his studio-recorded releases from 1984 onwards were oriented towards "serious" compositions rather than songs, either assembled by means of the Synclavier -- Francesco Zappa (1984), Frank Zappa Meets The Mothers Of Prevention (1985), Jazz From Hell (1986) -- or performed by an orchestra -- the part-synclavier/part-&lt;a href="http://www.nndb.com/people/359/000045224/"&gt;Pierre Boulez&lt;/a&gt;-conducted collection The Perfect Stranger (1984) and LSO Volume 2 (1987). In the period from mid-1988 to mid-1992, his output remained focused on the You Can't Do That On Stage Anymore archival series, six volumes of primarily live recordings that ranged across the entire span of his career; these were only interrupted by a pair of more contemporary live collections in 1991, The Best Band You Never Heard In Your Life and Make A Jazz Noise Here, both culled from recordings of his final tour in 1988.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;By the mid-1980s Zappa's reputation as an outspoken social critic had drawn him into various non- or extra-musical contexts, the most visible of these being precipitated by the public hearings held in September 1985 to address the record ratings system demanded by the Parents' Music Resource Center. Amongst the list of music industry figures called to speak -- ranging from &lt;a href="http://www.nndb.com/music/561/000039444/"&gt;Twisted Sister&lt;/a&gt;'s &lt;a href="http://www.nndb.com/people/894/000033795/"&gt;Dee Snider&lt;/a&gt; to country boy &lt;a href="http://www.nndb.com/people/164/000026086/"&gt;John Denver&lt;/a&gt; -- Zappa delivered the most thoroughly researched and well-considered testimony; this increased public profile immediately resulted in several invitations to speak as a guest lecturer, most often on the topic of censorship. In 1989 he composed a score to the Cousteau Society documentary Outrage at Valdez in order to draw more attention to the ecological disaster it portrayed, and for which he donated his fee back to the Society. As the 1980s came to a close, Frank also became more active in different business ventures, establishing Why Not?, a consulting company geared towards facilitating U.S. investment in the Soviet Union just prior to the fall of communism; these dealings eventually led to a request in 1990 from Czech president &lt;a href="http://www.nndb.com/people/956/000023887/"&gt;Vaclav Havel&lt;/a&gt; for Zappa to officially represent Czechia's trade interests in the United States (an arrangement that was forcibly terminated by the first &lt;a href="http://www.nndb.com/people/362/000022296/"&gt;Bush&lt;/a&gt; administration soon afterwards). For a brief period in 1991, he even researched the possibility of running for president himself, and a few grassroots groups continued to pursue this idea independently until Zappa's death two years later.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In 1992, Frank began work on two projects that proved to be the successful culmination of various career-long musical threads. The first of these was brought about by the Ensemble Modern, a musician-run classical outfit that specialized in performing modern works; with their dedicated perseverence, he created The Yellow Shark, a series of European concerts and ultimately a CD release that at last provided the composer with satisfactory performances of his classical pieces. The Ensemble also contributed somewhat to the other project: a double disc set titled Civilization Phaze III (1993), which revisited the compositional collage approach established on Lumpy Gravy twenty-four years earlier. This album saw both the realization of the kind of work he had been striving to achieve on the synclavier, and the only-recently-possible manipulation of a series of absurdist discussions that he had recorded in a piano during the sessions for Gravy. Towards the end of 1993 his worsening prostate cancer (first detected in 1990) prevented him from pursuing any further projects. The disease would ultimately claim his life on 4 December 1993.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115373403971282900?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115373403971282900/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115373403971282900&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115373403971282900'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115373403971282900'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/07/saudades.html' title='Saudades'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115373177229613836</id><published>2006-07-24T11:02:00.000+02:00</published><updated>2006-07-24T11:06:40.520+02:00</updated><title type='text'>where all the parents gone ?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/amanpour.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/amanpour.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ISIOLA, Kenya (CNN) -- AIDS invaded our consciousness 25 years ago. A whole generation around the world has now grown up knowing only a world with AIDS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We have watched the efforts to find a vaccine, to find drugs to control the disease, to educate people about preventive measures, and to end the stigma of AIDS.&lt;br /&gt;There have been many successes in helping adults with the disease, but when it comes to the children, the world has failed dismally.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Millions and millions of AIDS orphans are the devastating legacy of this epidemic. Africans suffer the most. According to the United Nations, there are 12 million AIDS orphans in sub-Saharan Africa alone, and in four short years that number will skyrocket to 18.4 million. That means AIDS orphans will make up 15 to 20 percent of the population in some African countries.&lt;br /&gt;Traveling around the region, we met young children heading entire households, after losing one or both parents.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Because the adults are missing, entire economies are collapsing. There's no one left to plant crops, tend livestock or look after the young. And AIDS is killing the children as well.&lt;br /&gt;According to the United Nations, HIV infection is more aggressive in children less than 18 months old than in adults. In the absence of any treatment up to 50 percent of HIV-infected children die by their second birthday.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Africa, less than 5 percent of HIV-positive children who need treatment have access to it. And every day, another 1,800 children are infected with HIV, mostly at birth or from their mother's milk.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Europe or America, this is almost unheard of because there is effective treatment to stop pregnant mothers from passing on the virus to their newborns. But in Africa, there is little access to this life-saving prenatal therapy. Furthermore, only 10 percent of pregnant women in Africa have access to basic treatment that could half the rate of transmission of HIV to their newborns. "It's another grotesque double standard," said Stephen Lewis, the U.N. AIDS envoy to Africa. 'It's everybody's fault'.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninety percent of all HIV-positive children under 15 are infected mainly through mother-to-child transmission, according to UNICEF's global figures. Special pediatric AIDS drugs have only been made for children in the last two years.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;We asked Dr. Chris Ouma, UNICEF's AIDS specialist in Kenya, why children have gotten such a raw deal.&lt;br /&gt;"I think it's everybody's fault really," he said. "We were slow on the science. We did not speak out for them. Companies did not see the incentive to invest in drugs for children as there's no one to pay. And all this has now resulted in an unacceptable death [rate]."&lt;br /&gt;He added, "I think now as technology brings out superior drugs, things are starting to change. It's 10 years too late, but at least something is being done now."&lt;br /&gt;Indeed Kenya is one of the countries that has made a significant dent in AIDS prevalence and treatment. But there still is much more to do. There are currently one million AIDS orphans in Kenya alone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UNICEF reports that around the world, there are about 2.3 million children under 15 living with HIV. Two million of them live in sub-Saharan Africa, or 90 percent of the world's HIV-infected children.&lt;br /&gt;&lt;a name="2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="rv2"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Grandmothers increasingly raising orphans&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Our journey took us from Isiola and the rural tribes in northern Kenya to Kibera just outside Nairobi. Kibera is the world's largest slum, where 50,000 AIDS orphans scratch out a living.&lt;br /&gt;There we came across the amazing phenomenon of African grandmothers -- a whole generation of elderly women now looking after their grandchildren, after the mothers and fathers died of AIDS. Without them, these vulnerable children would be dead, or turn to a young life of crime and prostitution.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;In Isiola, where Kenya's paved road to Ethiopia and Somalia ends, the incidence of HIV is almost double the national average, and it's due to the convergence of truck routes and tribal traditions.&lt;br /&gt;The drought and famine that recently hit this part of Kenya exacerbates the AIDS and health crises. Tribesmen told us the appalling story of sending their wives out for prostitution, in order to afford food. But along with the food, they bring AIDS back to their tribe and their village.&lt;a name="3"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a name="rv1"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Motor bikes get drugs to remote areas&lt;br /&gt;However, all is not bleak. In the shadow of Mount Kilimanjaro on Masai tribal lands, a team of local doctors and community health workers is bringing 21st century medical care to rural Africa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;American philanthropist Anne Lurie, who is also a pediatric nurse, has planned and paid for the AID Village Clinic here, along with its sophisticated medical equipment and highly trained Kenyan doctors.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;For the Masai villagers, all the treatment is free.&lt;br /&gt;What makes this clinic truly remarkable, though, is the outreach. Doctors don't just sit and wait for patients, they go out and find them, treat them, and make regular follow-up calls.&lt;br /&gt;The outreach project is the brainchild of two British dirt bikers, Barry and Andrea Coleman, who realized that a transport network was the missing link.&lt;br /&gt;"The entire continent of Africa is more or less grounded when it comes to health outreach. Which is a pretty big problem when you think of the effort that goes into sending drugs, sending health care expertise and it all doesn't reach the people who need it," said Barry Coleman.&lt;br /&gt;Without any government help, they've sent hundreds of motor bikes to Africa's wildest places with money they've raised at bike rallies in England. They have also trained the local health workers how to drive and maintain them.&lt;br /&gt;It seems to be making a difference in Africa's medical catastrophe. The Colemans have similar and bigger bike outreach projects in Gambia and Zimbabwe, and doctors there tell them that they are having an effect on reducing the disease and illnesses by getting patients much-needed medicine. He said more such programs are urgently needed: "People are just dying for absolutely no reason at all."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;He told us that the project we saw in the Masai country could be replicated around Africa. With so much money being poured into AIDS research and government coffers, perhaps one solution is to seek the simple effective approach.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;It does work. In the heart of rural Africa, we saw one pregnant mother infected with HIV who got the right prenatal drugs and did not pass on the virus to her son. One life saved, one child saved from becoming another African AIDS orphan.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115373177229613836?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115373177229613836/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115373177229613836&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115373177229613836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115373177229613836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/07/where-all-parents-gone.html' title='where all the parents gone ?'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115348590877384224</id><published>2006-07-21T14:45:00.000+02:00</published><updated>2006-07-21T14:47:52.373+02:00</updated><title type='text'>A vergonha do ano</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/fifa.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/fifa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A penalização a Zidane é uma afronta a todos aqueles que encaram o desporto com far-play . Esta tentativa de branqueamento de um acto de inusitada violência numa final do campeonato do Mundo só mostra como os corredores da FIFA estão PODRES. Se se tratasse de um jogador português no mínimo estaria 2 anos sem pisar os relvados. E merecidamente ! É vergonhosa a actuaçao do comité de disciplina da FIFA. Esta complacência com os franceses é inversamente proporcional à extrema rigidez com que a nossa selecçao é tratada. E, pôr o acto de Materazzi na mesma balança do de Zidane é chamar-nos a todos, os amantes do futebol, estúpidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A malta cá da Neta nem pode ouvir falar francês , assoma-se cá uma fúria quê sei lá ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115348590877384224?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115348590877384224/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115348590877384224&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115348590877384224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115348590877384224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/07/vergonha-do-ano.html' title='A vergonha do ano'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115332269409196571</id><published>2006-07-19T17:24:00.000+02:00</published><updated>2006-07-19T17:34:20.863+02:00</updated><title type='text'>O concerto do ano</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/thumb_pixies10.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/thumb_pixies10.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A malta cá da Neta nao conseguiu arranjar bilhetes para o concerto. Ainda por cima o frigorífico do café Estevas está avariado. Cerveja morta é que nao !! Antes queria ir ver o concerto do Toy ao Pinhal Novo, ou entao ouvir o Boaventura Sousa Santos a retorquir a evidência ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá temos que gramar com o coro das minas da Panasqueira, gravaçao de 78 .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115332269409196571?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115332269409196571/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115332269409196571&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115332269409196571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115332269409196571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/07/o-concerto-do-ano.html' title='O concerto do ano'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115104091260965692</id><published>2006-06-23T07:35:00.000+02:00</published><updated>2006-06-23T07:45:40.713+02:00</updated><title type='text'>Lagos, mil lagos ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/lagos0606.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/lagos0606.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... entre os rochedos da Ponta da Piedade. Rocha rasgada pela força do Atlântico envolve com ternura as cristalinas águas do Algarve. Para ti , Lagos, 2 semanas do meu bem mais precioso. Quem dera fosse mais. Mas o pessoal da Neta também merece que por lá ande uns tempos. Ainda por cima , com os rumores que a Paris anda por lá, parece que precisam de ajuda para "guiar" a horda de turistas que por lá passam .... de "vez" em quando. É preciso é estar atento à porta de casa , .... que eles "aparecem" !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115104091260965692?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115104091260965692/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115104091260965692&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115104091260965692'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115104091260965692'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/06/lagos-mil-lagos.html' title='Lagos, mil lagos ...'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115079113815196192</id><published>2006-06-20T10:12:00.000+02:00</published><updated>2006-06-20T10:14:59.086+02:00</updated><title type='text'>Nada como começar do princípio</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/jmcoetzee.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/jmcoetzee.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;John Maxwell Coetzee, better known as J.M. Coetzee, was born in South Africa on February 9th, 1940. His father worked for the government and also as a sheep farmer. When Coetzee was eight, his father lost the government job due to his differing views from the then apartheid government. The family then moved to the provincial town of Worcester.&lt;br /&gt;During his early years, his studies were done in Cape Town where he obtained his B.A. in 1960 and his M.A. in 1963. He then traveled the world working as a systems programmer for International Computers in Bracknell, Berkshire from 1964-1965. He later obtained his P.H.D. in literature from the University of Texas at Austin in 1969. Upon completion of these studies, he returned to his native land of South Africa to join up as a lecturer at the University of Cape Town in 1972 until 1983. In 1984 and 1986 he would again journey overseas to become the Butler Professor of English at the State University of New York in Buffalo. He was then the Hinkley Professor of English at John Hopkins University in 1986 and 1989 and the Visiting Professor of English at Harvard University in 1991. J.M. Coetzee was married in 1963 and then divorced in 1980. He had one son and one daughter from the marriage. His son was killed in an accident at the age of 23. Coetzee’s separation from his wife before his divorce was widely expected by his friends as many labeled him as a reclusive and private man. This label was further evidenced by the fact that he did not journey to London to receive the Booker Prize in 1984 for his novel: The Life and Times of Michael K, nor when he again won the honor for his novel Disgrace in 1999.&lt;br /&gt;Author Rian Malan descibes Coetzee as: "a man of almost monkish self-discipline and dedication. He does not drink, smoke or eat meat. He cycles vast distances to keep fit and spends at least an hour at his writing-desk each morning, seven days a week. A colleague who has worked with him for more than a decade claims to have seen him laugh just once. An acquaintance has attended several dinner parties where Coetzee has uttered not a single word." (qtd. In Cowley)&lt;br /&gt;However, Coetzee's solitude has not allowed him to go unnoticed in any way. His books have become worldwide bestsellers and he is the only author to have ever won the Booker Prize twice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J.M. Coetzee is a writer who is strongly influenced by his own personal background of being born and growing up in South Africa. Although a white writer living in South Africa during apartheid, Coetzee grew to believe in and write with strong anti-imperialist feelings. His international writings tended to set him apart from fellow authors in South Africa and his writing was said to be mostly influenced by the postmodernist writers of Europe and America. These writers also contained many anti-imperialist sentiments as a reaction to the Vietnam war. Many of Coetzee's personal experiences and beliefs can be seen in his books. Coetzee describes his sense of alienation from fellow Afrikaners in his biography, Boyhood:Scenes from Provincial Life. Coetzee also writes in his biography and his novels about the laws that divided himself and others into racial categories that served to further alienate him.&lt;br /&gt;This is evidenced in his first novel Dusklands. In this book Coetzee focuses on two settings: one, the US State Department during the Vietnam era and two, stories of the exploration and conquest of Southern Africa in the 1760’s by a man named Jacobus Coetzee. These two vastly different locations work together to bring out the alarm and paranoia of aggressors no matter what the location and to show the unthinkable ways in which dominant groups impose their ways upon other cultures.&lt;br /&gt;His first novel to win the Booker Prize, The Life and Times of Michael K, is set in Cape Town, a city on the verge of racials wars, and centers around a gardener who attempts to transport his dying mother to the farm of her youth. Although she dies during the journey, Michael K continues on to her farm with her ashes. He lives quite happily in solitude on her old farm until he is captured and accused of aiding guerillas. The great weight of the novel relies on the fact that it does not focus in on racial separations but is more concerned with saving humanity as a whole.&lt;br /&gt;In his latest novel and the one responsible for garnering him a second Booker prize, Disgrace, Coetzee deals with a South African professor name David who goes out to visit his daughter, Lucy's, farm. While he is there a gang of two men and one boy rapes his daughter. When he later sees the boy at a party thrown by Lucy's neighbor, Petrus, he demands justice. Petrus refuses, and promises protection from further attacks to Lucy only if she marries him. The issues in this novel deal with many of the current plights of South Africa. Land, crime, rape, lack of police protection and racial divides are all themes of the novel and problems in modern day South Africa.&lt;br /&gt;All of Coetzee's writings are similar in that they often center on a solitary character. No direct moral is ever given, but rather situations are set up for the reader to think about. Coetzee’s aim is not to provide solutions, but to highlight problems and have the reader form their own conclusions.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115079113815196192?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115079113815196192/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115079113815196192&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115079113815196192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115079113815196192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/06/nada-como-comear-do-princpio.html' title='Nada como começar do princípio'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115044971090826250</id><published>2006-06-16T11:21:00.000+02:00</published><updated>2006-06-16T11:27:45.260+02:00</updated><title type='text'>Ne me quitte pas</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/brel.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/brel.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Il faut oublier&lt;br /&gt;Tout peut s'oublier&lt;br /&gt;Qui s'enfuit déjà&lt;br /&gt;Oublier le temps&lt;br /&gt;Des malentendus&lt;br /&gt;Et le temps perdu&lt;br /&gt;A savoir comment&lt;br /&gt;Oublier ces heures&lt;br /&gt;Qui tuaient parfois&lt;br /&gt;A coups de pourquoi&lt;br /&gt;Le cœur du bonheur&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Moi je t'offrirai&lt;br /&gt;Des perles de pluie&lt;br /&gt;Venues de pays&lt;br /&gt;Où il ne pleut pas&lt;br /&gt;Je creuserai la terre&lt;br /&gt;Jusqu'après ma mort&lt;br /&gt;Pour couvrir ton corps&lt;br /&gt;D'or et de lumière&lt;br /&gt;Je ferai un domaine&lt;br /&gt;Où l'amour sera roi&lt;br /&gt;Où l'amour sera loi&lt;br /&gt;Où tu seras reine&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Je t'inventerai&lt;br /&gt;Des mots insensés&lt;br /&gt;Que tu comprendras&lt;br /&gt;Je te parlerai&lt;br /&gt;De ces amants-là&lt;br /&gt;Qui ont vu deux fois&lt;br /&gt;Leurs cœurs s'embraser&lt;br /&gt;Je te raconterai&lt;br /&gt;L'histoire de ce roi&lt;br /&gt;Mort de n'avoir pas&lt;br /&gt;Pu te rencontrer&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;On a vu souvent&lt;br /&gt;Rejaillir le feu&lt;br /&gt;D'un ancien volcan&lt;br /&gt;Qu'on croyait trop vieux&lt;br /&gt;Il est paraît-il&lt;br /&gt;Des terres brûlées&lt;br /&gt;Donnant plus de blé&lt;br /&gt;Qu'un meilleur avril&lt;br /&gt;Et quand vient le soir&lt;br /&gt;Pour qu'un ciel flamboie&lt;br /&gt;Le rouge et le noir&lt;br /&gt;Ne s'épousent-ils pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Je ne vais plus pleurer&lt;br /&gt;Je ne vais plus parler&lt;br /&gt;Je me cacherai là&lt;br /&gt;A te regarder&lt;br /&gt;Danser et sourire&lt;br /&gt;Et à t'écouter&lt;br /&gt;Chanter et puis rire&lt;br /&gt;Laisse-moi devenir&lt;br /&gt;L'ombre de ton ombre&lt;br /&gt;L'ombre de ta main&lt;br /&gt;L'ombre de ton chien&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas&lt;br /&gt;Ne me quitte pas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J. Brel&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115044971090826250?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115044971090826250/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115044971090826250&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115044971090826250'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115044971090826250'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/06/ne-me-quitte-pas.html' title='Ne me quitte pas'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115021055879341396</id><published>2006-06-13T16:55:00.000+02:00</published><updated>2006-06-13T16:57:20.150+02:00</updated><title type='text'>Save the Bears</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/bears.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/bears.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;www.pulodolobo.blogspot.com &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115021055879341396?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115021055879341396/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115021055879341396&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115021055879341396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115021055879341396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/06/save-bears.html' title='Save the Bears'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115020103655148153</id><published>2006-06-13T14:17:00.000+02:00</published><updated>2006-06-13T14:22:44.106+02:00</updated><title type='text'>Andar só</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/nudeart.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/nudeart.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O amor é uma companhia.&lt;br /&gt;Já não sei andar só pelos caminhos,&lt;br /&gt;Porque já não posso andar só.&lt;br /&gt;Um pensamento visível faz-me andar mais depressa&lt;br /&gt;E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.&lt;br /&gt;E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.&lt;br /&gt;Se a não vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.&lt;br /&gt;Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do que sinto na&lt;br /&gt;ausência dela.Todo eu sou qualquer força que me abandona.&lt;br /&gt;Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara&lt;br /&gt;dela no meio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[Alberto Caeiro]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115020103655148153?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115020103655148153/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115020103655148153&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115020103655148153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115020103655148153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/06/andar-s.html' title='Andar só'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-115010116632306592</id><published>2006-06-12T10:32:00.000+02:00</published><updated>2006-06-12T10:50:34.916+02:00</updated><title type='text'>Valeu-nos o Figo</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Figo%20Portugal%20shirt.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Figo%20Portugal%20shirt.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é, se nao fosse o Figo lá estariamos a lamentar-nos mais uma vez da falta de sorte, do árbitro e/ou do Scolari. Estive lá ontem, na Köln Arena, e o português ( a língua ) foi quem mais saiu a ganhar. Angolanos, portugueses e alguns brasileiros encheram a Aachenstrasse num carnaval digno de ser visto em qualquer parte do mundo. Portugueses seriamos uns 25 a 30 000 e tudo se preparava para aquilo que veio a acontecer, uma vitória de Portugal, mas nao sem que, quase no final do jogo, presenteá-sse-mos a selecçao com uma assobiadela monumental pela falta de chama que demonstraram a meio da 2° parte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É preciso mais alegria a jogar. Tudo o que de bom se viu teve origem no Luís Figo. O Cristiano nao se fixa na ala. O Simao sempre a escorregar, o Tiago muito previsível . Pareceia um filme série B.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre Angola, deixo uma palavra de apreço para os seus apoiantes que foram bastante civilizados. E a Xinha além de simpática cativou-me. Quanto à equipa, na 1° parte ainda fizeram uns remates mas na segunda foram inofensivos. Entraram nervosos e pagaram por isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se for a Gelsenkirchen voltarei ao tema. A Frankfurt nao vou porque gosto mais do sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-115010116632306592?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/115010116632306592/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=115010116632306592&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115010116632306592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/115010116632306592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/06/valeu-nos-o-figo.html' title='Valeu-nos o Figo'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-114900479820413776</id><published>2006-05-30T17:59:00.000+02:00</published><updated>2006-05-30T18:36:49.580+02:00</updated><title type='text'>Bairro Alto ...</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/bairro%20alto.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/bairro%20alto.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... dos meus amores. Quantas vezes, em fim de tarde, aborrecido com os ângulos rectos da Baixa, subi no elevedor da Glória com aquela sensaçao de estar a penetrar num outro mundo. O meu mundo, e dealguns outros, que, como eu, se enamoraram do Bairro, e , desde entao , nunca mais o conseguiram "abandonar". O meu poiso era na Barroca mas o Jazz Bar (do Mário), os Três Pastorinhos, aTia Alice do Arroz Doce, a Margarida do Frágil, os Camones à deriva, o fado vadio, os engates de circunstância e muito mais que aqui nao cabe continuam a preencher os veios e circuitos das minhas meninges. Acordado, e às vezes a sonhar, vagueio, sem rumo, ou num alfarrabista ao Carmo ou fixado numas águas furtadas ao Príncipe real ganhando  a calma necessária para suportar a monotonia do emprego, a frieza dos néons e a frivolidade dos sorrisos que, nesta pequena urbe, nos vao enegrecendo o estro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-114900479820413776?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/114900479820413776/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=114900479820413776&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114900479820413776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114900479820413776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/05/bairro-alto.html' title='Bairro Alto ...'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-114891304296003569</id><published>2006-05-29T16:30:00.000+02:00</published><updated>2006-05-29T16:39:17.833+02:00</updated><title type='text'>How could God 'tolerate' Holocaust?</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Pope.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/Pope.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A pergunta que, muito provavelmente, nunca terá resposta, foi ontem feita pelo representante máximo da Igreja católica, que, para além de expiar os seus próprios remorsos, reavivou assim o espírito libertário e solidário que é cada vez mais entendido como absolutamente indissociável nos dias de hoje,  da principal missao da Igreja católica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-114891304296003569?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/114891304296003569/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=114891304296003569&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114891304296003569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114891304296003569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/05/how-could-god-tolerate-holocaust.html' title='How could God &apos;tolerate&apos; Holocaust?'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-114891224923046917</id><published>2006-05-29T16:17:00.000+02:00</published><updated>2006-05-29T16:22:49.696+02:00</updated><title type='text'>saudades do mestre</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/agostinhodasilva.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/agostinhodasilva.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São meus discípulos, se alguns tenho, os que estão contra mim; porque esses guardaram no fundo da alma a força que verdadeiramente me anima e que mais desejaria transmitir-lhes:&lt;br /&gt;a de se não conformarem”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agostinho da Silva&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-114891224923046917?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/114891224923046917/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=114891224923046917&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114891224923046917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114891224923046917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/05/saudades-do-mestre.html' title='saudades do mestre'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-114889745182228968</id><published>2006-05-29T12:10:00.000+02:00</published><updated>2006-05-29T12:18:52.093+02:00</updated><title type='text'>A alegria de viver</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/levine2.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/levine2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso.&lt;br /&gt;É possível, porque tudo é possível, que ele seja&lt;br /&gt;aquele que eu desejo para vós. Um simples mundo,&lt;br /&gt;onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém&lt;br /&gt;de nada haver que não seja simples e natural.&lt;br /&gt;Um mundo em que tudo seja permitido,&lt;br /&gt;conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer,&lt;br /&gt;o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.&lt;br /&gt;E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto&lt;br /&gt;o que vos interesse para viver. Tudo é possível,&lt;br /&gt;ainda quando lutemos, como devemos lutar,&lt;br /&gt;por quanto nos pareça a liberdade e a justiça,&lt;br /&gt;ou mais que qualquer delas uma fiel&lt;br /&gt;dedicação à honra de estar vivo.&lt;br /&gt;Um dia sabereis que mais que a humanidade&lt;br /&gt;não tem conta o número dos que pensaram assim,&lt;br /&gt;amaram o seu semelhante no que ele tinha de único,&lt;br /&gt;de insólito, de livre, de diferente,&lt;br /&gt;e foram sacrificados, torturados, espancados,&lt;br /&gt;e entregues hipocritamente â secular justiça,&lt;br /&gt;para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»&lt;br /&gt;Por serem fiéis a um deus, a um pensamento,&lt;br /&gt;a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas&lt;br /&gt;à fome irrespondível que lhes roía as entranhas,&lt;br /&gt;foram estripados, esfolados, queimados, gaseados,&lt;br /&gt;e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido,&lt;br /&gt;ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.&lt;br /&gt;Às vezes, por serem de uma raça, outras&lt;br /&gt;por serem de uma classe, expiaram todos&lt;br /&gt;os erros que não tinham cometido ou não tinham consciênciade haver cometido. Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos.&lt;br /&gt;Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer,&lt;br /&gt;aniquilando mansamente, delicadamente,&lt;br /&gt;por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.&lt;br /&gt;Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror,&lt;br /&gt;foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha&lt;br /&gt;há mais de um século e que por violenta e injusta&lt;br /&gt;ofendeu o coração de um pintor chamado Goya,&lt;br /&gt;que tinha um coração muito grande, cheio de fúria&lt;br /&gt;e de amor. Mas isto nada é, meus filhos.&lt;br /&gt;Apenas um episódio, um episódio breve,&lt;br /&gt;nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis)&lt;br /&gt;de ferro e de suor e sangue e algum sémen&lt;br /&gt;a caminho do mundo que vos sonho.&lt;br /&gt;Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém&lt;br /&gt;vale mais que uma vida ou a alegria de té-1a.&lt;br /&gt;É isto o que mais importa - essa alegria.&lt;br /&gt;Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto&lt;br /&gt;não é senão essa alegria que vem&lt;br /&gt;de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém&lt;br /&gt;está menos vivo ou sofre ou morre&lt;br /&gt;para que um só de vós resista um pouco mais&lt;br /&gt;à morte que é de todos e virá.Que tudo isto sabereis serenamente,&lt;br /&gt;sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição,&lt;br /&gt;e sobretudo sem desapego ou indiferença,&lt;br /&gt;ardentemente espero. Tanto sangue,tanta dor, tanta angústia, um dia&lt;br /&gt;- mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga -não hão-de ser em vão. Confesso que&lt;br /&gt;muitas vezes, pensando no horror de tantos séculos&lt;br /&gt;de opressão e crueldade, hesito por momentos&lt;br /&gt;e uma amargura me submerge inconsolável.&lt;br /&gt;Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam,&lt;br /&gt;quem ressuscita esses milhões, quem restitui&lt;br /&gt;não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?&lt;br /&gt;Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes&lt;br /&gt;aquele instante que não viveram, aquele objecto&lt;br /&gt;que não fruíram, aquele gesto&lt;br /&gt;de amor, que fariam «amanhã».&lt;br /&gt;E, por isso, o mesmo mundo que criemos&lt;br /&gt;nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa&lt;br /&gt;que não é nossa, que nos é cedida&lt;br /&gt;para a guardarmos respeitosamente&lt;br /&gt;em memória do sangue que nos corre nas veias,&lt;br /&gt;da nossa carne que foi outra, do amor que&lt;br /&gt;outros não amaram porque lho roubaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lisboa, 25 de Junho de 1959(Jorge de Sena)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-114889745182228968?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/114889745182228968/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=114889745182228968&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114889745182228968'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114889745182228968'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/05/alegria-de-viver.html' title='A alegria de viver'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-114889699545806911</id><published>2006-05-29T12:03:00.000+02:00</published><updated>2006-05-29T12:06:31.506+02:00</updated><title type='text'>No areal da Mina ....</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/paris-hilton-nipple-.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/paris-hilton-nipple-.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none transparent scroll repeat 0% 0%; PADDING-BOTTOM: 0px; BORDER-LEFT: 0px; PADDING-TOP: 0px; BORDER-BOTTOM: 0px" alt="Posted by Picasa" src="http://photos1.blogger.com/pbp.gif" align="absMiddle" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhem quem estava no outro dia , sózinha, a tomar banhos de sol, na praia fluvial da Mina de Sao Domingos . Ia jurar que era a nossa Paris ...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé da Neta&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/10901170-114889699545806911?l=pulodolobo.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://pulodolobo.blogspot.com/feeds/114889699545806911/comments/default' title='Enviar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=10901170&amp;postID=114889699545806911&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114889699545806911'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/10901170/posts/default/114889699545806911'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://pulodolobo.blogspot.com/2006/05/no-areal-da-mina.html' title='No areal da Mina ....'/><author><name>Pulo do Lobo</name><uri>http://www.blogger.com/profile/06495555172294937091</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-10901170.post-114865975927260591</id><published>2006-05-26T18:09:00.000+02:00</published><updated>2006-05-26T18:10:47.910+02:00</updated><title type='text'>Cindy Sherman</title><content type='html'>&lt;a href="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/cindy_sherman_fruitmarket_3.jpg"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: #000000 1px solid; BORDER-TOP: #000000 1px solid; MARGIN: 2px; BORDER-LEFT: #000000 1px solid; BORDER-BOTTOM: #000000 1px solid" src="http://photos1.blogger.com/hello/264/3639/320/cindy_sherman_fruitmarket_3.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.pulodolobo.blogspot.com"&gt;www.pulodolobo.blogspot.com&lt;/a&gt; &lt;a href="http://picasa.google.com/blogger/" target="ext"&gt;&lt;img style="BORDER-RIGHT: 0px; PADDING-RIGHT: 0px; BORDER-TOP: 0px; PADDING-LEFT: 0px; BACKGROUND: none tran
